sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ParanaUÊ, ParanaÊ, ParanaLÊ, afinal de contas qual é o correto?

Paraná significa "semelhante ao mar" ou "rio" na língua tupi.  A canção Paranauê (Paranauê, Paranauê, Paraná...), por exemplo, alude à liberdade que os escravos encontrariam para além do Rio Paraná, que está situado atualmente no território de Mato Grosso do Sul, onde não seriam perseguidos e caçados por capangas, feitores ou bandeirantes. Sendo assim, é uma homenagem ao Rio Paraná, já que este daria liberdade aos escravos que nele navegassem, uma esperança de liberdade. Então, os paranauê, seriam os refugiados além do Paraná. "Auê" seria uma espécie de saudação como, "Salve!". Assim creio que é mais uma homenagem ao Paraná (Rio). Em espanhol "río". Talvez existam músicas folclóricas em espanhol que incluam alguma terminação com "auê" (ou de origem indígena). A canção seria literalmente traduzida como: "Salve o Rio, Salve o Rio, Paraná". Paranauê não é uma palavra só, a canção "Paranauê" (nome da canção), fala sobre a liberdade que os escravos encontrariam além do Rio Paraná.

Fonte: Internet

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A Guerra do Paraguai

Em 1865 o Brasil, junto com a Argentina e o Uruguai, declarou guerra ao Paraguai. O exército brasileiro formou seus batalhões e, dentro destes, um imenso número de capoeiras. Muitos foram "recrutados" nas prisões; outros foram agarrados à força nas ruas do Rio e das outras províncias; aos escravos, foi prometida a liberdade no final do conflito.
Na própria marinha, o ramo mais aristocrático das Forças Armadas, destacou-se a presença dos capoeiras. Não entre a elite do oficialato, mas entre a "ralé" da marujada.

Marcílio Dias (o herói da Batalha do Riachuelo, embarcado no "Parnahyba") era rio-grandense e foi recrutado quando capoeirava à frente de uma banda de música. Sua mãe, uma velhinha alquebrada, rogou que não levassem seu filho; foi embalde, Marcílio partiu para a guerra e morreu legando um exemplo e seu nome. (Correio Paulistano, 17/6/1890)

Os capoeiras do Batalhão de Zuavos, especialistas em tomar as trincheiras inimigas na base da arma branca, fizeram misérias na Guerra do Paraguai.

Manuel Querino descreve-nos "o brilhante feito d'armas" levado a efeito pelas companhias de "Zuavos Baianos" no assalto ao forte Curuzu, quando os paraguaios foram debandados. Destacam-se dois capoeiras nos combates corpo-a-corpo: o alferes Cezario Alves da Costa - posteriormente condecorado com o hábito da Ordem do Cruzeiro pelo marechal Conde d'Eu -, e o alferes Antonio Francisco de Melo, também tripulante da já citada corveta "Parnahyba" que, entretanto, teve sua promoção retardada devido ao seu comportamento, observado pelo comandante de corpos: "O cadete Melo usava calça fofa, boné ou chapéu à banda pimpão e não dispensava o jeito arrevesado dos entendidos em mandinga". (REIS, L.V.S. Op.cit., 1997, p.55)

O 31º de Voluntários da Pátria - policiais da Corte do Rio de Janeiro com grande percentagem de capoeiras - também se destacou na batalha de Itororó: esgotadas as munições, "investiu contra os paraguaios com golpes de sabre e capoeiragem" (COSTA, Nelson in SOARES, op.cit., 1944, p.258).
Devido a estas ações de bravura e temeridade, começou a surgir dentro do Exército e da Marinha, de maneira velada e não-explícita, o mito que o capoeira seria o "guerreiro brasileiro".
Cinco anos depois, 1870, os sobreviventes da Guerra do Paraguai voltaram, agora transformados em "heróis", e flanavam soltos pelas ruas do Rio. Muitos engrossaram as fileiras das maltas cariocas e, não raro, pertenciam também à força policial.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Portugal deve pagar indenizações pela escravatura?

O capataz punindo o escravo, numa roça brasileira, retratado pelo francês Jean-Baptiste Debret
"Os países que escravizaram devem compensar os escravizados?" (Gilberto Gil, sugeriu a leitura através da sua página oficial do Facebook)

Os países que escravizaram devem compensar os escravizados? Há quem diga que sim e até aponte um valor para uma indemnização: 30 triliões de dólares vezes 10 mil. Há quem diga que não, porque isso seria voltar à menorização dos colonizados. Antes disso, Portugal deve debater o seu passado esclavagista, dizem historiadores.

Leiam essa interessantíssima postagem na fonte abaixo...

Fonte: Público Portugal

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Estudo Sobre Toques de Berimbau

O berimbau é um instrumento que foi adotado pelos capoeiristas como o principal regente da orquestra da capoeira. Antigamente o atabaque era quem ditava o ritmo. Estamos pesquisando os toques abaixo relacionados procurando associá-los ao jogo correspondente conforme descrição de Mestres, através de literaturas aqui citadas, bem como através de entrevistas.

ANGOLA- Toque lento e cadenciado. Serve para jogo rente ao chão, lento e malicioso (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 03).

BENGUELA- Jogo de dentro com faca - segundo Carybé em citação de Nestor Capoeira no livro: Os fundamentos da Malícia, ed. Record, pág. 119.

SÃO BENTO PEQUENO - Também chamado de "ANGOLA INVERTIDA" - Toque para um jogo amistoso, muito técnico (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 04).

SÃO BENTO GRANDE DE ANGOLA
É o toque específico do jogo de Angola. É um toque que chama para um jogo mais rápido. São Bento grande de Angola, como o próprio nome diz "Grande", sentido que o jogador não jogava baixo e sim mais em pé. Segundo Mestre Brasília: O toque de São Bento Grande de Angola chama para um jogo rápido, solto, mas é Angola. 

SANTA MARIA
Na capoeira, Santa Maria é o toque usado quando o jogador coloca a navalha no pé ou na mão. Um dos toques mais bonitos do berimbau, o tocador precisa desenvolver uma escala de notas e retornar ao começo da escala que da ao ritmo uma característica muito diferente dos demais toques da capoeira, em especial da capoeira regional.

Segue pequeno trecho:



Santa Maria mãe de Deus

Eu cheguei na igreja e me confessei
Santa Maria mãe de Deus
Eu cheguei no altar me ajoelhei

Apanha a laranja no chão tito-tico

Se meu amor for "simbora" não fico...


APANHA LARANJA NO CHÃO TICO-TICO - toque para o jogo de apresentação em que os capoeiristas apanham dinheiro no chão com a boca (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º 02, pág. 07).

AVISO - Toque para denunciar a presença do senhor de engenho, capitão do mato ou capataz (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º. 02, pág. 07). Segundo dizem os capoeiristas mais antigos, servia para avisar os escravos da presença do feitor ou capitão-do-mato (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).

CAVALARIA - toque que imita o trotar do cavalo, avisando que há polícia nas proximidades. Esse toque foi criado por volta de 1920 para avisar a chegada da cavalaria de "Pedrito", um temido delegado de polícia que perseguia os capoeiristas (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º 02, pág. 07). Antigamente servia para avisar aos capoeiristas, da presença da Cavalaria da Guarda Nacional (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).

Capoeira Regional

Os toques de Regional inicialmente eram acompanhados por uma bateria inconstante que se apresentava de acordo com a decisão do Mestre Bimba, podendo conter um, dois ou três berimbaus. Tempos depois por sugestão de Decânio, a charanga resumiu-se a um berimbau e dois pandeiros. 

AMAZONAS - criação de Bimba, era dificílimo de acompanhar tal a riqueza de ritmos, a sutileza das variações melódicas; poucos capoeiristas conseguiam obedecer aos seus comandos, mais raros ainda os que conseguiam executá-lo no berimbau.
Amazonas é um toque festivo para saudar mestres e visitantes. É chamado de hino da capoeira (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 05).

BENGUELINHA - Jogo de dentro, colado, corpo a corpo, treinamento para defesa de arma branca.

BENGUELA - Jogo de dentro, colado, corpo a corpo, treinamento para defesa de arma branca.


Benguela - Toque para jogo compassado, curtido, malicioso e floreado (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 05).

CAVALARIA - Jogo duro, pesado, violento.

IDALINA - jogo alto, solto, manhoso, rico em movimentos.
Idalina - Apresentação de jogo com facas, facões, porretes (Revista Universo Capoeira, ano I, n.º 03, agosto/99).

Idalina - Toque para jogo de navalha (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 03).

IÚNA -Jogo baixo, manhoso, sagaz, ardiloso, coreográfico, exibicionista; retorno ao estado lúdico.

Iúna - Só para formados e mestres com movimentos de balões (Revista Universo Capoeira, ano n.º 03, agosto/99).

SANTA MARIA - Toque simples, porém rápido; permite jogo solto e alto aceitando bastante floreio.

Santa Maria - Jogo com navalhas (Revista Universo Capoeira, ano n.º 03, agosto/99).

SÃO BENTO GRANDE DA REGIONAL - Jogo ao estilo regional: forte, rápido, mais para violência que para exibicionismo; viril sem perder a malícia.

SÃO BENTO PEQUENO DA REGIONAL - São Bento Grande às avessas; um jogo mais suave, corpo a corpo, aceitando mais deslocamentos e malícia.


NOTA: As explicações feitas aqui, dos toques que estão SUBLINHADOS e em ITÁLICO, referentes a Capoeira Regional foram retiradas do livro de Ângelo Decânio: A Herança de Mestre Bimba, págs. 183 e 184.

Outros Toques de Berimbau
Angola Santo Malandreu - Criação de Silvio Acarajé, uma ladainha, uma preparação para o início do jogo de capoeira (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 06).

Angolinha -

Assalva -

Ave-Maria - Toque com início lento, demonstrando equilíbrio e conhecimento da arte (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 08).

Barravento - Toque rápido, bonito e agradável de se ouvir, em que o solista demonstra os infindáveis recursos de repique que há no berimbau. O jogo é solto, muito à vontade; é uma demonstração de alegria (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 08). É apropriado para o desenvolvimento do jogo em ritmo acelerado (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 65, ed. Pallas, RJ, 1997).

Dandara - Criação de Silvio Acarajé em homenagem às mulheres que praticam capoeira. Dandara, de acordo com os registros de Palmares, foi o grande amor de Zumbi, o rei do Quilombo dos Palmares (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 06).

Estandarte -

Gegy - É um toque vigoroso. O jogo da capoeira é em angola, a diferença está no toque do berimbau, no repique, onde predomina a influência do Gegy-Nagô (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 06).

Ijexá -

Jeje (Gegê) -

Jeje-ketu -

Maculelê -

Muzenza - Toque originário do candomblé, criado pelo Mestre Canjiquinha. Na capoeira demonstra-se desprezo pelo adversário (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 08).

Samango (homem preguiçoso) - Criação de Canjiquinha. É lutado de lado, tem a presença de poucos movimentos. Sua característica de manifestação é a chapa giratória, a chapa de lado, rasteira e voo do morcego (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 04).

Samba de Angola - é usado quando se dança o samba de roda ou o samba duro (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).

Samba de roda -

Samba duro -

São Bento Grande Gegê -

Sete de Ouro -

Signo-Salomão (Cinco Salomão) - utilizado para denunciar a presença de estranhos na roda de capoeira (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).

Comentários

Na realização dos toques de berimbau destinados à capoeira é interessante lembrar que não há consenso entre mestres e grupos. Em parte, isso é bom pois mostra a complexidade e sua riqueza, exigindo do capoeirista disposição para o estudo e aprofundamento sobre o assunto. Nestor Capoeira cita, no seu excelente livro "Fundamentos da Malícia, ed. Record", uma preleção de Mestre Morais em 1984 onde alguns toques são apresentados de forma diferente. Os toques de São Bento Pequeno e São Bento Grande por exemplo, são tocados de uma forma que eu, particularmente, desconhecia.
Mestre Bola Sete dá uma explicação diferente (da que eu conheço) sobre os toques de Santa Maria, Amazonas, Idalina, Benguela, e Iúna. Em seu livro Capoeira Angola na Bahia, ed Pallas, pág. 68, ele comenta: "O toque de São Bento inverte o toque de Angola; o toque de Santa Maria inverte o toque de Benguela e o toque de Amazonas (jogo de dentro) inverte o toque de Idalina (jogo de fora). O toque de Iúna deve ser executado apenas pelo berimbau viola".
Longe aqui de querermos determinar o que é certo e o que é errado. Queremos mesmo é refletir sobre a maneira de cada mestre ou grupo executar determinados toques e concluir que esta maneira peculiar de cada um precisa ser preservada. Assim diríamos: o toque de Santa Maria da linhagem de Caiçara é... ou, Santa Maria executado na linhagem de Morais é... o toque de benguela segundo Bimba é... cavalaria ensinado por Mestre Nô é ...
Aparentemente temos a impressão de uma grande confusão, mas na verdade isso mostra o quanto é difícil estudar a capoeira sem dar aos seus conteúdos um caráter conclusivo, especialmente o seu lado musical.


Francisco Ferreira Filho Diniz
Professor de Educação Física

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Sistema de Graduação

Clique na imagem para ampliar
Acima temos uma ótima e resumida imagem demonstrando o sistema de graduação da ABADÁ-Capoeira. Por meio do sistema de graduação, este ensina que há diferentes níveis de conhecimento, todos importantes em suas peculiaridades.
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