sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Capoeira do Rio, Bahia & Pernambuco

A Capoeiragem do Rio, o Brinquedo de Salvador e o Frevo de Recife: O Legado da Capoeira em seus focos iniciais



Rio de Janeiro

            O Rio de Janeiro, nos tempos mais remotos, já era uma cidade turbulenta, cheia de desordeiros. E no meio dessas brigas e arruaças aparece o capoeira carioca. Segundo registros da época, um sujeito inconfundível pelo seu andar gingado com destreza e agilidade no corpo. O capoeira carioca era de fato, vadio e ocioso, porém um cidadão temido por todos, principalmente por ter fama de levar vantagens em brigas até contra pessoas armadas. 

            Suas armas se constituíam no cacete (espécie de porrete), na navalha e no próprio corpo, através dos rabos-de-arraia e cabeçadas. Esses desordeiros se juntavam em grupos chamados maltas, sendo mais famosas a dos Guaiamuns e a dos Nagôas. Entre essas maltas havia muita rivalidade o que sempre gerava conflitos. Na malta também havia um líder que comandava as desordens.

            Algum tempo atrás encontrei uma nota dizendo mostrar o primeiro aparecimento da palavra capoeira escrita no registro da prisão de Adão, pardo, escravo,acusado de ser capoeira, em 25 de Abril de 1789. [Nireu Cavalcanti, O CapoeiraJornal do Brasil, 15/11/1999, citando do códice 24, Tribunal da Relação, livro 10, Arquivo Nacional, Rio de Janeiro]. 

            Mas é no século XIX, durante o período da vinda da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, que o Rio de Janeiro passou por umas das fases mais barulhentas. Revoltados com a perda das casas e móveis, os capoeiras se encarregaram de providenciar a vingança da população brasileira saindo pelas ruas a surrar e saquear os portugueses. Os quebra-quebras e badernas viraram rotina, levando o governo a designar o Major Miguel Nunes Vidigal como comandante da polícia, com a dura missão de acabar com os capoeiras.

            Major Vidigal, como era conhecido, perseguiu as maltas se valendo do terrível chicote. Duro perseguidor dos capoeiras, ele era um sujeito muito temido como podemos perceber em alguns cantos famosos na época.

Avistei o Vidigal,
Cai no lodo;
Se não sou ligeiro,
Sujava-me todo.

            Porém, por mais estranho que possa parecer, o Major já teve os capoeiras lutando ao seu lado. Foi em 1828, por oportunidade da revolta de mercenários alemães e irlandeses convocados por D. Pedro I. Em 1845, morre Major Vidigal. Os capoeiras foram perseguidos, mas não extintos e continuaram praticamente livres durante o período da Regência e do reinado de Pedro II, sendo muito importantes em ocasiões políticas. Inclusive bastante utilizados e explorados durante a campanha a favor da Proclamação da República.

            Porém proclamada a República, os capoeiras são novamente perseguidos, sendo o paulista Sampaio Ferraz, conhecedor das artimanhas da capoeiragem, nomeado por Marechal Deodoro, como o responsável pela missão de extinção das maltas e dos capoeiras nesta fase. No artigo 402, o código penal de 1890 estabelece que:

"Capítulo XII - Dos Vadios e Capoeiras: Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal conhecidos pela denominação capoeiragem; andar em correria, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, provocando tumulto ou desordem, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal. 
 
Pena: Prisão celular de dois a seis meses. 

Parágrafo único: É considerada circunstância agravante pertencer o capoeira a algum bando ou malta. Aos chefes e cabeças se imporá a pena em dobro". 
 
            Assim como Vidigal, Sampaio Ferraz foi um duro perseguidor dos capoeiras, porém seus métodos eram outros. Ele decidiu, tendo o apoio de Marechal Deodoro, tratar os capoeiras da mesma maneira, independente de camadas sociais, causando inclusive um crise ministerial com a prisão de Juca Reis, filho do conde de Matosinhos. Além disso, os capoeiras pegos em vadição eram enviados para a ilha de Fernando de Noronha.
 
            Sampaio Ferraz, que também foi o criador da guarda negra formada por capoeiras, desterrou diversos capoeiras, mas também não conseguiu extinguir a capoeiragem no Rio. No final do século XIX e início do século XX, surgem novos capoeiras cariocas e até livros defendendo a capoeira como luta nacional. 
 
            Aparecem como capoeiras cariocas famosos Manduca da Praia, Camisa Preta, Caranguejo da Praia das Virtudes e em meados de 1920/30 Agenor Moreira Sampaio, o Sinhozinho (1891 - 1962). Esse último, natural de Santos/SP e radicado no Rio de Janeiro, foi um excelente formador de lutadores, utilizando método próprio, sem o uso do berimbau. 
 
            Recentemente Miltinho Astronauta, com base na obra de Alceu Maynard Araújo entitulada "Folclore Nacional", relata que foi encontrada capoeira no interior paulista entre o final do século XIX e início do século XX. Trata-se de levas de capoeiras soltas nas pontas dos trilhos da Sorocabana, que tinha como destino final a cidade de Botucatu. Na verdade eram capoeiras desterrados do Rio em consequência do Código Penal de 1890.

            Como pode ser observado nos relatos acima, a capoeiragem no Rio antigo era caracterizada pela desordem, brigas e caráter de luta, sem a utilização de instrumentos musicais. Porém, como André Lacé gosta de chamar, o "estilo de capoeira Sinhozinho" ou "capoeira utilitária" está extinto. Hoje em dia, o que se pode apreciar da capoeira carioca, na verdade é a evolução do que ora foi a capoeira baiana com orquestras, cantos e rituais ligados a religiosidade africana, no estado Rio de Janeiro.
 
Bahia

         Segundo historiadores, pelo menos desde o século XIX, os capoeiras já fazem parte da história baiana. Com sua argola de ouro na orelha e seu chapéu de lado, o capoeira baiano não foi descrito como ocioso. Era o malandro trabalhador. Na Bahia, os negros encontravam na capoeira uma forma de brincar com o corpo. Era a vadiação que normalmente acontecia nas festas de largo. Tanto é que era de costume chamar a capoeira de brinquedo.

            Porém a capoeira baiana sempre esteve ligada a religiosidade africana. Para que a vadiação estivesse completa, era necessária a bateria, a orquestra de instrumentos, composta por berimbaus, pandeiros e atabaques. Assim como vemos na capoeira que conhecemos hoje em dia, existia um verdadeiro ritual para que o jogo acontecesse, onde os capoeiras aguardavam os cantos de início (ladainhas) e seguiam para a vadiação.

            Mas mesmo com um caráter lúdico, a capoeira junto com o candomblé e outras manifestações culturas de origem africana também incomodavam o governo. Muitos baianos também foram enviados para a guerra do Paraguai (1864 - 70), nos batalhões de frente para lutar heroicamente. Já em meados de 1920, assim como aconteceu no século XIX no Rio de Janeiro, surge na Bahia um perseguidor das manifestações culturais do povo negro. Pedro Azevedo Gordilho, ou Pedrito como era conhecido, foi encarregado de acabar com os "malandros" da Bahia. A permanência de Pedrito com delegado, figura muitas vezes contraditória, é relatada por cerca de 20 anos de implacáveis batidas aos terreiros de candomblés, se valendo de porrete e facão. A fama de Pedrito também pode ser comprovada em alguns versos cantados na época:

"Acabe com este santo
Pedrito vem aí
lá vem cantando 
ca ô cabieci"
 
ou
 
"Galinha tem força n'aza,
O galo no esporão,
Procópio no candomblé,
Pedrito é no facão"
            
Porém, mantendo a ligação religiosa e também por conquistar a simpatia de pessoas da alta sociedade, a capoeira e outras manifestações culturais negras sobreviveram às perseguições.

            Samuel "Querido de Deus", Siri de Mangue, Maré, Waldemar da Paixão, Besouro, Bimba e Pastinha são nomes de alguns antigos capoeiras baianos famosos, sendo que aos três últimos, a comunidade capoeirística e a literatura reservam diversos e extensos registros. Na verdade, na Bahia existiram e ainda existem inúmeros capoeiras de grande valor e aclamados pela sociedade como mestres, sendo impossível reservar à apenas alguns, o mérito da trajetória vitoriosa da capoeira baiana.

            Hoje em dia, a capoeira que vemos conquistando o mundo é o legado, ou como alguns gostam de classificar, a evolução da capoeira baiana do passado. Sempre com a presença de seus instrumentos musicais, cantos e rituais. E correndo ao lado das discussões sobre estilos contemporâneos, segue a capoeira encantando o mundo, pronta para superar os obstáculos que vierem pela frente.

Pernambuco

            A capoeira em Pernambuco também se iniciou com os negros escravos ou forros. Porém, enquanto na Bahia existia o caráter lúdico e no Rio o clima de briga e as maltas, em Recife, o capoeira estava ligado principalmente às bandas de música e desfiles carnavalescos. A partir de 1856, durante os desfiles, devido à grande rivalidade existente entre as duas bandas locais, o grande trunfo da disputa era conseguir furar o bumbo da banda rival. Para isso, e também como proteção dos seus próprios instrumentos, as bandas desfilavam no carnaval pernambucano, protegidas pela agilidade, valentia e também pelos cacetes (pequenos porretes) e facas dos capoeiras, que desafiavam os oponentes cantando:

Cresceu, caiu.
Partiu, morreu.
            
            Também em Pernambuco apareceram vários capoeiras e valentões famosos, os brabos como eram conhecidos. Nomes como Antônio Padeiro, João Sabe Tudo, Jovino dos Coelhos, Antônio Tutano, João Cale eram sinônimos de arruaça e brigas. Destaque especial para Nascimento Grande, descrito como um homem de porte físico avantajado, grande força e com enorme habilidade no manejo da bengala, punhal e em até em casos extremos, a pistola. Suas histórias de valentia são famosas, onde se utilizava dos braços e pernas (capoeira) para derrubar grupos inteiros de soldados de polícia.
            
            O fim dos brabos recifenses aconteceu mais ou menos em 1912. De Pernambuco também foram enviadas dezenas de capoeiras para a Guerra do Paraguai. E da mesma forma que os capoeiras cariocas e baianos, muitos por lá ficaram depois de lutar bravamente. Assim era a capoeira pernambucana até as primeiras décadas do século XX, e desde então as valentias e as famosas histórias dos capoeiras seguem imortalizadas pela poesia de cordel. Para ilustrar esse fato, transcrevo a estrofe final de um cordel de João Martins de Ataíde.
  
"Nascimento ficou velho,
seu cabelo embranqueceu
mas no seu rosto enrugado
um homem nunca bateu.
Sendo assim tão iracundo,
com honras viveu no mundo
e honrado também morreu." 

            O fim da capoeira de Pernambuco coincide com o nascimento do passo ou frevo (o passo é a dança e o frevo, a música), que segundo pesquisadores é o legado da capoeira daquelas bandas. Além da agilidade e expressão corporal, o pequeno guarda-chuva, que hoje o folião do frevo maneja com habilidade, seria uma lembrança do antigo cacete, tão utilizado nas brigas do passado.

            Mas a capoeira pernambucana do modo contado acima também não existe mais. Segue em Pernambuco, assim como aconteceu no Rio de Janeiro, a capoeira de origem baiana, com seus rituais e instrumentos musicais próprios. É claro que hoje em dia, em cada estado a capoeira se apresenta com alguns aspectos específicos da região, decorrentes do dinamismo e da própria evolução da vida.

            Mas o que existe de especial nos rituais da capoeira lúdica? Por que apenas a capoeira baiana conseguiu sobreviver às perseguições e ao tempo? O que a musicalidade da capoeira nos ensina?

Sagu / São Carlos - 16/11/2004

Fontes consultadas:

  1. Francisco Pereira da Silva. "Itinerários da capoeira". Ed. Monsanto.
  2. Inezil Penna Marinho. "Subsídios para o estudo da metodologia do treinamento da capoeira". Imprensa Nacional, 1945.
  3. André Luiz Lacé Lopes. "A Capoeiragem no Rio de Janeiro: Sinhozinho e Rudolf Hermany". Ed. Europa. 2002.
  4. Waldeloir Rego. "Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico". Ed. Itapoan, Salvador, 1968.
  5. Nestor Capoeira. "Os fundamentos da malícia". Ed. Record. 8a edição, 2001.
  6. Jangada Brasil. http://www.jangadabrasil.com.br.
  7. Manuel Raimundo Querino. "A Bahia de outrora". 1916.
  8. José Alexandre Melo Morais Filho. "Festas e tradições populares no Brasil". 1946.
  9. Ângela Lühning. "Mito e realidade da perseguição policial ao candomblé baiano entre 1920 e 1942". Revista USP n°28, dez/95 a fevereiro/96.
  10. Valdemar.Valente. Pastoril no Recife. Brasil açucareiro, agosto de 1969.
  11. Jornal do Capoeira. http://www.capoeira.jex.com.br.
 
Autor: Raphael Pereira Moreno

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Tutorial - Macaco

Como eu faço esse maldito floreio? Já sei, vou falar com o Psico!!!
Vou indicar um tutorial feito pelo grande companheiro Alfredo Bermúdez, quem conhece o cara sabe que ele é fera e conhece muito bem a respeito do que está falando, e também espero que ele faça muito mais tutoriais legais como este. E é sempre bom ver um material de qualidade postado por pessoas que a gente conhece em pessoa e sabe do caráter e profissionalismo. E não esqueçam de visitar o blog do cara que está muito bacana e com um conteúdo bem variado que pode contentar a muita gente. Valeu Camará!!!

Ficou curioso? Acessa-lá Camará!!!

"Esse é o primeiro vídeo de tutoriais. O movimento é o macaco, uma das acrobacias mais tradicionais da capoeira. Alguns momentos me enrolei um pouco para falar, mas acho que dá pra entender! Hehehehehe!! Quem ficar com alguma dúvida é só comentar que respondo!

Abração galera, fiquem com Deus!"

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A capoeira como esporte e outras conquistas

O presidente Lula sancionou, na última terça-feira, dia 20, o Estatuto da Igualdade Racial.

Entre outros pontos, o estatuto reconhece a capoeira como esporte, torna obrigatória a disciplina História da África e o Negro no Brasil no Ensino Médio e Fundamental e proíbe exigências que se refiram a aspectos étnicos para vagas de empregos.

Na semana anterior, no dia 13, o presidente já havia sancionado a Lei 12.287, de autoria do deputado federal Eduardo Gomes (PSDB-TO), que possibilita o ensino da arte e cultura regionais na educação básica.

Batizada de "José Gomes Sobrinho" em homenagem ao poeta, músico, escritor e defensor da cultura regional em Tocantins, a Lei deve reforçar a ligação do povo com sua cultura, levando para a sala de aula informações sobre manifestações culturais brasileiras como o frevo, a capoeira, folia de reis e o carnaval.

Embora o texto final do Estatuto da Igualdade Racial tenha causado insatisfação dentro do Movimento Negro, vejo com bons olhos as aprovações e acredito que, ao menos na educação, as duas aprovações juntas devem trazer mudanças significativas.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

CD O Canto da Mulher na Capoeira

Fruto da união das capoeiristas da ABADÁ-Capoeira durante o Encontro Feminino acontecido no mês de Maio, este CD começou a tomar forma no momento em que o canto e a energia da amizade, da compreensão e do companherismo se fundiram de tal forma, que inspiraram nosso Mestre a registrar este momento! Convidando a todos que participem deste projeto! Homens e mulheres, todos capoeiristas em prol desta arte.


Gostaríamos de convidá-la(o) a participar desta gravação que irá se realizar no dia 24 de julho de 2010, em estúdio na cidade do Rio de Janeiro. Sua presença é essencial para que este projeto seja mais um momento marcante na história da ABADÁ-Capoeira.

Estamos na reta final de produção do CD O Canto da Mulher na Capoeira, mais uma grande vitória para a Capoeira! Um cd produzido por mulheres capoeiristas, mães, professoras, alunas, acima de tudo mulheres! Parabéns e força para continuarmos em nossos caminhos com a mesma determinação que hoje nos une em torno deste projeto.

PROGRAMAÇÃO

QUARTA-FEIRA 21/07 - 19HS CIEP- HUMAITÁ.
Ensaio e último encontro antes do estúdio. O Boa voz está nos ajudando muito no arranjo e estará lá!

SÁBADO 24/07 - 9HS - ESTÚDIO
AS MENINAS QUE IRÃO CANTAR DEVEM ENVIAR A LETRA DAS MÚSICAS, O CORO PRECISA DAS LETRAS.

IMPORTANTE: Os CDs serão comercializados da seguinte forma:
Encomendas - caixas com dez unidades e valor de R$20,00 a unidade, revertido para a produção do CD;
Após, o lançamento o valor será de R$30,00, revertido para o CEMB;

Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil

Fonte: Abadá-Capoeira Blog Oficial

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Berimbau Elétrico/Eletrônico (Protótipo)

Aparelho sonoro construído em madeira, corda de aço, circuitos eletrônicos, pedaleira de efeitos e amplificador.

O Berimbau Elétrico é um aparelho sonoro que possui internamente uma pedaleira de efeitos. Possui por exemplo overdrive, delay, reverb entre outros. É um monocórdio e possui um botão no braço que quando apertado aciona uma alavanca que encosta na corda produzindo assim um tom acima em relação a corda solta.

Foi apresentado em 2007 e em 2008 na exposição "Os Trópicos" com curadoria de Alfons Hug.



Este Instrumento está disponível para venda por R$ 2.250,00. Apenas sob encomenda. Caso tenha interesse envie email para paulonenflidio@yahoo.com.br

O Berimbau Eletrônico é um instrumento inventado por Paulo Nenflidio que possui internamente um efeito de wah-wah embutido. Um circuito eletrônico sensor de proximidade aciona o efeito de wah-wah quando aproximado do corpo resultando num som semelhante ao da cabaça do berimbau tradicional. Possui controle de volume e tom. O cabo conectado no instrumento (XLR) possui três vias: o terra, a alimentação do circuito e o sinal. Este cabo é conectado numa caixa de distribuição que interliga o instrumento à fonte e a saída. Na saída (P10) pode ser plugado um pedal de efeitos, um mixer ou um amplificador. O vídeo faz uma demonstração do som original sem efeitos externos, uma demonstração com distorção e uma demonstração com distorção + reverb. O toque é baseado no Hino da Capoeira Regional da Bahia tocado pelo Mestre Bimba no filme "Dança de Guerra" dirigido por Jair Moura (1968).



Deixem suas opiniões nos comentários...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Berimbau Africano

Madosini Manqina - Rainha da Ponoland Music na Africa do Sul.

Madosini, da vila de Langa que fora dos limites de Cape Town na Africa do Sul , é uma professora contadora de histórias, compositora e musicista.

Lidando com audiências e tradições passadas de geração em geração, Madosini foi filmada aqui tocando o Uhadi e Umrhubhe - Rhodes Memorial Setembro de 2005.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Maracatu: A coroação dos Reis

Por: Haroldo Oliveira

Em 1974, após anos a frente do teatro popular brasileiro, com o qual viajou o mundo levando o maracatu do recife, vem a falecer o poeta Solano Trindade. No ano seguinte, Raquel Trindade, filha do poeta, funda a companhia “ teatro popular Solano Trindade”, baseando-se na seguinte frase deixada por ele: “ pesquisar na fonte de origem e devolver ao povo em forma de arte” . a companhia desenvolve pesquisas e realiza trabalhos sobre danças brasileiras, dentre elas o Maracatu, que é uma dança dramática de origem banto e mostra a coroação dos Reis e rainhas negras desde 1674. O cortejo saia da senzala até o paço das igrejas, com os Capoeiristas abrindo o caminho.

O séquito é composto por Estandartes, que antigamente era uma figura masculina, e agora é composta por Damas das Bandeiras; o Embamba, que é o Sacerdote, o Feiticeiro; o Primeiro Ministro; as Damas da Coroa, que levam as coroas para a cerimônia; as Damas das Flores; Princesas Africanas, Européias, e as Baianas; a Dama do Passo, esta tem um papel importante, pois carrega a Boneca Calunga, Janaina ou Iemanjá que simboliza o mar, e a travessia África – Brasil. Os instrumentos usados são: surdos, zabumbas, agogôs, cuícas e caixas.

Antes da abolição, os índios seguiam o cortejo do maracatu. Hoje a figura indígena está no maracatu rural” O ritmo possui três variações, sendo que, cada Nação tem um toque diferente, enquanto os negros estão no Maracatu Urbano. O teatro popular Solano Trindade apresenta um Maracatu Folclórico na dança e no ritmo; os cantos são compostos por Abigail Moura, Capiba, Vitor Trindade (neto de Solano Trindade), e alguns são de domínio público. Os Maracatu mais conhecidos no Recife são: “ Maracatu Nação Elefante” ,” Maracatu Leão Coroado” , ‘ Maracau Estrela Brilhante, e o que atualmente tem viajado muito, inclusive bastante conhecido no sudeste, que é o “ Maracatu Nação Pernambuco”.

Solano Trindade, cuja tradição familiar já acompanha o Maracatu há quatro gerações, trouxe o primeiro Maracatu diretamente para o Embu, em São Paulo, após uma viagem que realizou com sua companhia, o “Teatro Popular Brasileiro”, ao Leste Europeu. Logo depois, as irmãs Ibeji montaram uma maravilhosa Nação, a “ Capital Paulista’ . A rainha mais famosa do maracatu foi dona Santa.
O cortejo era feito no Natal, mas depois da Abolição a Igreja Católica proibiu a comemoração nessa data, e as comemorações passaram a ser feitas junto com o carnaval.

Na época da escravidão, os senhores davam a roupa que não usavam mais para que os escravos coroassem seus reis dançando o maracatu. Com esse gesto, acreditavam estar pura e simplesmente alienando os negros, visto que as Nações competiriam entre si, e isso dificultaria o planejamento de fugas para os quilombos, mas essas fugas eram combinadas junto aos Capoeiras.

Victor Trindade, músico, ogâm e Capoeira de Angola, filho de Raquel e neto do poeta, cuida da parte rítmica do Maracatu. Os ritimistas são do Teatro Popular Solano Trindade e da Academia de Capoeira Quilombo do Jardim Irene. Todos os dados sobre danças de origem banto, inclusive o Maracatu, estão no livro que Raquel Trindade escreveu, chamado: “ Urucungos, Puítas, e Quijêngues” três instrumentos banto.
Raquel Trindade é Artista plástica, coreógrafa, folclorista e lalorixá.

Fonte: Rabo de Arraia

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Berimbau Blues

Para ver que a arte da capoeira não tem limites! Um solo de Blues com um Berimbau, segue aí o Berimbau Blues:


segunda-feira, 12 de julho de 2010

IPHAN: Chamada Pública de currículos para o Pró-Capoeira

IPHAN: Programa Pró-Capoeira


Chamada Pública de currículos para o Pró-Capoeira

Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 21 de outubro de 2008 registrou o Ofício de Mestres e a Roda de Capoeira como patrimônio cultural nacional. Em 22 de julho de 2009, foi instituído Grupo de Trabalho Pró-Capoeira (GTPC) através da Portaria nº 48. Este grupo é formado por representantes de unidades do Ministério da cultura e tem a finalidade de estruturar as bases do Programa Nacional de Salvaguarda e Incentivo à capoeira (Programa Pró-Capoeira).

Entre as metas Programa temos a implantação do Cadastro Nacional da capoeira e a realização de três encontros de mestres e capoeiristas nas diferentes regiões do país. Estes encontros visam promover a sistematização de demandas do campo e o planejamento estratégico das ações de salvaguarda e incentivo à prática da capoeira. Para fazer a gestão administrativa dessas ações, foi realizado um concurso de Oscips, sendo selecionada a Oscip Centro Cultural Internacional- Intercult-BSB.

Neste momento se faz necessária a contratação de dez consultores especialistas em capoeira, sendo dois por região. Os consultores se responsabilizarão pela identificação de pessoas que sejam referências e que tenham representatividade para participar dos encontros; pela relatoria e consolidação dos resultados dos encontros; pela coordenação dos debates, mesas e grupos de trabalho; pela elaboração de textos e documentos referenciais. Nesse sentido, o GTPC e a Oscip Intercult estão fazendo uma chamada de currículos para o seguinte perfil:

- Nível superior em qualquer área com experiência comprovada em pesquisa no campo da capoeira.

Os interessados deverão enviar o CV preenchido conforme modelo anexo, até o dia 10/07/2010 aos e-mails salvaguarda@iphan.gov.br, capoeira@cultura.gov.br e centroculturalintercult@gmail.com, indicando no título da mensagem o perfil “Consultor de Capoeira” e região na qual atua como especialista. Serão desconsiderados os CVs remetidos após a data limite indicada neste edital.

Para concretização da contratação, os candidatos selecionados deverão entregar documentação comprobatória das informações declaradas no currículo (clique aqui para baixar o currículo).

Observamos que, em atenção às disposições do decreto nº 5.151, de 22/07/2004, é vedada a contratação de servidores ativos da Administração Pública Federal, Estadual, do Distrito Federal ou Municipal, direta ou indireta, bem como de empregados de suas subsidiárias ou controladas.

(Coordenação Geral de Salvaguarda - IPHAN)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Gangues do Rio: Capoeira era reprimida no Brasil


No início do século 19, grupos de capoeiristas usavam as ruas cariocas para exibir suas habilidades e resolver as diferenças. Enquanto a polícia reprimia os lutadores, a elite temia uma revolta dos escravos.


por Antônio Neto

O escravo Felipe Angola caminhava sozinho pelas vielas do Rio de Janeiro. Naquele 10 de setembro de 1810, estava longe dos olhos do seu senhor, o comerciante Francisco José Alves, mas era observado de perto. De repente, foi surpreendido por uma patrulha da Guarda Real.

Emboscado, tentou uma manobra que dominava: atacou os guardas com um movimento de pernas. Sua habilidade e força não bastaram para conter os três policiais, que o levaram preso.
Felipe se tornou o primeiro escravo a ir para trás das grades no Rio de Janeiro por ser capoeirista. A arte marcial (ainda) não era um crime. Só o suficiente para transformar seus adeptos em criminosos em potencial, para uma polícia que agia à revelia da lei.
Praticada por negros de diversas origens africanas, a capoeira não era proibida no início do século 19. A elite carioca, entretanto, se sentia ameaçada pela presença marcante dos capoeiristas (ou "capoeiras") nas ruas.
Enquanto as gangues de lutadores usavam sua arte marcial para disputar território e se defender da polícia, os brancos assistiam a essa agitação temendo que os escravos resolvessem se rebelar para valer. Esse medo tinha sido potencializado pelas notícias da revolta ocorrida no Haiti em 1791. Na ilha caribenha, os escravos tinham abandonado as plantações de cana, destruído engenhos e massacrado proprietários de terra e colonizadores franceses.
Entre os cariocas, a proporção de escravos não parava de aumentar. Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Rio fugindo dos exércitos de Napoleão, houve uma explosão demográfica na cidade.
Os mais de 15 mil portugueses que deixaram Lisboa para acompanhar o rei Dom João VI fizeram crescer a demanda por cativos. Em 1821, os escravos eram 46 mil, metade da população do Rio.
Nas freguesias onde viviam, muitas vezes isoladas pela geografia carioca, os capoeiras passaram a se reunir em "maltas". Essas gangues, formadas por negros africanos e brasileiros, escravos e alforriados, quando se encontravam lutavam até sangrar.

"As maltas viviam uma rivalidade crônica, o que era esperado em uma sociedade regida pela violência, e não pela harmonia entre as raças", diz o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, autor de A Capoeira Escrava e Outras Tradições Rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850). Graças aos arquivos policiais que documentavam as prisões dos capoeiras, historiadores como Soares reconstituíram o que ocorria nas ruas daquela época.
Os registros da polícia também ajudaram a entender o nascimento da arte marcial. Como a maioria dos escravos brasileiros ficava na zona rural, durante muito tempo chegou-se a acreditar que a capoeira teria nascido nas senzalas ou quilombos. “A capoeira aparece nos documentos do século 19 como hegemonicamente urbana”, afirma Soares, que considera o Rio como um dos berços dessa luta, no século 17. Nos documentos históricos em que Soares fez sua pesquisa, há apenas um caso em que a palavra “capoeira” é mencionada sem se referir à luta. Esse era o nome de um tipo de cesto de palha usado pelos escravos para carregar as mercadorias na zona portuária do Rio. Esses estivadores negros foram os primeiros a exibir as técnicas da arte marcial, competindo entre si nas praias para ver quem era o mais hábil. O nome “capoeira” teria passado dos cestos para os escravos e para seus movimentos de ataque e defesa.
Quando saiu das praias, a capoeira deixou de ser apenas diversão e passou a arma de combate. As disputas se espalharam pelas ruas que hoje formam o centro histórico da cidade. Os escravos eram obrigados a cruzar a cidade para realizar suas tarefas diárias, e as brigas entre os capoeiras costumavam ocorrer quando rivais se encontravam ao longo do caminho.
A maioria dos escravos urbanos tinha como rotina fazer compras em armazéns e quitandas, livrar-se do lixo e, principalmente, trazer água limpa para uso doméstico. “Não havia água encanada e era preciso buscá-la todos os dias. Assim para manter seu domínio informal, escravos de uma determinada área tendiam a repelir cativos de outros lugares”, diz Soares. As fontes da cidade estavam sempre rodeadas de gente. O maior reservatório público ficava no largo da Carioca. Seu chafariz, construído em 1723 (e demolido em 1925), assistiu a exibições dos capoeiras.
A ausência de leis que proibissem a capoeira não impediu que os castigos contra seus praticantes se tornassem cada vez mais severos, principalmente após a chegada da família real portuguesa. Para as autoridades, qualquer manifestação cultural dos negros passou a ser mal vista. A capoeira era alvo das patrulhas mesmo quando não provocava desordem. Em 31 de maio de 1815, por exemplo, dez escravos de uma mesma malta foram presos pela Guarda Real sob a alegação de que estavam praticando "capoeiragem".

Chibatadas e servidão
A prisão foi apenas a primeira punição para os capoeiras. Mas ela passou a ser acrescida de castigos corporais. Um edital oficial de 6 de dezembro de 1817 estabeleceu a pena de 300 chibatadas aos praticantes da arte presos em flagrante. Em abril de 1821, o intendente geral de polícia, Paulo Fernandes Viana, recomendou ao governo que as festas de negros (palco de prática de capoeira) fossem banidas.
No Brasil de Dom Pedro I, os capoeiras detidos pela polícia do Rio de Janeiro ganharam um destino certo: os trabalhos forçados, que haviam se tornado comuns no fim da colônia, combinados às chibatadas. Em agosto de 1824, começou a ser erguido um dique para o conserto de grandes navios na ilha das Cobras, próxima à orla carioca (a construção só ficaria pronta em 1861). A necessidade de mão-de-obra fez com que muitos dos capoeiras presos no Arsenal da Marinha (então a maior casa de detenção do Rio) fossem obrigados a trabalhar lá. Seus senhores ficavam indignados. Não necessariamente por razões humanitárias - os cativos eram vistos como propriedades caras que não deviam se desgastar trabalhando de graça para o Estado.
O africano Francisco Congo foi um dos que receberam a pena de três meses de trabalhos forçados no dique da ilha das Cobras. Às 5 da tarde de 29 de setembro de 1824, ele foi preso com outros três escravos por praticar capoeira no cruzamento das ruas do Sabão e da Vala (atual rua Uruguaiana, no centro do Rio). O senhor de Francisco, Domingos José Fontes, apelou ao imperador para que tivesse seu escravo devolvido. Alegou que o cativo lhe servia há mais de dez anos. Ao pedido escrito, Fontes anexou uma certidão médica dizendo que Francisco não podia com trabalhos pesados. Lamentou em vão a falta do escravo, que seguiu à disposição do Arsenal da Marinha e ainda recebeu 200 açoites, conforme estipulado por uma nova lei daquele ano.
Em poucos anos de Império, a arbitrariedade na aplicação das penas aos capoeiras parecia sem limite. O forro Manoel Crioulo, por exemplo, foi sentenciado a dois anos de trabalhos em obras públicas e mandado ao Arsenal da Marinha em 14 de maio de 1827, por ter dado "uma bofetada de mão aberta". Mas, mesmo sendo considerados marginais e desordeiros pelo Estado, os capoeiras acabaram sendo solicitados para, quem diria, manter a ordem. Em junho de 1828, as tropas estrangeiras do Exército Imperial, formadas principalmente por irlandeses e alemães, ameaçaram um levante militar por conta do atraso no pagamento de seus soldos. Armados, com o apoio das autoridades, escravos e capoeiras formaram milícias e conseguiram conter a agitação dos mercenários amotinados. Foi uma demonstração de poder e tanto.

Guerra nas ruas
O ano de 1831 foi marcado pela oposição dos liberais ao reinado de Dom Pedro I. Eles acusavam o imperador de discriminar os brasileiros e cometer abusos. Em contrapartida, portugueses defendiam a manutenção do monarca e de antigos privilégios. Os ânimos andavam exaltados.
Em 11 de março os portugueses enfeitaram janelas e sacadas de suas casas e comércios na região da Candelária. Saudavam o imperador, que chegava de uma viagem a Minas Gerais. Quando passeava pela rua da Quitanda, o sapateiro negro José Antônio foi insultado por um grupo de lusos. Eles exigiam que ele e suas duas acompanhantes tirassem do braço os laços que ostentavam, com as cores da pátria brasileira. Os três se recusaram e se queixaram à polícia sobre a agressão. A partir daquele momento, o acirramento entre portugueses e brasileiros entrou numa escalada sem volta.
Durante o dia 13, enquanto militares se insurgiam contra o "imperador tirânico", um grupo de negros armados de paus ocupou as ruas ao redor do largo da Carioca bradando "constituição" e "independência". Os monarquistas saíram a campo com o apoio de marinheiros e caixeiros portugueses. Xingamentos deram lugar a pedras, cacos e garrafas. Capoeiras distribuíam golpes certeiros enquanto os brancos se defendiam como podiam. Foram feitos disparos de pistolas e pelo menos dois negros caíram mortos. A multidão se dispersou, temporariamente.
O temporal que caiu sobre a cidade naquela noite acalmou os ânimos, mas os conflitos seguiram. Já era madrugada do dia 15 quando uma patrulha da polícia evitou que mais de mil homens armados se digladiassem em pleno Paço Imperial. A sorte de Dom Pedro, contudo, foi selada por esses episódios, conhecidos como "as noites das garrafadas". A elite brasileira e o Exército seguiram pressionando por mudanças no regime, até que, em 7 de abril de 1831, o monarca abriu mão do trono em favor do filho de 5 anos. Como o menino era jovem demais, os liberais assumiram o governo, no período chamado Regência.
O apoio dado pelos capoeiras à queda do imperador, entretanto, não garantiu a eles nenhum privilégio. Pelo contrário: o sucesso de sua atuação nos conflitos de rua acabou sendo interpretado pela elite como uma ameaça. Afinal, se voltassem a agir juntas, as gangues de escravos do Rio representariam um sério perigo para os senhores. Dessa forma, os primeiros anos do período regencial foram marcados pela expectativa de um levante da chamada "gente preta".
O temor acabou se traduzindo em repressão. Mas a Polícia da Corte não fez uso só da força. Com táticas de espionagem e delação, ela sufocou uma a uma todas as agitações promovidas sob a liderança dos capoeiras. A pior ocorreu em 1835, com a repercussão da Revolta dos Malês, iniciada em 25 de janeiro, em Salvador. Contida na Bahia em dois dias, a insurreição acabou não chegando ao Rio. Os poucos negros que tentaram insuflá-la foram detidos. Nos anos posteriores, as gangues não conseguiram atuar de forma coesa. Isoladas, eram presas fáceis para as autoridades e não tinham força para articular um movimento que exigisse direitos e liberdade. "Os cativos não representavam um grupo social coeso. A população escrava brasileira era fragmentada", afirma o historiador Soares. "Se aqui tivesse havido uma suposta unidade racial, pensamento só vigorante a partir do fim do século 19, a escravidão teria sido eliminada em dias, como ocorreu no Haiti."
Nem mesmo a abolição da escravidão e a proclamação da República serviram para acabar com a repressão contra os capoeiras. Em 11 de outubro de 1890, foi promulgado o código penal do novo regime. Em seu artigo 402, ficou estabelecida uma pena de dois a seis meses de prisão para quem praticasse a arte marcial nas ruas. Para os chefes das maltas, essa punição seria aplicada em dobro, enquanto os reincidentes poderiam ficar presos por até três anos. A capoeira, finalmente, havia se tornado crime, para o alívio da elite que vivera amedrontada por quase um século.

Fonte: Revista Abril

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A importância da Nutrição na Capoeira

Olá capoeiristas!

A nutrição tem um papel fundamental no desempenho do atleta de qualquer modalidade desportiva, principalmente o da capoeira. O bom hábito alimentar deve fazer parte do dia-a-dia do capoeirista, merecendo uma atenção especial de todos os desportistas.
Mas o que é ter um bom hábito alimentar? Ter um bom hábito alimentar significa, entre outras coisas, fazer em média 5 a 6 refeições por dia, sendo 3 refeições principias (café da manhã, almoço e jantar) e as outras denominadas lanches. Geralmente as pessoas acham que dessa forma vão comer muito e, consequentemente, engordar!!! Isto não vai acontecer, se levarem em consideração que o ideal é comer menores quantidades de alimento em um número maior de refeições, distribuindo os alimentos de forma equilibrada ao longo do dia. Nas três refeições principais devem predominar os alimentos que sejam fonte de carbo-hidratos (arroz, feijão, pão) um alimento fonte de proteína (carnes em geral, ovos, peixe, leite, queijos) e alimentos fonte de vitaminas e sais minerais (verduras, legumes e frutas).
E os alimentos fonte de gorduras, não devemos comer? Sim, mas com cautela - as gorduras, devem ser consumidas em pequenas quantidades, dando se preferência as de origens vegetal.
Os lanches feitos corretamente mantêm o nosso organismo em equilíbrio energético. Neles podemos comer desde de uma fruta apenas até um alimento mais substancial, acompanhado de um copo de suco. Adote e pratique as nossas informações e observe como o seu desempenho na capoeira vai melhorar bastante.

Mariana Klopfer e Valeria Rangel (Nutricionistas)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Fratura por estresse: Evite!!!

PRESTEM A DEVIDA ATENÇÃO NESTE RELATO DA SENHORITA NEILA DO BLOG CAPOEIRA DE VÊNUS...

Quando o assunto é saúde no esporte sempre se fala em conhecer e respeitar os limites do corpo. Mas será que a gente faz isso?

Afinal, se para evoluir sempre temos que ir um pouco além, será que é mesmo ruim forçar mais um pouco, mais outro pouco e só mais um pouquinho, na tentativa de evoluir mais rápido?

Quantas vezes acreditamos que os problemas não vão acontecer com a gente? E quantos problemas parecem que, na prática, nem existem?

É por isso que hoje, falando de fratura por estresse, vou ir além de dizer o que é, como ocorre e como evitar, e vou contar a minha história.

Minhas "costelas de vidro"

Em 2004, eu era o que se chama de atleta de fim de semana. Trabalhava durante o dia e estudava à noite, e me dedicava à capoeira aos sábados e domingos.

Em um período em que eu estava com uma tosse daquelas comecei a sentir dores nas costelas quando tossia e quando treinava.

Fui ao médico, que perguntou se eu tinha caído, levado alguma pancada e, diante das respostas negativas, ele não achou necessário solicitar um raio x, me deu uma explicação que já nem me lembro e me dispensou.

Faltei uns dias na capoeira, mas logo voltei. Treinava alguns dias sentindo dores leves, em outros a dor apertava e eu parava, faltava mais uma semana e logo estava de volta pra me dedicar mais um pouco.

Fui aguentando a dor, treinando quando conseguia, faltando quando não aguentava, até que não deu mais. Voltei ao médico, que veio com o mesmo papo de que não era nada, que se eu não apanhei, se eu não caí, não levei nenhuma pancada, era impossível eu ter quebrado a costela tossindo.

Mas considerando que as dores já estavam persistindo por quatro meses (isso mesmo, quatro meses!), o médico pediu o raio X e descobriu que eu estava com duas costelas quebradas.

Ele sabia que eu treinava capoeira, mas mesmo assim considerou absurdo eu ter quebrado as costelas sem nenhuma pancada forte.

Lembro até hoje do olhar dele e das perguntas que me fez. Sei que ficou desconfiado que eu tivesse apanhado do meu pai ou namorado, e que não queria falar. Naquele tempo eu já tinha ouvido falar em fratura por estresse, mas parece que o médico não, o que é lamentável.

Mas o que é a fratura por estresse?

São fraturas que ocorrem em consequência do desgaste ósseo causado pela sobrecarga de exercícios físicos, sem descanso adequado. Ocorrem em diversos ossos, mas são mais comuns nos membros inferiores.

Os impactos, normalmente absorvidos pelos músculos, são transferidos para os ossos quando os músculos estão fadigados e as forças de compressão, tensão ou rotação, aplicadas repetidamente sobre o mesmo local, acabam promovendo microfraturas, que evoluem para fraturas maiores.

O problema atinge principalmente quem não têm um bom preparo físico, como pessoas que estão iniciando uma atividade física, ou atletas de fim de semana, como era meu caso.

Algumas dicas para prevenção:

* Lembre-se que os resultados devem ser alcançados aos poucos e aumente gradativamente a intensidade e o volume dos exercícios;

* Intercale movimentos e exercícios diferentes para não sobrecarregar um único grupo muscular;

* Faça pausas entre as sessões de exercícios;

* Preste atenção no seu corpo e respeite seus limites;

* Nunca treine sentindo dor, procure um médico.

Referências:

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