sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

A Guerreira Maria Felipa (Maria 12 Homens)

Maria Felipa de Oliveira viveu na Bahia no século XIX e teve um importante papel na Guerra da Independência, que ocorreu entre 1822 e 1824, para reafirmar a independência proclamada em 7 de setembro de 1822, até que esta fosse reconhecida por Portugal.

Na Bahia, assim como nas províncias de Cisplatina (onde atualmente é o Uruguai), Piauí, Maranhão e Grão-Pará, devido à concentração estratégica de tropas do Exército Português, as lutas foram mais acirradas. Quando a tropa portuguesa comandada pelo General Madeira de Melo tentou invadir a Ilha de Itaparica para controlar a guerra a partir da Bahia de Todos os Santos, Maria Felipa liderava as vedetas (vigias) da praia, um grupo de 40 mulheres que entrou no acampamento do exército português, atacou os guardas com galhos de cansansão, uma planta que provoca sensação de queimadura ao toque com a pele, e puseram fogo em 42 embarcações, promovendo baixas no exército.

Além de guerreira, Maria Felipa também atuou na gerra como enfermeira, socorrendo feridos, além de trazer para a resistência em Itaparica informações da guerra obtidas nas rodas de capoeira do Cais Dourado, para onde ia remando sua canoa.

Há quem acredite que Maria Felipa seja a identidade verdadeira de Maria Doze Homens, que ganhou este apelido após deixar doze homens no chão, porém não existe confirmação a respeito e há ainda outras versões, em uma das quais Maria Doze Homens teria sido companheira de Besouro Mangangá.

O atestado de óbito datado de 04 de janeiro de 1873, confirma que Maria Felipa sobreviveu à guerra e continuou levando sua vida na ilha por muitos anos, porém de seu nascimento nada se sabe.

A heroína foi retratada na obra de Ubaldo Osório, A ilha de Itaparica, e no romance Sargento Pedro, do escritor baiano Xavier Marques, onde são são contatos vários feitos atribuídos à capoeirista.

Fontes:
Capoeira Sou Eu
Conversa de Menina
Overmundo
Passeiweb
Wikipédia

Neila Vasconcelos - Venusiana
capoeiradevenus.blogspot.com

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Vem aí: Red Bull Paranauê

Conheça o evento que vai contemplar a capoeira e coroar o capoeirista mais completo do mundo
Capoeira © Romina Amato/Red Bull Content Pool
Ao longo dos séculos, a capoeira foi se transformando e hoje conhecemos três principais estilos direcionados por grandes mestres: Angola, Regional e Contemporânea. Milhares de capoeiristas ao redor do mundo se especializaram em cada estilo e o Red Bull Paranauê quer achar o capoeirista mais completo, aquele capaz de jogar e passear pelos principais segmentos de Capoeira.



Conheça o conceito


Vamos resgatar e manter vivo os ensinamentos de grandes mestres como Mestre Bimba, Mestre Pastinha, Mestre João Grande e tantos outros, unindo a todos em torno de uma grande contemplação ao esporte, que acontece no dia 28 de janeiro, em Salvador (BA).

Com a ajuda das maiores referências da Capoeira como Mestre João Grande (Angola), Mestre Nenel (Regional), Mestre Lua Rasta, o cineasta e pesquisador Jair Moura, Mestre Sabiá e tantos outros vamos homenagear o esporte com uma semana de atividades na cidade, com aulas e palestras gratuitas que resgatam a essência da capoeira. Fique ligado por aqui para saber tudo que vai rolar na semana do evento!


Toques do Red Bull Paranauê 2017

Esta primeira edição do evento focará em três Toques de Capoeira, cada um representando um estilo:

  • Toque São Bento Grande de Regional – Capoeira Contemporânea
  • Toque Jogo de Dentro – Capoeira Angola
  • Toque de Iúna – Capoeira Regional

Por exemplo, no toque de Iúna, criado pelo Mestre Bimba, deve-se obrigatoriamente executar o movimento de Balão-Cinturado. Para esse toque não há canto, nem puxada de palma. Como foi um toque criado para jogar apenas Mestres e Contra-Mestres, os alunos devem pedir permissão ao seu Mestre ou aos Mestres da roda para poder jogar.


Sorteio e Dinâmica

Ao subir no palco do evento, cada capoeirista irá sortear um toque e ambos devem jogar os 2 toques retirados (40 segundos para cada toque). Ao finalizar o jogo, os seis Mestres Jurados devem apontar o vencedor.


Os Mestres Jurados

  • Mestre Nenel e Mestre Itapuã representando a capoeira Regional.
  • Mestre Jogo de Dentro e Mestre Lua Rasta representando a capoeira Angola.
  • Mestre Paulinho Sabiá e Mestre Capixaba representando a capoeira Contemporânea.

Além disso, duas grandes personalidades da Capoeira estarão presentes como membros honorários desse primeiro evento:

  • Mestre João Grande
  • Historiador Jair Moura



Jogadores

Dezesseis capoeiristas selecionados em quatro seletivas que antecedem ao evento, mais uma vaga que foi destinada ao vencedor do evento VMV Barcelona (que ocorreu em Março de 2016, onde o ganhador foi o Capoeirista Chipa, da Calofórinia)

  • Seletiva Rio de Janeiro (2 Vagas)
  • Seletiva São Paulo (2 Vagas)
  • Seletiva Bahia (7 Vagas)
  • Seletiva Mundo (4 Vagas)
  • Vencedor do VMV Barcelona 2016 (Chipa – Califórnia/USA)

Todo capoeirista pode participar se inscrevendo em uma das seletivas que acontecem em três cidades do Brasil. A faixa etária é a partir de 18 anos e não há restrição de gêneros. Será permitido a participação de todos os Capoeiristas exceto Mestres.

Para se inscrever o Capoeirista deve enviar um e-mail para uma das seletivas que deseja participar contendo Nome Completo, Nome do Seu Mestre e Telefone com DDD. Corra, pois as seletivas terão vagas limitadas!


Inscreva-se para as seletivas

Seletiva Rio de Janeiro
12 de Janeiro 2017
Local: à definir
Horário: 18:00
E-mail para inscrição: paranaue.rio@redbull.com.br

Seletiva São Paulo
13 de Janeiro 2017
Local: Red Bull Station – Praça da Bandeira, 137, Centro – São Paulo/SP
Horário: 18:00
E-mail para inscrição: paranaue.sp@redbull.com.br

Seletiva Bahia
26 de Janeiro 2017
Local: Praça atrás do Projeto Mandinga - Rua das Laranjeiras, 27, Pelourinho – Salvador/BA
Horário: 16:00
E-mail para inscrição: paranaue.bahia@redbull.com.br

Seletiva Mundo (para capoeiristas de fora do Brasil)
26 de Janeiro 2017
Local: Praça atrás do Projeto Mandinga – Rua das Laranjeiras, 27, Pelourinho – Salvador/BA
Horário: 16:00
E-mail para inscrição: paranaue.bahia@redbull.com.br

Fonte: RedBull.com.br

sábado, 24 de dezembro de 2016

Feliz Natal...

Charge do Mestre Cartunista Redi

Estou fazendo este pequeno post para desejar de um...
FELIZ NATAL À TODOS!!!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

20 de Novembro - Dia da Consciência Negra

Clique na imagem para ampliar
O Dia da Consciência Negra é celebrado em 20 de Novembro no Brasil e é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.
A data foi escolhida por coincidir com o dia da morte de Zumbi dos Palmares, em 1695. Apesar das várias dúvidas levantadas quanto ao caráter de Zumbi nos últimos anos (comprovou-se, por exemplo, que ele mantinha escravos particulares) o Dia da Consciência Negra procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral, desde o primeiro transporte forçado de africanos para o solo brasileiro em 1594.
Algumas entidades como o Movimento Negro organizam palestras e eventos educativos, visando principalmente crianças negras. Procura-se evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, ou seja, da inferiorização perante a sociedade.
Outros temas debatidos pela comunidade negra e que ganham evidência neste dia são: inserção do negro no mercado de trabalho, cotas universitárias, se há discriminação por parte da polícia, identificação de etnias, moda e beleza negra, etc.
O dia é celebrado desde a década de 1960, embora só tenha ampliado seus eventos nos últimos anos; até então, o movimento negro precisava se contentar com o dia 13 de Maio, Dia da Abolição da Escravatura – comemoração que tem sido rejeitada por enfatizar muitas vezes a "generosidade" da princesa Isabel, ou seja, ser uma celebração da atitude de uma branca.
A semana dentro da qual está o dia 20 de Novembro também recebe o nome de Semana da Consciência Negra. 

História do Dia Nacional da Consciência Negra
Data estabelecida pelo projeto lei número 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. Foi escolhido 20 de Novembro, pois foi neste dia em 1695 que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares.
A homenagem a Zumbi foi mais do que justa, pois este personagem histórico representa a luta do negro contra a escravidão no período Colonial. Ele morreu em combate, defendendo seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também um forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. Zumbi lutou até a morte por esta cultura e pela liberdade do seu povo. 

Importância da Data
A criação desta data serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira.
A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. Porém, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão.
Sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca, como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros são considerados hérois nacionais. Agora temos a valorização de um líder negro em nossa história e, esperamos, que em breve outros personagens históricos de origem africana sejam valorizados por nosso povo e por nossa história. Passos importantes estão sendo tomados neste sentido, pois nas escolas brasileiras já é obrigatória a inclusão de disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Capoeira. O jeito brasileiro de ir à luta

Rosangela Petta

Quando você vê um filme com Mel Gibson, Eddie Murphy ou Wesley Snipes, pode ter certeza: para fazer aquelas incríveis cenas de ação, eles incluíram a capoeira nos ensaios. É que essa técnica corporal, mistura de dança e exercícios, desenvolvida exclusivamente no Brasil, já ganhou adeptos em 48 países. Ambiciosa, desde o ano passado ela foi reconhecida pelo Comitê Olímpico Brasileiro como esporte olímpico e está em campanha por um lugar nos jogos de 2004. O número de academias vem crescendo rapidamente e já soma 25 000. Veja por que essa luta brasileira está empolgando cada vez mais gente.

Nos últimos dois anos, o número de cursos de capoeira quadruplicou. O cálculo é do presidente da Confederação Brasileira de Capoeira, Sérgio Luís Vieira, sustentado em estimativas do final de 1995 que incluem tanto as escolas filiadas quanto as “de fundo de quintal”. Se levarmos em conta que a média de alunos de cada mestre, título dado ao professor de capoeira, é de 100 iniciantes, chega-se à conclusão de que uns 2,5 milhões de brasileiros já entraram na roda.

Além disso, essa mistura de jogo, dança e pugilismo está presente em 48 países. Curiosamente, nenhum do continente africano. São 120 cursos apenas no estado americano da Califórnia, incluindo o da Universidade de Berkeley. “Houve um boom de capoeira, especialmente depois que ela foi reconhecida como esporte pelo Comitê Olímpico Brasileiro, no ano passado”, disse Vieira à SUPER. “A capoeira entrou em clubes da classe média alta, em colégios e universidades. Por isso vamos formar uma federação internacional ainda em 1996. Se tudo correr nesse ritmo, chegaremos às Olimpíadas em 2004.”

Não vai ser fácil. Além de precisar preencher os pré-requisitos olímpicos, que obrigam a prática da modalidade em pelo menos 75 países de quatro continentes, a capoeira não é uma técnica uniforme. Ela ainda é praticada espontaneamente, como a brincadeira dos escravos nos dias de festa do Brasil colonial (veja na página 50), e está dividida em estilos, métodos e rituais diferentes e informais. O que você vê na televisão, na rua ou na maioria das academias está mais próximo de um certo tipo de roda: a Regional, bem diferente da capoeira Angola, a mais primitiva. Embora a confederação tente unir as duas correntes, listando 76 golpes, é difícil promover competições que avaliem todos os capoeiristas por um mesmo padrão.

Uma cultura negra em jogo

Não são todos os capoeiristas, ou capoeiras que se consideram atletas. Para os grupos mais tradicionais de Salvador, ela é forma de expressão da cultura negra. Tanto que, para eles, trata-se de uma arte marcial afro-brasileira. “Reduzir a capoeira ao esporte é diminuir seu lado subjetivo, sua história e sua filosofia”, diz Pedro Moraes Trindade, o mestre Moraes, baiano que segue a linha de Angola. “Capoeira é a fusão de corpo e mente. Em comparação a outras artes marciais, corresponde ao tai chi chuan chinês, no qual você não precisa ser forte, mas inteligente.”

Manoel Nascimento Machado, ou mestre Nenéu, de Salvador, batizado na capoeira como “Sá Pererê” e filho do criador da capoeira Regional, também insiste em ressaltar aspectos que extrapolam a mera habilidade física. “O capoeira nunca joga contra o outro, mas com o outro”, explica à SUPER. “Assim ele se prepara para enfrentar a vida lá fora.”

Em comum, a capoeira Angola e a Regional têm alguns princípios fundamentais. Quem joga sempre deve começar cumprimentando o parceiro “ao pé do berimbau”, quer dizer, agachado perto do instrumento que dará o ritmo dos golpes. Ambos devem estar limpos, “decentemente trajados” e jamais sem camisa. Deve-se procurar a harmonia, na qual um movimento de defesa já é o começo de outro, de ataque, sem ferir o companheiro. Os oponentes não se atracam, mas lutam “por aproximação”, respeitando a hora de entrar e sair da roda. E ninguém deve aprender capoeira para sair batendo nos outros.

Tudo começou com uma certa dança da zebra

A palavra capoeira não é africana, como se costuma pensar. Ela vem do tupi, kapu·era, e originalmente possui dois significados. Pode tanto designar mato ralo ou roçado como uma espécie de cesto ou gaiola que serve para carregar animais e mantimentos. A partir desse duplo sentido, etimologistas, historiadores e folcloristas começam a polemizar sobre o berço da capoeira, que pode ser rural ou urbano.

Uns enxergam seu nascimento no campo, entre grandes plantações de cana e engenhos de açúcar, onde as clareiras abertas na mata serviriam de canal para a fuga dos negros rebeldes e espaço para o lazer nas horas de folga. “A própria palavra já denuncia uma ligação com o meio rural”, diz o antropólogo Oderp Serra, da Universidade Federal da Bahia. Mas há quem diga que a capoeira é própria da cidade, onde aquela brincadeira quase inocente das fazendas teria evoluído para a arte marcial. “Sem dúvida, ela é urbana”, afirma o pesquisador baiano Waldeloir Rego, autor de um clássico sobre o assunto, Ensaio Sócio-Etnográfico Sobre a Capoeira de Angola. “Só não podemos afirmar se a capoeira é de Salvador ou do Rio de Janeiro. Provavelmente, se fez ao mesmo tempo nas duas cidades, e ainda em Recife.”

A existência de jogos corporais semelhantes à capoeira em Cuba (o mani) e na Martinica (a ladja) comprovam que a semente de todas as especulações está nos costumes trazidos nos porões dos navios negreiros que também seguiram para o Caribe. Mestre Moraes foi um dos capoeiristas brasileiros que tiveram a oportunidade de presenciar na Angola atual o ritual do n·golo, ou “dança da zebra”. “Não é capoeira, mas uma competição atlética que os rapazes da aldeia fazem para ver quem merece ficar com a moça que já atingiu a idade de casar”, conta.

Cruzando os relatos disponíveis, Rego concluiu que o n·golo virou folguedo, um divertimento praticado pelos escravos nos domingos e feriados. Com o tempo, a prática teria se transformado em exibições de habilidade, destreza e leveza de movimentos, chegando ao jogo de ataque e defesa no século passado.

A festa virou violência e fez política

No século passado, as principais cidades portuárias brasileiras, como Salvador, Recife e Rio de Janeiro, eram um aglomerado barulhento de gente. Era comum a figura do “escravo de ganho”, aquele que tinha permissão de vender ou prestar serviços na rua e, em troca, dar uma porcentagem do dinheiro que obtivesse ao seu senhor. Sem outra coisa a oferecer senão a força física para carregar móveis, mercadorias e dejetos, muitos faziam ponto perto do porto. Não demorou para que esses grupos se organizassem sob a chefia de algum valente chamado de “capitão”, que era exímio em capoeira.

Segundo o historiador carioca Carlos Eugênio Líbano Soares, que examinou o registro de prisões de escravos do século XIX, os anos entre a chegada da Família Real, em 1808, e a abdicação do primeiro imperador, em 1831, foram marcados pelo “terror da capoeira” no Rio de Janeiro. A Bahia não ficava atrás. “Salvador era um barril de pólvora”, conta o antropólogo Oderp Serra. “Os negros fizeram mais de trinta revoluções nesse período. Em toda cidade, é natural que uma enorme massa de excluídos se organize e acabe formando gangues, como os latinos fazem hoje nos Estados Unidos.”

As “maltas” eram bandos de capoeiras que saíam para enfrentar rivais nas datas festivas, diante de bandas militares ou procissões, misturando brincadeira e violência. Os mais perigosos não se expunham tanto, mas eram bons de faca, porrete e navalha. Para o corrupto sistema partidário da época, foi a ferramenta ideal de campanha. Foi assim que os nagoas e os guaiamus, gangues cariocas, se ligaram, respectivamente, ao partido Conservador e ao Liberal, transformando-se no braço armado das disputas políticas do Rio de Janeiro.

Até então, a lei punia a capoeiragem com sentenças de até 300 açoites e o calabouço. O auge da repressão foi em 1890 quando ficou instituída a deportação dos capoeiras do Rio para a ilha de Fernando de Noronha. Na Bahia, as falanges foram desorganizadas pela convocação para a Guerra do Paraguai, em 1864. E as do Recife só acabaram definitivamente em 1912, quando o jogo voltou a ser brincadeira, dando origem ao frevo.

Calça larga e um brinco de ouro

A figura do malandro capoeirista marcou a cultura brasileira do começo deste século. O folclorista Luís da Câmara Cascudo escreveu em 1916 que “o capoeira era um indivíduo desconfiado e sempre prevenido. Andando nos passeios, ao aproximar-se de uma esquina, tomava imediatamente a direção do meio da rua. Havia os capoeiras de profissão, conhecidos logo à primeira vista pela atitude singular do corpo, pelo andar arrevesado, pelas calças de boca larga, ou pantalona, cobrindo toda a parte anterior do pé, pela argolinha de ouro na orelha, como insígnia de força e valentia, e o nunca esquecido chapéu de banda”.

“Na luta, toda a atenção se concentra no olhar dos contendores, pois um golpe imprevisto, um avanço em falso, uma retirada negativa poderiam dar ganho de causa a um dos dois”, afirma Cascudo.

Na capoeira de Angola, vale mais a astúcia do que a força muscular. Seu mais célebre representante foi Vicente Ferreira Pastinha, baiano do Pelourinho, amigo do artista plástico Caribé, personagem do escritor Jorge Amado e dono de uma filosofia peculiar: “Capoeira é tudo o que a boca come”, costumava dizer. “Ele ensinava a capoeira do dia-a-dia. Estava mais para mais religião que para brutalidade”, afirma Jaime Martins dos Santos, o mestre Curió, que treinou com Pastinha desde os oito anos de idade. “Naquele tempo capoeira era coisa de arruaceiros, da malandragem. Escolhi treinar com ele porque era muito organizado e extremamente dedicado ao aluno”.

O método de Pastinha, ensinado regularmente desde 1910, consiste em golpes desferidos quase que em câmara lenta. O capoeirista fica a maior parte do tempo com o corpo arqueado e sua ginga é de braços soltos, relaxados, porque a tática era se fazer de fraco diante do oponente. “Nossos movimentos não têm pressa de chegar mas, quando chegam, é de forma harmoniosa”, explica mestre Moraes, um angoleiro que se formou com mestre João Grande, o discípulo de Pastinha que hoje dá aulas em Nova York, nos Estados Unidos. “É um diálogo de corpos. Eu venço quando meu parceiro não tem mais respostas para as minhas perguntas.”

Como o crime se tornou esporte

De 1890 a 1937, a capoeira foi crime previsto pelo Código Penal da República. Simples exercícios na rua davam até seis meses de prisão. Nesse ambiente hostil, as escolas de capoeiragem sobreviviam clandestinas nos subúrbios. Foi para reverter esse quadro que o baiano Manoel dos Reis Machado, um angoleiro forte e valente conhecido como mestre Bimba, inventou uma nova capoeira. Teve o cuidado de tirar a palavra do nome da academia que fundou em 1932 em Salvador, o Centro de Cultura Física e Luta Regional. Filho de um campeão de batuque, uma espécie de luta-livre comum na Bahia do século XIX, juntou técnicas do boxe e do jiu-jítsu e criou um método de ensino. Para fugir de qualquer pista que lembrasse a origem marginalizada da capoeira, mudou alguns movimentos, eliminou a malícia da postura do capoeirista, colocando-o em pé, criou um código de ética rígido que exigia até higiene, estabeleceu o uniforme branco e se meteu até na vida privada dos alunos. “Para treinar com meu pai era preciso provar que estava trabalhando ou mostrar o boletim do colégio”, conta Demerval dos Santos Machado, conhecido como “Formiga” nas rodas de capoeira e organizador da Fundação mestre Bimba ao lado do irmão, mestre Nenéu.

O resultado é que, a partir daí, a capoeira começou a ganhar alunos da classe média branca e, também, a se dividir. Até hoje angoleiros e regionais criticam-se mutuamente, embora se respeitem. Os primeiros se dizem guardiães da tradição, os outros acham que a capoeira “precisa evoluir”. Com isso, Bimba deu ares atléticos ao jogo e atraiu as mulheres, até então excluídas das rodas. “Meu pai falava de uma capoeira chamada ·Maria Doze Homens·, mas era exceção”, diz Nenéu. Mestre “Curió” confirma: “Dos anos 40 para os 50, poucas mulheres jogavam: “·Nega Didi·, ·Maria Homem·, ·Satanás·, ·Maria Pára o Bonde·, ·Calça Rala·”. Embora seja angoleiro e radical defensor da moda antiga, até Curió admite que só quando a capoeira virou esporte é que as rodas ficaram mistas. Ele mesmo tem uma contra-mestre do sexo feminino: “É a ·Jararaca·”, diz.

O toque dá o ritmo e manda recado

Antigamente não havia música de fundo na capoeira. No máximo, quem estava por perto marcava o ritmo com um tambor. Em seu fabuloso levantamento publicado em 1834, Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, Jean-Baptiste Debret deixou claro que os tocadores de berimbau tinham a intenção de chamar a atenção dos fregueses para o comércio dos ambulantes. Um certo Henry Koster (inglês que se radicou em Pernambuco, virou senhor de engenho e passou a ser chamado de Henrique Costa) escreveu em suas anotações de 1816 que, de vez em quando, os escravos pediam licença para dançar em frente à senzala e se divertiam ao som de objetos rudes. Um deles era o atabaque. Outro, “um grande arco com uma corda, tendo uma meia quenga de coco no meio ou uma pequena cabaça, amarrada”. Era um instrumento de percussão trazido da África. A palavra vem do quimbundo, mbirimbau.

O que conhecemos hoje é chamado berimbau-de-barriga porque o músico leva e traz a boca da cabaça até o próprio corpo para alterar o som. Segundo o folclorista Édison Carneiro, foi neste século, e na Bahia, que o instrumento se incorporou ao jogo da capoeira, para marcar o ritmo dos praticantes. O que define um jogo rápido ou lento é o toque, um padrão rítmico-melódico tocado e cantado. Segundo o etnógrafo Waldeloir Rego, existem 25 tipos de toque. Entre os mais tradicionais, de autoria desconhecida, estão o Angola (bem lento, para os capoeiras que gingam pertinho do chão), São Bento Pequeno (ou Angola invertida, para golpes em que os oponentes chegam muito perto um do outro), São Bento Grande (para jogos mais ágeis), Cavalaria (usado nos tempos da proibição do jogo para avisar a chegada da polícia), Amazonas (que saúda um mestre visitante) e Banguela (o mais lento da capoeira regional, usado para acalmar os ânimos dos combatentes). O Iuna é um exemplo de toque instrumental, criado por mestre Bimba para o jogo de capoeiras experientes. A maioria tem letra (veja o quadro ao lado) e muitas vezes quem está cantando aproveita para comentar o jogo, improvisando versos que pedem para baixar a agressividade ou que zombam do capoeirista que não é tão bom quanto dizia.

O bom capoeira é aquele que sabe cair

Os golpes da capoeira se dividem entre traumáticos e desequilibrantes. Entre os primeiros estão os movimentos de ataque que envolvem a cabeça, o joelho e, principalmente, os pés. No segundo grupo se incluem rasteiras e tesouras, cujo objetivo é derrubar o adversário. Em nenhum caso é permitido atacar com as mãos, elas servem exclusivamente de apoio. “É um jogo que no início tende para o exercício anaeróbico, com perda de oxigênio”, explica o professor de educacão física Gladson de Oliveira Silva, instrutor de capoeira na Universidade de São Paulo. “Mas, nos exercícios do treino e no desenrolar da ginga, do ritmo, ele se torna aeróbico, com equilíbrio de oxigênio.”

Segundo o professor, rigorosamente todos os movimentos da capoeira trabalham as articulações, a coluna dorsal e lombar e a maioria dos músculos. Por isso, desenvolve a flexibilidade e a tonicidade. Mas ninguém se torna um Arnold Schwarzeneger fazendo capoeira. “São movimentos de soltura, balanceados, na base da contração e descontração, alternadamente. Ela fortalece sem dar massa muscular.”

É óbvio que já não se ensina a luta com facões e navalhas que os capoeiristas da velha guarda encaixavam entre os dedos do pé. Mesmo assim, é preciso tomar alguns cuidados. “Como em qualquer outra arte marcial, deve-se proteger o tórax e a cabeça. Um pontapé nesses pontos pode ser fatal. Por isso o ensino da capoeira deve dar uma consciência corporal, com noções de distância, desenvolvendo reações rápidas. Como diziam os capoeiras antigos: se precisar cair, tem que cair direito”, diz Gladson.

PARA SABER MAIS

Ensaio Sócio-Etnográfico da Capoeira de Angola, Waldeloir do Rego, Itapuã, Salvador, 1968. Capoeira, do engenho à universidade, Gladson de Oliveira Silva, Cepeusp, São Paulo, 1995.

A negrada instituição: os capoeiras no Rio de Janeiro, Carlos Eugênio Líbano Soares, Secretaria Municipal de Cultura, Rio de Janeiro, 1994.

Capoeira Angola, CD do selo Smithsonian/Folkways Records, Washington, 1996.



De um jeito ou de outro, a tradição fez escola
A capoeira começou a ser ensinada regularmente nos anos 30 e já naquela época estava dividida em duas vertentes. A de Angola, nome que homenageia as tradições dos escravos angolanos, e a Regional, chamada assim por ter nascido na região da Bahia. Veja como identificar as diferenças entre elas.

A manha dos angoleiros

Clima solene
No chamado jogo de Angola os capoeiristas ficam agachados, quietos, esperando sua vez de jogar.

O chão é o limite
Os movimentos dos angoleiros são mais lentos, aparentemente displicentes, rentes ao solo.

Orquestra afinada
Este estilo utiliza uma bateria de três berimbaus, dois pandeiros, um atabaque, um reco-reco e um agogô.

O vigor dos regionais

Roda alegre
Aqui os capoeiras aguardam sua vez em pé, batendo palmas ao ritmo da música.

Soltos no ar
Os regionais mantêm o corpo mais ereto e desferem golpes mais velozes, com maior quantidade de saltos.

Som minimalista
O fundo musical deste estilo precisa apenas de um berimbau e dois pandeiros.

No batizado, o capoeirista ganha apelido
O capoeira sempre é chamado por um apelido que lhe é dado na roda. Foi assim que ficaram famosos os mestres João Grande, João Pequeno, Cobrinha Verde, Camisa e Canjiquinha. Esse nome de guerra geralmente é dado na ocasião do batizado, momento em que o aspirante jogará pra valer pela primeira vez. Segundo Aristeu Oliveira dos Santos, o paranaense Mestrinho, a ocasião serve para testar os conhecimentos de quem está sendo batizado. O ritual foi inventado por Mestre Bimba para marcar o fim da etapa de iniciação. Na época, o criador da capoeira Regional entregava um lenço ao seu discípulo, baseado no costume dos antigos valentões de Salvador que protegiam o pescoço com um pedaço de seda para que a navalha do inimigo escorregasse. Esse costume, influenciado pelas faixas coloridas das artes marciais orientais, inspirou os cordéis da capoeira. Os ortodoxos não aceitam o sistema de graduação. Acreditam que alguém só pode ser chamado de mestre quando sua vocação de educador e sua sabedoria de conselhelro, além da habilidade, “aparecem naturalmente”. Mas muitas academias adotaram o sistema hierárquico montado pela Confederação Brasileira de Capoeira, com a combinação das cores da bandeira do Brasil.

Pistas de que a ginga cresceu na cidade
Em 1830 o pintor alemão Johann Moritz Rugendas desenhou uma cena chamada Capoeira que dá várias pistas sobre a evolução do jogo. O cenário 1. e a presença de vendedores ambulantes 2. indica que estamos na cidade. Há dois combatentes 3. em movimento, armando seus golpes. Além de um tambor 4. marcando o ritmo, forma-se uma roda em torno dos capoeiras 5., que ao mesmo tempo é um escudo protetor dos olhos da polícia e delimita o terreno onde o jogo deve acontecer.

Festejos que vieram da luta
A vocação da capoeira para a brincadeira aparece em três outras formas de folguedos ligados a ela pela origem das danças africanas. O samba de roda 1., que se forma na mesma estrutura da capoeiragem e usa seqüências musicais parecidas. O maculelê 2. também é praticado no meio de uma roda, com os oponentes batendo bastões de madeira. O frevo 3. nasceu quando a polícia pernambucana desbaratou as gangues de capoeiras que chutavam e abriam caminho para as bandas militares, furando o bumbo dos outros com o que viria a se tornar a sombrinha do carnaval de Recife.

A mistura dos grupos africanos
Os escravos negros começaram a ser desembarcados no Brasil por volta de 1548 e, nos três séculos seguintes, seriam predominantemente do tronco linguístico banto, do qual faz parte a língua quimbundo. Esse grupo englobava angolas, benguelas, moçambiques, cabindas e congos. “Eram povos de pequenos reinos, com um razoável domínio de técnicas agrícolas e cuja grande característica era possuir uma visão muito plástica e imaginosa da vida, com grande capacidade de adaptação cultural”, explica o antropólogo Oderp Serra. “No Brasil, esses grupos étnicos, antes rivais, se uniram pela escravidão formando uma cultura africana que plantou bases muito fortes na cultura brasileira, de dança, música e técnicas de corpo como a capoeira.”

Descriminalização por decreto presidencial

Depois de ver uma exibição de capoeira no Rio de Janeiro, em 1937, o presidente Getúlio Vargas descriminalizou-a e decretou ser aquele o “esporte autenticamente brasileiro”. Até então, os capoeiristas podiam pegar de dois meses a três anos de prisão, com pena de deportação no caso de estrangeiros.

Entenda como se comunicam os camaradas
A linguagem dos capoeiras é cheia de gírias e códigos. “Esquenta-banho” era a senha que mestre Bimba dava a seus alunos para um jogo rápido, apressado. A expressão nasceu após as aulas, quando Bimba obrigava os alunos a tomar um banho frio, ligeiro, porque a caixa d·água da academia era pequena. Veja outros casos:

Abadá – Uniforme branco. Também é o estilo criado por mestre Camisa, do Rio de Janeiro. Era o nome que se dava ao blusão rústico usado pelos escravos.
Adufe – Pandeiro quadrado, usado há mais de cem anos. A palavra vem do árabe ad-duff.
Camará – Uma corruptela de camarada, companheiro, parceiro de jogo e de roda.
Crocodilagem – Jogo duro que submete o capoeira a uma situação de inferioridade ou deslealdade.
Comprar o jogo – Pedir para substituir um dos capoeiras que estão no centro da roda.
Galopantes – Tapas, gestos proibidos nos treinos e na capoeira de competição.
Ginga, gingado – Balanço do corpo de um lado para o outro, ritmado, que imprime cadência ao jogo. Alguns estudiosos acham que é uma influência dos marinheiros que conviviam com capoeiras nos portos, pois a palavra também diz respeito ao movimento do remo.
Mandingueiro – Capoeirista angoleiro, cheio de truques, que joga com malícia, enganando o adversário. Originalmente a palavra se refere a um grupo de negros africanos feiticeiros.
Negaças – Sucessão de movimentos para experimentar a guarda do oponente.
Ticum – Faca de madeira.
Vadiar – Jogar capoeira por prazer, por divertimento. Na época da escravidão, a vadiação era o lazer das horas de descanso.

Os segredos do instrumento que gemia na senzala
Trazido da África pelos angolanos, o berimbau se tornou a grande estrela da roda de capoeira. Sem ele ninguém ginga, ninguém joga.

Efeitos especiais
O caxixi é uma pequena cesta de palha, com fundo de couro, usada como chocalho. Tem de 10 a 15 centímetros de altura, cerca de 6 centímetros de diâmetro na base e um recheio de sementes, pedrinhas ou pequenos búzios. O dobrão, nome tomado da moeda de 40 réis, é uma peça de cobre com aproximadamente 5 centímetros de diâmetro. E a baqueta, ou vaqueta, é uma vara de madeira com cerca de 40 centímetros de comprimento.

Caixa acústica
A cabaça é a caixa de ressonância. Feita com o fruto da cabaceira, árvore comum no Norte e no Nordeste, pode ser oval (o coité) ou ter duas esferas ligadas. Depois de seca e cortada, tiram-se as sementes antes de ser lixada.

Do cipó ao aço
A corda já foi um cipó, um fio de latão, um arame de cerca e, mais recentemente, fios de aço retirados de pneus. O mais comum, hoje, é usar o aço vendido em carretéis.

Firme e forte
O arco vem do caule da biriba, arbusto comum no Nordeste, cuja madeira é fácil de envergar. A casca se solta facilmente, como a da mandioca. Para conservar melhor, depois de lixá-lo alguns mestres passam sebo de boi, envernizam ou pintam.

É obrigatório saber tocar e cantar
Entre os cânticos entoados na capoeira há uma ladainha, espécie de oração que abre a roda, e o “corrido”, tipo de samba sem refrão, com imagens do cotidiano. Todo capoeira deve aprender a tocá-los e cantá-los. Veja alguns exemplos.

Ladainha cantada por mestre João Pequeno, angoleiro discípulo de mestre Pastinha:

“Iê, quando eu cheguei aqui
Quando eu aqui cheguei
A todos eu vim louvar
Vim louvar a Deus primeiro
Morador deste lugar
Agora eu tô cantando
Cantando pra mim louvou
Tô louvando a Jesus Cristo
Tô louvando a Jesus Cristo
Porque nos abençoô
Tô louvando e tô rogando
Ao Pai que nos criou
Abençoe esta cidade
Abençoe esta cidade
Com todos seus moradores
E na roda de capoeira
Abençoe os jogadores
Camaradinho,

É mandingueiro!

Iê, é mandingueiro, camará!

Corrido cantado por mestre Bimba na capoeira Regional:

“Capenga ontem teve aqui
Capenga ontem teve aqui
Deu dois mil réis a papai
Deu três mil réis a mamãe
Café e açúcar a vovó
Deu dois vinténs a mim
Sim Senhor, meu camarada
Quando eu entrar, você entra
Quando eu sair, você sai
Passar bem, passar mal
Mas tudo no mundo é passar!
Água de beber
Iê, água de beber, camará
Vou dizer a meu senhor
Que a manteiga derramou
Olha a manteiga do patrão
Mas caiu n·água e se molhou

Quem se defende já prepara o ataque

Aú e cabeçada
Enquanto um capoeira avança com a cabeça, o outro desvia fazendo o aú, movimento parecido com a estrela da ginástica de solo.

Balão de lado
Outro golpe regional: um capoeira joga o outro para atrás num movimento lateral, agarrado à sua cintura. Também é chamado de cintura desprezada.

Bênção e negativa
O primeiro é um golpe aplicado com o calcanhar, de frente. A defesa é feita com apoio das mãos, uma perna esticada e a outra flexionada.

Martelo e rasteira
O ataque é feito com um giro da perna para atingir o adversário com o peito do pé. Na defesa, o capoeira se abaixa e prepara o desequilíbrio de quem ataca.

Ginga
O balanço do corpo para a direita e para a esquerda, e de trás para a frente, faz os capoeiras se prepararem para os golpes.

Tesoura de costas
O capoeira que se abaixou para se defender cruza as pernas em torno de uma perna de quem ataca, enquanto está de costas para o adversário.

Arqueado
Típico da capoeira Regional, neste movimento um capoeira joga o outro para trás apoiando-se em seus dois joelhos.

Cocorinha
A melhor defesa contra a meia-lua de compasso é a cocorinha. Nela o oponente se agacha, levanta o braço para proteger o rosto e apoia a outra mão no chão. Da cocorinha, o defensor pode passar a atacante executando, por exemplo, uma cabeçada (veja na página anterior).

Fonte: Super Interessante

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Jogo Aberto: Conversas sobre a Capoeira Angola de Recife e Olinda

Vídeo-registro sobre a Capoeira Angola será lançado em novembro

Temas de relevância histórica, social e cultural permeiam a produção audiovisual

A Capoeira Angola no Estado e a relação entre a Capoeira e a Mulher, o Corpo, a Dança e Autonomia, enquanto princípio educacional, são temas relevantes para a história cultural de Pernambuco e ganharam registro audiovisual em “Jogo aberto: Conversas sobre a Capoeira Angola do Recife e de Olinda.”, um projeto realizado pela professora mestre Gabriela Santana em colaboração com 12 mestres (as) e professores (as) de Capoeira do Recife e Olinda. “Jogo Aberto..” será lançado oficialmente nos dias 12 e 26 de novembro, respectivamente, às 10h e às 19h, no Museu do Homem do Nordeste e no Centro Cultural Grupo Bongar e no Terreiro Xambá.

Leia mais na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Como surgiu o berimbau?

A origem se perde nos milênios, já que o instrumento nada mais é que um modelo de arco, um dos primeiros instrumentos usados pelo homem para produzir sons.
Sua origem se perde na poeira dos milênios, porque o instrumento nada mais é que um modelo de arco, um dos primeiros instrumentos usados pelo homem para produzir sons, há quase 20 mil anos. A grande dúvida dos estudiosos, até hoje sem resposta, é se foi o arco usado para atirar flechas que deu origem ao arco musical – tataravô do berimbau – ou se ocorreu o contrário. Seja como for, o instrumento ganhou a forma que tem hoje entre as antigas tribos nativas africanas. Tudo indica que ele teria chegado ao Brasil já em 1538, junto com os primeiros escravos. Aqui, ele passou a ser identificado como elemento típico da capoeira. “O berimbau é a alma dessa mistura de dança e arte marcial, definindo tanto os movimentos quanto o ritmo”, afirma a historiadora Rosângela Costa Araújo, doutoranda na USP e fundadora do Grupo Nzinga de capoeira-angola. Isso não significa, porém, que seu som hipnótico se mantenha restrito às rodas de luta.

Na África, ele marca presença como acompanhamento musical de rituais fúnebres – e no Brasil também foi usado, no século XIX, por escravos recém-libertados para atrair compradores para os doces que vendiam nas ruas. Apesar do jeitão de objeto improvisado, o berimbau é um instrumento sofisticado, capaz de emitir várias sonoridades. Numa roda de capoeira autêntica, ele costuma aparecer em trio, cada um com um diferente tamanho de cabaça (sua caixa de ressonância). Quanto maior ela for, mais grave é o som.

Percussão sofisticada
Para tocar berimbau é preciso dominar seus sete componentes

Baqueta
A vareta de madeira, que mede entre 30 e 40 cm, é batida contra a corda para emitir o som

Dobrão
Normalmente é uma moeda velha – mas há quem use uma pedra em seu lugar. Ela é segurada entre o polegar e o indicador da mão esquerda e faz variar as notas emitidas pelo berimbau, dependendo da pressão que faz na corda

Cabaça
O fruto seco e limpo da cabaceira (árvore comum no norte do Brasil) tem o formato de uma cuia e funciona como caixa de ressonância

Verga
O arco, com cerca de 1,60 m de comprimento, é feito geralmente do caule de um arbusto chamado biriba, comum no Nordeste

Corda
O fio de arame de aço bem esticado costuma ser arrancado de pneus radiais

Amarração da cabaça
O barbante que prende a cabaça à verga ajuda a passar para ela o som emitido pela corda

Caxixi
O pequeno chocalho (com pedrinhas, sementes ou búzios) reforça a marcação do ritmo

Fonte: Mundo Estranho

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Lofting Dance

Alguns dançarinos de house também se utilizam de um estilo de dança chamado Lofting, uma mistura de Capoeira Angola com movimentos de solo do Jazz. Todavia, apesar de oferecer mais elementos à dança, o lofting não é obrigatório para se dançar a house dance. O Lofting era dançado antes do house dance nas festas do DJ Mancuso chamada The Lofting no Paradise Garage.

Fonte: Wikipédia & YouTube

sexta-feira, 15 de julho de 2016

As bravuras de se contar histórias sobre Besouro Preto - Lobisomem

O autor do Livro "Histórias e Bravuras de Besouro O Valente Capoeira", escreveu com exclusividade para o Portal Capoeira e nos contou como foi sua inspiração e o processo de elaboração do Cordel.

Victor Alvim conhecido como "Lobisomem" nos enviou também algumas fotos do Lançamento do Livro em Salvador e no Rio.

As bravuras de se contar histórias sobre Besouro Preto.

Por Victor Alvim "Lobisomem"

DOWNLOAD AQUI!

Fonte: Portal Capoeira
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