terça-feira, 28 de julho de 2009

Curso com o Mestre Camisa!

Esq. p/dir: Papagaio Preto, Wolney, Mestre Camisa, Capincho e Professor Montanha.

Nos dias 10, 11 e 12 de Julho de 2009 realizou-se um curso com o grande Mestre Camisa, Presidente-Fundador da Abadá-Capoeira, em Porto Alegre-RS. Estava simplesmente excelente.

Sexta-feira às 20h teve roda e bate-papo, no sábado curso pela manhã e tarde e domingo mais curso pela manhã e bate-papo. O pessoal aproveitou bastante o evento, aproveitando ao máximo a presença do ilustre Mestre Camisa.

O curso foi um sucesso, o pessoal da Região Sul compareceu em peso. Muito treino, troca de técnica, conhecimento, sabedoria, muito bom mesmo o curso.

A Fronteira Livramento/Rivera foi representada no curso pelo Capincho, Papagaio Preto e Wolney. Todos participaram dos cursos regidos pelo Mestre Camisa, na busca pela melhora de suas técnicas, fundamentos, etc...


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Mestre Bimba - Manuel dos Reis Machado

Seguindo os posts sobre grandes mestres e figuras históricas da capoeira, vamos falar de um dos maiores Mestres de Capoeira de todos os tempos, criador do estilo regional e Patrono da Abadá-Capoeira!

Mestre Bimba (1900-1974)

Manuel dos Reis Machado, chamado geralmente de Mestre Bimba (nascido em 23 de Novembro de 1899, Salvador, Brasil - 05 Fevereiro de 1974) era um mestre de capoeira, arte marcial Afro-Brasileira.

Vida Adiantada

Manuel dos Reis Machado era dito ter possuído duas certidões de nascimento, datadas em 1899 e 1900, respectivamente. 1900 é a data mais comumente usada.

Filho de Luiz Cândido Machado e Maria Martinha do Bonfim, Manuel dos Reis Machado nasceu no Bairro do Engenho Velho, Salvador. O apelido "Bimba" veio devido a um aposta entre sua mãe e a parteria durante seu nascimento; sua mãe apostou que iria ter uma menina e a parteira apostou que iria ser um menino. Após seu nascimento, a parteira disse... GANHEI A APOSTA, O CABRA BEM BIMBA E CACHO (bimba - apelido dado ao orgão sexual masculino).

Ele começou a aprender capoeira quando tinha 12 anos de idade, com um Capitão da Companhia Baiana de Navegação na Estrada das Boiadas (hoje Bairro da Liberdade) em Salvador, chamado Bentinho, embora que naqueles dias a capoeira estavesse ainda sendo perseguida pelas autoridades. Ele seria após conhecido como um lendários fundadores da capoeira contemporãnea, o outro seria Vicente Ferreira Pastinha ("Mestre Pastinha"), o pai da capoeira angola.

Manuel dos Reis Machado foi carvoeiro, carpinteiro, armazenador, estivador, e condutor de carroça, mas principalmente um capoeirista.

Nascimento do estilo regional

Aos 18 anos, Bimba sentiu que o capoeira tinha perdido toda sua eficácia como uma arte marcial e um instrumento da resistência, se transformando em uma atividade folclórica reduzida a nove movimentos. Foi então que Bimba começou a restaurar movimentos das lutas tradicionais de capoeira e adicionou movimentos de um outro estilo de luta africana chamada Batuque - um tipo de arte marcial, luta, maliciosa que aprendeu de seu pai (do qual seu pai era um campeão), assim como também introduzui movimentos criados por si próprio. Este era o começo do desenvolvimento do capoeira regional.

Em 1928, um novo capítulo na história da capoeira começou, assim como uma mudança na maneira que as pessoas negras (de herança africana, trazidas para o Brasil como escravas) eram vistas pela sociedade brasileira. Após uma apresentação no palácio do Governador da Bahia, Juracy Magalhães, Bimba foi finalmente bem sucedido em convencer as autoridades do valor cultural do capoeira, assim nos anos 30 terminava sua proibição oficial, em vigor desde 1890.

Manuel dos Reis Machado fundou a primeira escola de capoeira em 1932, a Academia-escola de Cultura Regional, no Engenho de Brotas em Salvador, Bahia. Previamente, a capoeira era somente praticada e jogada nas ruas. Entretanto, a capoeira foi ainda pesadamente discriminada de frente pela sociedade brasileira da classe alta. A fim de mudar a reputação pejorativa da capoeira e de seus praticantes como arruaceiros, ladrões e maliciosos, Bimba fixou novos padrões para arte.

Seus estudantes teriam que usar um uniforme limpo, branco, exibindo a prova do grau de capacidade escolar, exercício de disciplina, mostrar boa postura e muitos outros padrões. Como um resultado, doutores, advogados, políticos, pessoas da classe alta, e mulheres (até então excluídas) começaram a se juntar a sua escola, fornecendo a Bimba legalidade e sustento.

Capoeira regional é estabilizada

Em 1936, Bimba desafiou lutadores de qualquer estilo da arte marcial para testar seu estilo regional. Teve quatro adversários, lutou contra Vítor Benedito Lopes, Henrique Bahia, José Custódio dos Santos (“Zé I”) e Américo Ciência. Bimba venceu todos os adversários. Bimba era um lutardor renomado e temido. Ganhou o apelido de "Três Pancadas" porque, segundo se dizia, era o máximo que seus adversários aguentavam.

Em 1937, ele ganhou do estado o quadro de certificado de Educação após ele ser convidado para demonstrar a capoeira para o então presidente do Brasil, Getúlio Dorneles Vargas.

Em 1942, Manuel dos Reis Machado abriu sua segunda escola no Terreiro de Jesus na Rua das Laranjeiras, hoje Rua Francisco Muniz Barreto. A escola está até hoje aberta e era supervisionada por seu antigo aluno, “Vermelho-27” até o início dos anos 80. A escola veio então sob a breve supervisão de Mestre Almiro, antes de ser transferida a Mestre Bamba; o homem que conduz a escola hoje. Ele também ensinou capoeira para o exército e na academia de polícia. Foi então considerado “o pai da capoeira moderna”.

Nomes importantes da sociedade brasileira naquele época como o Dr. Joaquim de Araújo Lima (antigo governador de Guaporé), Jaime Tavares, Rui Gouveia, Alberto Barreto, Jaime Machado, Delsimar Cavalvanti, César Sá, Decio Seabra, José Sisnando e muitos outros eram alunos de Bimba.

Legado

Triste com falsas promessas e a falta de apoio das autoridades locais na Bahia, mudou-se para Goiânia em 1973 ao convite de um antigo aluno. Morreu um ano mais tarde, em 05 de Fevereiro de 1974 no Hospital das Clínicas de Goiânia, devido a um derrame. A causa de sua morte foi o "Banzo" (doença da saudade), acarretando numa parada cardíaca fatal. Sepultado em Goiânia, seus restos mortais foram transladados para Salvador em 20 de julho de 1978.

Bimba tentou recuperar os valores originais dentro da capoeira, que foram usados entre os escravos negros de séculos antes dele. Para Bimba, a capoeira era uma luta, mas a “competição” devia ser permanentemente evitada já que acreditava que era uma luta de “cooperação”, onde o jogador mais forte é sempre responsável pelo jogador mais fraco e o ajuda a se sobressair em suas próprias técnicas da luta.

Manuel dos Reis Machado lutou toda sua vida pelo o que ele fortemente acreditou que era o melhor para o capoeira e teve êxito. Após ele morrer em 1974, um de seus filhos, “Nenel” (Manoel Nascimento Machado), aos 14 anos, tomou para si o legado da capoeira de seu pai. Nenel é ainda responsável pela notável cultural e legado histórico que seu pai deixou a ele e é presidente da Escola de Capoeira Filhos de Bimba.

Regras da acadêmia Bimba

Bimba acreditou fortemente que a capoeira tinha um extraordinário valor como uma arte marcial de autodefesa, por isso seus esforços para desenvolver seu aprendizado de uma maneira estruturada e metódica.

Bimba desenvolveu um método de ensino da capoeira com ensinamentos, princípios e tradições, que são ainda parte da capoeira regional até hoje. Alguns de seus ensinamentos são:

  • Pare de fumar e beber já que interfere com o desempenho dos jogadores;
  • Evite demonstrar seu progresso como um jogador de capoeira fora da academia (o fator “surpresa” é crucial);
  • Evite conversar durante o treino, ao invés disso observe e aprenda mais observando.
  • Pratique diariamente os fundamentos básicos.
  • Não fique receoso em chegar perto de seu oponente - quanto mais próximo você estiver, mais você aprenderá.
  • Mantenha seu corpo relaxado.
  • É melhor apanhar na roda do que nas ruas.
  • Os estudantes devem manter boas maneiras na escola
Bimba também estabeleceu seus próprios princípios como a base para seu método de ensino da capoeira:

  • Gingar sempre (para manter-se em movimento constante ao lutar); ginga é o movimento básico do capoeira;
  • Esquivar sempre (desviar dos ataques do oponente);
  • Todos os movimentos devem ter uma finalidade (atacar e corresponder o movimento de defesa do ataque);
  • Preservar uma posição fixada constantemente no solo (os saltos acrobáticos o tornam vulnerável);
  • Jogue de acordo com o ritmo determinado pelo berimbau (instrumento musical da capoeira):
  • Respeite um jogador quando ele/ela já não pode se defender de um movimento de ataque;
  • Proteja a integridade física e moral do oponente (durante a prática, o mais forte protegerá o jogador mais fraco).
Consequentemente, Bimba criou diversas tradições e rituais para apoiar sua metodologia:

  • Uma cadeira era usada para ajudar a treinar estudantes/jogadores novatos;
  • A charanga é a orquestra da capoeira, composta por um berimbau e por dois pandeiros;
  • O canto (quadras e corridos), canções compostas por Bimba para acompanhar o jogo;
  • O batizado (batismo), a primeira vez que o estudante joga capoeira ao som do berimbau.
Os aspectos que ainda tornam a capoeira regional única é seu método:
  • Exame da admissão (teste físico feito com movimentos da capoeira para identificar habilidades dos estudantes);
  • A sequência dos 17 movimentos básicos de ataque e defesa da capoeira; as 8 Sequências de Bimba.
  • Prática dos diferentes ritmos de jogo;
  • Movimentos específicos: traumatizante, projeção, conectado e desequilibrante;
  • Prática da cintura desprezada (segunda sequência praticada por alunos avançados);
  • Formatura (graduação do professor de capoeira);
  • Especialização e emboscada (exames avançados específicos).
Curiosidade: Mestre Bimba criou uma gradução na capoeira, que consistia em 4 lenços de esguião de seda:

1- Lenço cor azul - aluno formado
2- Lenço cor vermelho - aluno formado e especializado
3- Lenço cor amarelo - curso de armas
4- Lenço cor branco - mestre de capoeira

AVISO IMPORTANTE

Pessoas estão se passando pelo Mestre Camisa na internet, através de emails e MSN, fazendo mau uso não só do nome do mestre como da ABADÁ-CAPOEIRA. Infelizmente é uma realidade que existe dentro da internet, pela facilidade de criar perfis falsos, páginas de internet de baixa qualidade e conteúdo e emails que vai lá saber quem é o verdadeiro dono.

Felizmente, quem conhece o Mestre Camisa sabe que ele é uma pessoa simples, que dá mais importâcia as relações pessoais e não tem o menor interesse no “convívio virtual”, tanto que no momento que alguém se passou por ele no MSN, já encontrou alguém que estranhou encontrá-lo ali, logo se descobriu a farsa.

Se você tem algo a tratar com o Mestre Camisa e precisa ser feito via internet, entre em contato com ele pelo email, e só por este email:

mestrecamisa@globo.com

Qualquer outro email, MSN, skype, sites de relacionamento tipo orkut, Facebook, etc, devem ser denunciados.
Quaisquer infomações entre em contato com nosso email:

blog@abadacapoeira.com.br

Nos ajudem a tornar a internet um lugar melhor.

Obrigado,
SITE E BLOG ABADÁ-CAPOEIRA

sábado, 18 de julho de 2009

Besouro Mangangá - Manoel Henrique Pereira

Manoel Henrique Pereira (1897?-1920?), Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro foi um lendário capoeirista da região de Santo Amaro, Bahia. Muitos e grandiosos feitos lhe são atribuídos. Diziam que tinha o "corpo fechado", que balas e punhais não podiam feri-lo. Porém, mesmo as circunstâncias da sua morte são contraditórias. Há versões de que foi num confronto com a polícia, e outras que foi na "trairagem", num ataque de faca pelas costas.

A palavra capoeirista assombrava homens e mulheres, mas o velho escravo Tio Alípio nutria grande admiração pelo filho de João Grosso e Maria Haifa. Era o menino Manuel Henrique Pereira que, desde cedo aprendeu, com o Mestre Alípio, os segredos da Capoeira na Rua do Trapiche de Baixo, em Santo Amaro da Purificação, sendo batizado como Besouro Mangangá por causa da sua flexibilidade e facilidade de desaparecer quando a hora era para tal.

Negro forte e de espírito aventureiro, nunca trabalhou em lugar fixo nem teve profissão definida.

Quando os adversários eram muitos e a vantagem da briga pendia para o outro lado, "Besouro" sempre dava um jeito, desaparecia. A crença de que tinha poderes sobrenaturais veio logo, confirmando o motivo de ter ele sempre que carregar um "patuá". De trem, a cavalo ou a pé, embrenhando-se no matagal, Besouro, dependendo das circunstâncias, saia de Santo Amaro para Maracangalha, ou vice-versa, trabalhando em usinas ou fazendas. Certa vez, quem conta é o seu primo e aluno Cobrinha Verde, sem trabalho, foi a Usina Colônia (hoje Santa Eliza) em Santo Amaro, conseguindo emprego. Uma semana depois, no dia do pagamento, o patrão, como fazia com os outros empregados, disse-lhe que o salário havia "quebrado" para São Caetano. Isto é: não pagaria coisa alguma. Quem se atrevesse a contestas era surrado e amarrado num tronco durante 24 horas. Besouro, entretanto, esperou que o empregador lhe chamasse e quando o homem repetiu a célebre frase, foi segurado pelo cavanhaque e forçado a pagar, depois de tremenda surra.

Misto de vingador e desordeiro, Besouro não gostava de policiais e sempre se envolvia em complicações com os milicianos e não era raro tomava-lhes as armas, conduzindo-os até o quartel. Certa vez obrigou um soldado a beber grande quantidade de cachaça. O fato registrou-se no Largo de Santa Cruz, um dos principais de Santo Amaro. O militar dirigiu-se posteriormente à caserna, comunicando o ocorrido ao comandante do destacamento, Cabo José Costa, que incontinente designou 10 praças para conduzir o homem preso morto ou vivo. Pressentindo a aproximação dos policiais, Besouro recuou do bar e, encostando-se na cruz existente no largo, abriu os braços e disse que não se entregava. Ouviu-se violenta fuzilaria, ficando ele estendido no chão. O cabo José aproximou-se e afirmou que o capoeirista estava morto. Besouro então ergueu-se, mandou que o comandante levantasse as mãos, ordenou que todos os soldados se fossem e cantou os seguintes versos: Lá atiraram na cruz/ eu de mim não sei/ se acaso fui eu mesmo/ ela mesmo me perdoe/ Besouro caiu no chão fez que estava deitado/ A polícia/ ele atirou no soldado/ vão brigar com caranguejos/ que é bicho que não tem sangue/ Polícia se briga/ vamos prá dentro do mangue.

As brigas eram sucessivas e por muitas vezes Besouro tomou partido dos fracos contra os propritários de fazendas, engenhos e policiais. Empregando-se na Fazenda do Dr. Zeca, pai de um rapaz conhecido por Memeu, Besouro foi com ele às vias de fato, sendo então marcado para morrer.

Homem influente, o Dr. Zeca mandou pelo próprio Besouro, que na atilde; não sabia ler nem escrever, uma carta para um amigo seu , administrador da Usina Maracangalha, para que liquidasse o portador. O destinatário com rara frieza mandou que Besouro esperasse a resposta no dia seguinte. Pela manhã, logo cedo, foi buscar a resposta, sendo então cercado por cerca de 40 soldados, que incontinente mandaram fogo, sem contudo atingir o alvo. Um homem entretanto, conhecido por Eusébio de Quibaca, quando notou que Besouro tentava afastar-se gingando o corpo, chegou sorrateiramente e desferiu-lhe um golpe violento com uma faca de tucum* (ticum). Manuel Henrique, o Besouro Mangangá, morreu jovem, com 27 anos, em 1924, restando ainda dois dos seus alunos Rafael Alves França, Mestre Cobrinha Verde e Siri de Mangue.

Hoje, Besouro é símbolo da Capoeira em todo o território baiano, sobretudo pela sua bravura e lealdade com que sempre se comportou com relação aos fracos e perseguidos pelos fazendeiros e policiais.

Várias músicas de capoeira são sobre Besouro como a está abaixo:

Besouro Mangangá

Autor: Perninha

Besouro Mangangá
Besouro Mangangá

João Grosso e Maria Haifa
Nunca iriam descobrir
Que de sua união
Uma lenda ia surgir

coro

Cidade de Santo Amaro
Terra do Maculelê
Viu os Mestres Popo e Vavá
E viu Besouro a nascer

coro

Besouro cordão de ouro
Manoel Henrique Pereira
Desordeiro pra polícia
Uma lenda pra capoeira

coro

Mandinga não vai pegar
Pois tinha corpo fechado
Conheceu Noca, Barroquinha
Doze Homens e Canário Pardo

coro

Lenda diz que Mangangá
Também sabia voar
Transformando em besouro
Pra da polícia escapar

coro

Mataram Besouro Preto
Não foi tiro nem navalha
Com uma faca de tucum
Na velha Maracangalha

*Obs: Faca de tucum: faca de tocum, ticum, ou tucum é uma palmeira existente no Nordeste brasileiro (Astrocaryum vulgare Mart.) As diferentes partes da palmeira tem uso no artesanato e para confecção de ferramentas. O cerne, a madeira interior da palmeira é dura como ferro e dela pode-se fazer uma faca.

Agora só para quem acredita: Ticum é madeira forte, como a gameleira, é madeira de Orixá. Besouro era feito nas artes da capoeira, com muita sabedoria. Era também protegido dos Orixás. Foi Tia Zulmira, de Santo Amaro da Purificação, sabida dos Orixás, Inquices e Voduns que fechou o corpo de Besouro. Ele era mesmo filho de Ogum. Filho de um Ogum bravo, de boa briga. Besouro tinha também Xangô e era justo. Com o corpo fechado por Zulmira nada poderia atingir Besouro. Nem bala, nem arma comum. Só mesmo madeira de Orixá, permitida o uso quando o falecido não cumpria suas obrigações. Ou quando estáva na hora de deixar o Aiê e virar ancestral. Besouro virou ancestral. Egum Baba. Ele visita as rodas de capoeira, chamado de berimbau. Às vezes resolve até vadiar um pouco...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Zumbi dos Palmares

Guerrilheiro negro brasileiro nascido em um dos mocambos do quilombo de Palmares, o líder mais famoso desse famoso quilombo e cuja vida tornou-se envolta em mitos e discussões. Descendente dos guerreiros imbangalas ou jagas, de Angola, com poucos dias de vida foi aprisionado pela expedição de Brás da Rocha Cardoso e dado ao padre Antônio Melo em Porto Calvo (1655). Batizando como Francisco cresceu demonstrando uma inteligência privilegiada, e favorecido pela admiração do padre, aos 10 anos já sabia português e latim e aos 12 era coroinha. Aos 15 anos fugiu da casa do padre para voltar a Palmares, onde adotou o nome de Zumbi e passou a trabalhar na liderança dos quilombeiros. Participou da batalha em que a expedição de Jácome Bezerra foi derrotada (1673). Três anos depois, em um combate contra as tropas de Manuel Lopes Galvão, foi ferido com um tiro na perna (1676). Revoltado com a assinatura de um acordo de paz (1678), rompeu com Ganga-Zumba e foi aclamado Grande Chefe pelos revoltosos que não aceitaram o acordo. Atacado pelas tropas lideradas por Domingos Jorge Velho (1694), foi baleado, mas conseguiu fugir espetacularmente. Um ano depois reapareceu e com cerca de 2000 palmarinos voltou a atacar povoados em Pernambuco, especialmente para conseguir armas e munições. No entanto, em um dos ataques, um de seus grupos foi derrotado, e o seu comandante, Antônio Soares foi preso (1695). Após ser torturado pelo bandeirante e mercenário paulista André Furtado de Mendonça, este lhe ofereceu a liberdade em troca da revelação do esconderijo de Zumbi e, em 20 de novembro daquele ano, Soares levou Mendonça até o esconderijo, na Serra Dois Irmãos. Conta-se que ao ver Soares, o grande chefe dos revoltosos foi abraçá-lo, mas foi recebido com uma punhalada no estômago. Os paulistas atacaram e o rebeldes presentes foram mortos. Seu corpo, perfurado por balas e punhaladas, foi levado a Porto Calvo, onde sua cabeça foi decepada e enviada para Recife, que por ordem do governador foi espetada em um poste para exposição pública até sua total decomposição. O dia 20 de novembro tornou-se o Dia da Consciência Negra.

Para mim, a história de Zumbi dos Palmares tem que ter mais enfasê nas escolas do que ficar lembrando de fatos econômicos que com certeza afetam a história Brasileira, mas não mais do que este. E para mim, todos que se dizem capoeiristas devem saber na ponta da língua a história deste homem. Imaginem se não existisse Zumbi e nem Palmares?

Mais informações aqui: Zumbi dos Palmares
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