quarta-feira, 30 de junho de 2010

Método Brincadeira de Angola: Capoeira para Crianças a partir de um ano

Apresentarei neste artigo o método “BRINCADEIRA DE ANGOLA – capoeira para crianças”, que poderá ser utilizado para subsidiar professores que sentem necessidade de embasamento na sua prática com crianças pequenas, a partir de um ano. “UM ANO??? COMO É QUE PODE, ELES NÃO FAZEM NADA AINDA!!! NÃO É POSSÍVEL ENSINAR capoeira PARA CRIANÇAS DE UM ANO!”, é a reação que sempre recebo ao apresentar o método. Lembro a todos que, há duas décadas, diziam o mesmo sobre aulas para crianças de 4 ou 5 anos…

Fases do desenvolvimento trabalhadas pela capoeira (desenho: Stanley Keleman - Anatomina Emocional - 1985

Desde os anos 90 vemos um crescimento enorme das aulas de capoeira para crianças, crescimento este que não foi acompanhado por uma preparação pedagógica dos professores, inclusive este que vos escreve.

Como a maioria dos professores, comecei a dar aulas muito jovem e, sem uma preparação específica, me vi perdido nos primeiros dias. Isto foi em 1995… na época em que ligávamos para uma escola oferecendo capoeira e eles diziam: “capoeira não, vocês não tem judo?”…

Com o passar dos anos, me especializei em capoeira para crianças e desenvolvi o método “BRINCADEIRA DE ANGOLA-Capoeira para crianças”. Continuei pesquisando e, sentindo a necessidade de maior aprendizado, ingressei no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde me formei e por onde publiquei diversos artigos sobre capoeira e educação no meio acadêmico.

O método BRINCADEIRA DE ANGOLA foi criado pela necessidade de se ultrapassar as aulas clássicas de capoeira para crianças, aulas estas muitas vezes adaptadas de jogos da Educação Física Escolar (EFE).

O intuito foi elaborar uma Pedagogia da capoeira, específica desta arte, tendo por base o estudo do ethos da capoeira, do que a distingue de outros campos do saber: a ancestralidade como base, os Mestres como meio e a emancipação como fim.

O método utiliza conhecimentos de diversas áreas acadêmicas, reconhecendo o valor da EFE, da Psicologia, da Pediatria etc, mas é fundamentalmente baseado nos conhecimentos ancestrais da capoeira, divididos em 4 áreas complementares: Movimento, música, Social e Afetiva.

Falarei neste artigo somente do aspecto psicomotor, de forma resumida. Para maiores detalhes podem contatar-me ou visitar o site Brincadeira de Angola – "Capoeira para crianças no Rio de Janeiro”.

MOVIMENTO NATURAL

Observando o jogo de capoeira angola de mestres como João Pequeno, impressiona a simplicidade dos movimentos utilizados e a ausência de estresse muscular, em posições corporais naturais ao corpo humano, como queda-de-quatro, cocorinha, rabo-de-arraia etc. A capoeira angola, praticada desta forma, é a base da simplicidade do método BRINCADEIRA DE ANGOLA para crianças a partir de um ano, pois a maioria das crianças nesta idade já dominou os 5 estágios necessários para se mover com um repertório corporal similar ao utilizado pelo mestre João Pequeno e outros grandes mestres de capoeira angola, que sabiamente chegam a uma idade avançada ainda vadiando capoeira.

Relaciono estes estágios com o mundo animal:
  1. Animais aquáticos: Contração e expansão.
  2. Répteis: Arrastar-se
  3. Quadrúpedes: Andar em quatro apoios
  4. Símios: acocorar-se
  5. Humano: Eretibilidade

Fases: 1- Animais aquáticos: Contração e expansão. 2- Repteis: Arrastar-se. 3- Quadrúpedes: Andar em quatro apoios. 4- Símios: acocorar-se. 5- Humano: Eretibilidade

Fase 1 – Animais aquáticos

Nesta fase acompanhamos os primeiros movimentos que a criança utilizou em seu desenvolvimento uterino, um meio aquático: contração e expansão.
Preservar estes movimentos é essencial para a saúde corporal e para isso utilizamos materiais simples como colchões ou rolos de espuma, auxiliando as crianças a realizar rolamentos laterais ou frontais, como cambalhotas. Futuramente estes movimentos darão lugar a formas mais elaboradas de contração e expansão, como queda-de-rim.

Fase 2- Réptil

O arrastar é a próxima fase no desenvolvimento motor da criança, quando ela realiza movimentos de oposição entre braços e pernas para se locomover. Trabalhamos esta fase incentivando a criança a arrastar-se sobre rampas e colchões, preservando o movimento natural que futuramente será utilizado no jogo de chão da capoeira, como na "tesoura de Angola".

Fase 3 – Quadrúpede

O andar em quatro apoios é crucial para a saúde da coluna vertebral, pois é nesta fase que se definem as curvaturas lombares e cervicais. Nas aulas de capoeira é extremamente simples utilizar jogos com animais para se trabalhar este movimento.

Fase 4- Símios

O acocorar confortavelmente, com a planta dos pés completamente chapadas no chão, é um dos movimentos mais preciosos no repertório corporal humano e, infelizmente, devido ao mau uso de cadeiras e outros apetrechos modernos, é extremamente árduo para adultos com encurtamentos musculares. Estes mesmos adultos que hoje não conseguem fazer uma simples cocorinha (mesmo que consigam fazer um mortal parafuso), perderam algo valioso no caminho: a naturalidade do movimento.
A evolução natural do movimento passa necessariamente do acocorar para o ficar de pé, ou seja, toda criança com desenvolvimento saudável, ira equilibrar-se primeiro de cócoras, para depois se levantar.
Nas aulas de capoeira é possível intervir precocemente para a manutenção deste precioso movimento, nossa “cocorinha”.

Fase 5 – Eretibilidade

Em torno de um ano de idade a criança já se levanta e ensaia o seu futuro andar, que será dominado quando a oposição entre o movimento dos braços e das pernas for alcançado. Se simplesmente o professor de capoeira tocar seu berimbau e deixar a criança dançar livremente, sem apresentar modelos pré-determinados de ginga, ele verá o nascimento de uma ginga espontânea, criativa e natural ao corpo da criança.

Para pensar…

A criança de um ano de idade já tem domínio de todas estas fases, estando apta a ser iniciada no mundo da capoeira.
Fica para o professor a prazerosa missão de ser o catalisador deste processo, criando as condições necessárias para um aprendizado autêntico, emancipador e autónomo, pois será construído de forma harmonica entre a naturalidade da evolução motora infantil e a sabedoria da gestualidade da capoeira.

Omri Breda
Brincadeira de Angola

Fonte: Portal Capoeira

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Mercadorização da Capoeira

O Manneken-Pis, monumento mais célebre de Bruxelas, capital da Bélgica, se vestiu de capoeirista nesta sexta-feira para celebrar a Independência do brasil e promover a primeira Bienal de Artes Plásticas Brasileiras do país. Leia Mais: Estátua símbolo de Bruxelas ganha roupa de capoeirista


O crescimento da capoeira a nível mundial tem sido um fenômeno importantíssimo de divulgação e valorização dessa arte-luta que durante muito tempo sofreu uma perseguição implacável no brasil. Porém essa “globalização” da capoeira traz também conseqüências negativas. O capitalismo sabe muito bem como se apropriar dos bens produzidos pela sociedade - sejam eles materiais ou imateriais - para adequá-los à sua lógica perversa. Percebemos assim, uma tendência que vem crescendo nos últimos anos, de transformação da capoeira em mais uma mercadoria na prateleira dos “shopping centers das culturas globalizadas”. Se por um lado, isso garante a divulgação dessa manifestação para um público cada vez maior, por outro faz com que ela perca muito dos seus traços identitários que a caracterizam como cultura tradicional de resistência.

Muito nos preocupa uma determinada visão sobre capoeira – que predomina atualmente numa parcela muito grande de mestres, professores e alunos – que enfatiza somente os aspectos mercadológicos dessa manifestação, priorizando modismos e uma estética “espetacularizada” e superficial da prática da capoeira, em detrimento de uma visão mais profunda, preocupada com a historicidade, a ancestralidade, os aspectos rituais, a filosofia e os valores implícitos nessa prática, que tornam o praticante de capoeira, um sujeito mais consciente sobre si mesmo, e sobre a sociedade da qual faz parte.
E em nossa opinião, é justamente aí que reside o valor educativo da capoeira. Ela só pode servir como instrumento de educação, se estiver voltada para esses valores mais profundos da existência humana, que a experiência africana no brasil soube tão bem traduzir. Uma manifestação que foi capaz de resistir a séculos de violência e opressão e soube preservar as formas tradicionais de transmissão dos saberes através da oralidade, do respeito aos mais velhos e aos antepassados, da valorização dos rituais, do respeito ao outro (mesmo sendo ele adversário!), do sentido de solidariedade e da vida em comunidade. Esses valores constituem-se em saberes riquíssimos que estão presentes na capoeira e, que num processo educativo, têm muito a contribuir na formação de sujeitos mais humanizados e conscientes de seu papel na sociedade.

Por outro lado, se a capoeira for vista apenas como uma estratégia de marketing, como prática corporal de modismos feita por corpos musculosos e acrobáticos, dissociada de seus aspectos históricos e culturais, ou como mera mercadoria de consumo, voltada para grandes massas que se satisfazem com práticas superficiais e descompromissadas, ela então deixa de ter esse caráter de prática libertadora e contestadora da ordem social injusta - característica que sempre a acompanhou desde sua origem - para transformar-se em mais uma mera atração do parque de diversões da “feliz” e excludente sociedade de consumo capitalista.

Não podemos deixar que isso aconteça !!!

Pedro Abib

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Curso com o Mestre Camisa - Porto Alegre

Mestre Camisa - 2008

Será realizado nos dias 25, 26 e 27 de Junho de 2010 um curso de aperfeiçoamento com Mestre Camisa. Presidente-Fundador da ABADÁ-Capoeira.

PROGRAMAÇÃO:

SEXTA-FEIRA - 25/06/2010
Local: Academia Práxis
18:30h - Laranja para cima
20:00h - Até Amarela/Laranja

SÁBADO - 26/06/10
Local: Fundação Pão dos Pobres
09:00h - Até Amarela/Laranja
10:30h - Laranja para cima
14:00h - Até Amarela/Laranja
16:00h - Laranja para cima

DOMINGO - 27/06/10
Local: Fundação Pão dos Pobres
09:00h - Até Amarela/Laranja
10:30h - Laranja para cima
09:00h - Até Amarela/Laranja
10:30h - Laranja para cima

*** A tarde a combinar: Bate papo e roda de encerramento (não confirmado).

ALOJAMENTO: Sábado para domingo : R$ 15,00 (somente 25 vagas). Façam contato e reservem.

Instrutora Coelha 51-9812-3909
Professor Sorridente 51-9325-3581

Aguardamos à todos...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Capoeira é reconhecida como desporto de criação Nacional

Com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, na noite de ontem, que Estabelece o combate a discriminação racial e as desigualdades estruturais e de gênero que atingem os afro-brasileiros, incluindo a dimensão racial nas políticas públicas e outras ações desenvolvidas pelo estado.

DA CULTURA
ART. 21 O poder público garantirá o registro e proteção da capoeira, em todas as suas modalidades, como bem de natureza imaterial e de formação da identidade cultural brasileira.
Parágrafo único. O poder público buscará garantir, por meio dos atos normativos necessários, a preservação dos elementos formadores tradicionais da capoeira nas suas relações internacionais.

Do Esporte e Lazer
ART. 23 O poder público fomentará o pleno acesso da população negra ä prática desportiva, consolidando o esporte e o lazer como direitos sociais.

ART. 24 "A capoeira é reconhecida como desporto de criação nacional nos termos do art. 217 da CF."
Parágrafo 1 A atividade de capoeira será reconhecida em todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança ou música, sendo livre o exercício em todo o território nacional.
Parágrafo 2 Ë facultado o ensino da capoeira nas instituições públicas e privadas pelos mestres tradicionais, pública e formalmente reconhecidos.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Senado aprova Estatuto da Igualdade Racial

Depois de sete anos de tramitação, foi aprovado ontem no Senado o Estatuto da Igualdade Racial, faltando agora apenas a sanção do presidente Lula.

O projeto de lei 213/03, do senador Paulo Paim, (PT/RS). reconhece a capoeira como esporte e prevê recursos para sua prática, e engloba também:

* a implantação da disciplina História da África e o Negro no Brasil em todas as escolas públicas e privadas, para o Ensino Médio e Fundamental;
* a criação de linhas especiais de financiamento público para quilombolas;
* a proibição de exigências que se refiram a aspectos étnicos para vagas de empregos;
* a criação de ouvidorias em defesa da igualdade racial;
* a prática livre de cultos religiosos de origem africana;
* punição para a prática de racismo na Internet.

Na Câmara dos Deputados o Estatuto da Igualdade Racial foi aprovado em setembro de 2009 e, desde então os deputados já tinham tirado do texto original a previsão de cotas para negros em universidades, televisão e filmes.

No senado também foi excluída a criação de cotas em empresas e em partidos. As exclusões são motivo de polêmica e insatisfações dentro do movimento negro.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Brasil ou África: onde nasceu a capoeira?

Esta Crônica o Capoeira-Pesquisador Raphael Pereira Moreno (São Carlos-SP) faz uma análise crítica sobre a origem da Capoeira
    
Uma característica que torna esse assunto tão instigante e difícil de ser esgotado é a falta de registros sobre a escravidão no Brasil. Devido a essa peculiaridade, acabam surgindo diversas hipóteses divergentes sobre a história do aparecimento da capoeira. Inclusive mestres renomados como Bimba e Pastinha discordavam sobre esse assunto. Para Bimba, os negros eram de Angola, mas a capoeira teria surgido no Recôncavo Baiano. Em contra partida, para Pastinha, a capoeira teria vindo pronta da África.

            A maioria dos pesquisadores que defendem o surgimento na África, se baseiam na ligação entre a capoeira e o N'Golo ou Dança das Zebras, ritual onde os negros Bantos, através de cabeçadas e pontapés, disputavam o direito de casar com uma jovem. Dizem inclusive que a dança apenas mudou seu nome aqui no Brasil. Na língua Kikongo, falada em algumas regiões de Angola, N'Golo significa força ou poder.

            Porém, durante o início da escravidão no Brasil, na tentativa de evitar ou minimizar possíveis rebeliões, os navios negreiros traziam negros de diversas etnias em grupos misturados, amontoados, sem higiene nem alimentação adequada, e assim eles seguiam para trabalhar nas fazendas. Essas etnias possuíam línguas, danças, lutas e culturas diferentes. Portanto, sem conseguir se comunicar, e não tendo ligação cultural alguma entre eles, os negros teriam muito mais dificuldade de se organizar e lutar pela liberdade.

            Esse fato torna pouco confiável a hipótese de que a capoeira já tenha vindo pronta da África, trazida pelo navio negreiro. Além disso, em nenhum outro país a capoeira foi encontrada, inclusive na África não há registros. Em países que se utilizaram dos escravos africanos, como Martinica e Cuba, existem algumas manifestações parecidas, lutas que se assemelham à capoeira, pois segundo Muniz Sodré, é conhecida a tradição de lutas africanas que utilizavam pernadas e cabeçadas para atacar. No importante registro “Viagem pitoresca ao Brasil”, Debret também registrou os negros volteadores, que seguiam ao lado dos enterros dando saltos mortais e outras acrobacias.

            Analisando todos esses fatos, julgo mais aceitável que tenha ocorrido aqui no Brasil, uma fusão entre diversas lutas e danças de diferentes regiões africanas, estas sim trazidas na memória dos negros. E essa fusão ocorrendo no Brasil, nos leva a conclusão de uma capoeira afro-brasileira. Criada a partir das manifestações africanas, porém em solo brasileiro. Portanto, dependendo da interpretação, posso dizer que a capoeira teve seu princípio na África, levando em consideração a origem das manifestações que  foram utilizadas, consciente ou inconscientemente, na criação da capoeira. Mas também posso afirmar que nossa arte teve seu início no Brasil, pensando no local onde acredito que tenha surgido.

            De qualquer forma, é inegável a ligação entre a capoeira que conhecemos hoje e o povo africano. Desde a utilização dos cantos ao formato da roda de capoeira, tudo nos revela a presença dos valores fundamentais africanos nos rituais. Porém a capoeira com o passar do tempo também foi absorvendo os fatores locais, como por exemplo o lado musical. Sabe-se que dos negros iorubás a capoeira recebe o ritmo ijexá e que os negros bantos contribuíram com o berimbau, mas segundo Dr. Decânio, na capoeira que temos hoje, além da grande contribuição africana, os portugueses também tiveram sua participação introduzindo a chula, o improviso, o pandeiro e a viola.

Ambiente rural ou  urbano?

            Outra questão importante, que também segue as mesmas características de falta de registros, é , uma vez no Brasil, por onde a capoeira teria surgido e se alastrado. Seria pela zona rural, através do tráfico negreiro durante o século XIX, quando já era proibida a venda de escravos, ou através dos portos, em ambiente urbano?

            Alunos de mestre Bimba, como Decânio e Acordeon, defendem uma propagação da capoeira, especialmente na Bahia, através dos portos, em zona urbana. Para eles, durante o trabalho nos portos, ficando na dependência das marés, os trabalhadores ocupavam o tempo de espera batucando e jogando capoeira. Eles nos contam que os focos de capoeira surgiram primeiro nas cidades que possuíam portos.

            Mas na época colonial, durante o período em que a escravidão foi a base da economia brasileira, o negro foi mantido cativo como objeto de trabalho nos engenhos, canaviais e cafezais. Com o tempo, sem concordar com os maus tratos do cativeiro, os negros começam a fugir das senzalas se utilizando dos pés, mãos e cabeça para lutar contra feitores armados com armas de fogo e o temível chicote. De modo inteligente, camuflando o treinamento de guerra em dança, os negros conseguiam praticar essa habilidade de luta sob os olhares dos seus senhores. Quando conseguiam fugir, os negros se juntavam nas matas em quilombos, numa verdadeira luta pela sobrevivência. Existiram diversos quilombos, sendo o mais famoso o Quilombo de Palmares, na serra da barriga, Alagoas. Nele surge Zumbi, o último líder de Palmares, se tornando o maior símbolo da luta dos negros pela liberdade.

            É discutível o modo como a capoeira se propagou, mas acredito que o seu surgimento esteja ligado à luta pela liberdade dos negros escravos das fazendas, em ambiente rural. Hoje em dia ainda continuamos nessa luta pela liberdade... a liberdade de expressão, a liberdade de preconceitos.

            Mas será que em todo lugar foi assim? Será que nos focos iniciais de capoeira: Bahia, Rio e Pernambuco, a história foi a mesma? Quais foram os legados da capoeira desses três estados? Continuamos a discussão....
           
São Carlos - Nov/2004

Fontes consultadas:

1.           Waldeloir Rego. “Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico”. Ed Itapoan, Salvador, 1968.
2.           Decanio. “Herança de Pastinha. Metafísica da Capoeira”. Ed. caseira.
3.           Nestor Capoeira. “Os fundamentos da malícia”. Ed. Record.
4.           Jangada Brasil.
5.           Debret, Jean-Baptiste. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil. SP, Círculo do Livro.
6.           Documentário. “A capoeiragem no Brasil”.  TVE Bahia.
7.           Ana Cristina Vargas. “Escravo da ilusão”, Ed. Boa Nova

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Jongo

Jongo é uma manifestação cultural essencialmente rural diretamente associada à cultura africana no Brasil e que influiu poderosamente na formação do Samba carioca, em especial, e da cultura popular brasileira como um todo.
Inserindo-se no âmbito das chamadas 'danças de umbigada' (sendo portanto aparentada com o 'Semba' ou 'Masemba' de Angola), o Jongo foi trazido para o Brasil por negros bantu, seqüestrados nos antigos reinos de Ndongo e do Kongo, na região compreendida hoje por boa parte do território da República de Angola.
Composto por música e dança características, animadas por poetas que se desafiam por meio da improvisação, ali, no momento, com cantigas ou pontos enigmáticos ('amarrados') , o Jongo tem, provavelmente, como uma de suas origens mais remotas (pelo menos no que diz respeito á estrutura dos pontos cantados) o tradicional jogo de adivinhas angolano, denominado Jinongonongo. Uma característica essencial da linguagem do Jongo é a utilização de símbolos que, além de manter o sentido cifrado, possuem função supostamente mágica, provocando, supostamente, fenômenos paranormais. Dentre os mais evidentes pode-se citar o fogo, com o qual são afinados os instrumentos; os tambores, que são consagrados e considerados como ancestrais da comunidade; a dança em círculos com um casal ao centro, que remete à fertilidade; sem esquecer, é claro, as ricas metáforas utilizadas pelos jongueiros para compor seus "pontos" e cujo sentido é inacessível para os não-iniciados.
Hoje em dia podem participar do Jongo homens e mulheres, mas esta participação, em sua forma original era rigorosamente restrita aos iniciados ou mais experientes da comunidade. Este fator relaciona-se a normas éticas e sociais bastante comuns em diversas outras sociedades tradicionais - como as indígenas americanas - baseadas no respeito e obediência a um conselho de indivíduos 'mais velhos' e no 'culto aos ancestrais'.
Pesquisas históricas indicam que o Jongo possui, na sua origem, relações com o hábito recorrente das culturas africanas de expressão bantu, durante o período colonial, de criar diversas comunidades, semelhantes a sociedades secretas e seitas político-religiosas especializadas, dentre as quais podemos citar até mesmo irmandades católicas, como a Congada. Estas fraternidades tiveram importante papel na resistência à escravidão, como modo de comunicação e organização, e até mesmo comprando e alforriando escravos.
Dançado e cantado outrora com o acompanhamento de urucungo (arco musical bantu, que originou o atual berimbau), viola e pandeiro, além de três tambores consagrados, utilizados até os nossos dias, chamados de Tambu ou 'Caxambu', o maior - que dá nome a manifestação em algumas regiões - 'Candongueiro', o menor e o tambor de fricção 'Ngoma-puíta' (uma espécie de cuíca muito grande), o Jongo é ainda hoje bastante praticado em diversas cidades de sua região original: o Vale do Paraíba na Região Sudeste do Brasil, ao sul do estado do Rio de Janeiro e ao norte do estado de São Paulo. Entre as diversas comunidades que mantêm (ou, até recentemente, mantiveram) a prática desta manifestação, pode-se citar, como exemplo, as localizadas na periferia das cidades de Valença, Vassouras , Paraíba do Sul e Barra do Piraí (Rio de Janeiro) além de Guaratinguetá e Lagoinha (São Paulo), com reflexos na região dos rios Tietê, Pirapora e Piracicaba, também em São Paulo (onde ocorre uma manifestação muito semelhante ao Jongo conhecida pelo nome de 'Batuque') e até em certas localidades no sul de Minas Gerais.
Na cidade do Rio de Janeiro, a região compreendida pelos bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, já nos anos imediatamente posteriores à abolição da escravatura, centralizou durante muito tempo a prática desta manifestação na zona rural da antiga Corte Imperial, atraindo um grande número de migrantes ex-escravos, oriundos das fazendas de café do Vale do Paraíba. Entre os precursores da implantação do Jongo nesta área se destacaram a ex-escrava Maria Teresa dos Santos muitos de seus parentes ou aparentados além de diversos vizinhos da comunidade, entre os quais Mano Elói (Eloy Anthero Dias), Sebastião Mulequinho e Tia Eulália, todos eles intimamente ligados a fundação da Escola de Samba Império Serrano, sediada no Morro da Serrinha.
A partir de meados da década 70, no mesmo Morro da Serrinha, o músico percussionista Darcy Monteiro 'do Império' (mais tarde conhecido como Mestre Darcy), a partir dos conhecimentos assimilados com sua mãe, a rezadeira Maria Joana Monteiro (discípula de Vó Teresa), passando a se dedicar à difusão e a recriação da dança em palcos, centros culturais e universidades, estimulando por meio de oficinas e workshops, a formação de grupos de admiradores do Jongo que, embora praticando apenas aqueles aspectos mais superficiais da dança, deslocando-a de seu âmbito social e seu contexto tradicional original, dão hoje a ela alguma projeção nacional.
Ainda no âmbito da cidade do Rio de Janeiro, é digno de nota também o 'Caxambu do Salgueiro', grupo de Jongo tradicional que, comandado por Mestre Geraldo, animou, pelo menos até o início da década de 1980, o Morro do Salgueiro, no bairro da Tijuca e era composto por figuras históricas daquela comunidade, entre as quais Tia Neném e Tia Zezé, famosas integrantes da ala das baianas da Escola de Samba G.R.E.S Acadêmicos do Salgueiro.
Em 1996 aconteceu no município de Santo Antonio de Pádua, Rio de Janeiro, o I Encontro de Jongueiros, resultado de um projeto de extensão da Universidade Federal Fluminense/UFF, desenvolvido pelo campus avançado que a universidade possui neste município. Deste encontro participaram dois grupos de jongueiros da cidade e mais um de Miracema, município vizinho. A partir daí, o encontro passou a ser anual. Hoje, cerca de treze comunidades jongueiras participam deste Encontro. O mais recente, o XII Encontro de Jongueiros, foi realizado nos dias 25 e 26 de abril de 2008 em Piquete / SP e teve a participação de 1000 jongueiros das cidades de Valença-Quilombo São José, Barra do Pirai, Pinheiral, Angra dos Reis, Santo Antonio de Pádua, Miracema, Serrinha, Porciúncula, Quissamã, Campos, São Mateus, Carangola, São José dos Campos, Guaratinguetá, Campinas e Piquete.
Em 2000, durante a realização do V Encontro de Jongueiros, em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, foi criada a Rede de Memória do jongo e do Caxambu cujo objetivo é organizar as comunidades jongueiras e fortalecer suas lutas por terras, direitos e justiça social.

Quando os negros foram trazidos para o Brasil, trouxeram como bagagem suas práticas sociais, entre elas: a música, a dança e a religião. A música para eles, tinha conotação tanto religiosa como festiva e geralmente era associada a dança e ao canto.

É evidente, que com o passar do tempo, todas estas práticas foram sofrendo modificações ou ajustes, uma vez que, mesclou-se com a cultura do povo que aqui já habitava, passando então, a abordar novos temas. Também foram utilizados para estas evoluções, instrumentos europeus e indígenas, pelo seu fácil acesso e sobretudo, foi adotada a língua portuguesa, como língua de expressão.

Jongo é portanto, uma dança de origem afro-brasileira, do mesmo tronco do batuque, ambos ancestrais do samba e do pagode. O Jongo formou-se nas terras por onde andou o café. Surgiu na Baixada Fluminense, subiu a Mantiqueira. Entrou também pela Zona da Mata mineira. No estado montanhês o jongo é conhecido por "caxambu", aliás, denominação dada também ao instrumento fundamental dessa dança, o ataque grande, membranofônio, ora chamado tambu, ora angona, ora caxambu. Denominação essa só adstrita ao jongo porque ele tem muitos outros nomes pelo Brasil afora, em outras danças e cerimônias.

Em Taubaté, São Luís do Paraitinga, Pindamonhangaba e Cunha, encontram-se os últimos redutos de jongueiros do Vale Paulista, no momento, em fase de revivescência. Estruturado em roda, em torno de uma fogueira que ajuda a manter a afinação dos tambores, acontece hoje em praças públicas, da mesma forma que, outrora, acontecia nos terreiros. Com ela, os participantes homenageiam São Benedito e os antepassados negros.

DANÇA

Na dança participam homens e mulheres alternados, sempre em redor dos instrumentos, sendo o tambu e o candogueiro colocados no solo. É uma dança de roda que se movimenta no sentido contrário aos dos ponteiros do relógio.
No centro da roda, se posiciona um solista, um jongueiro, que canta sua canção, o “ponto”. Os demais respondem em coro de algumas vozes, fazendo movimentos laterais e batendo palmas, nos lugares. O solista improvisa passos movimentando todo o seu corpo. De vez em quando os dançantes dão um giro com o corpo e quando se cansam, saem da roda e descansam.

INSTRUMENTOS

O instrumental é composto geralmente, por dois tambores, um grande, o Tambu e um menor (também chamado joana), o Candongueiro. Encontramos ainda: uma Puíta, a nossa tão conhecida cuíca artesanal; um chocalho, o Guaiá, feito de folhas-de-flandes ou latas usadas.
O Tambu, atabaque grande, é um pedaço de madeira em que por meio de fogo é feito um buraco de ponta a ponta. Esse toco tem mais ou menos uns 100 a 120 cm de comprimento, e um diâmetro aproximado de 40 cm. Numa das extremidades é colocado um pedaço de couro de boi, e a outra fica livre. Para afinar o tambu, levam-no próximo ao fogo, o que lhe dá um som mais limpo e mais agudo. Quando o couro está frio, dizem que o tambu está rouco.
A execução do Tambu é feita com o tocador montado sobre ele, batendo no couro com as mãos espalmadas. Já o Candongueiro fica preso à cintura do tocador, que permanece de pé ou sentado.
O candongueiro, atabaque menor, é mais delicado e de menor dimensão, 80 a 100 cm, 30 cm de diâmetro, e o seu som é mais agudo, mais "mulher" e lhe foi dado o nome de "joana".
A Puíta é um pau roliço, oco, de mais ou menos 30 cm de comprimento e 15 ou 20 cm de diâmetro. Uma das bocas é recoberta por um couro. No centro deste amarram uma haste de madeira, bem lisa, de 30 cm de comprimento. Ela é tocada da seguinte maneira: o tocador coloca o instrumento entre os joelhos pressionando-o, e com um pano molhado esfrega a haste tirando o som. De vez em quando, coloca uma das mãos sobre o couro, externamente, o que faz tirar sons diferentes, ruídos que mais parecem grunhidos. Para conservar o pano molhado, trazem uma cabaça com água. Tomam um pouco da água e depois cuspindo-a na mão esfregam a haste. Há tocadores que não usam pano, somente a mão molhada, e assim conseguem tirar mais uma gama maior de sons do instrumento.
O Guaiá é uma latinha que contém dentro chumbinhos, pedrinhas ou "contas de capiá", tendo uma alça para segurar. Assemelha-se a uma caneca fechada. É um chocalho com alça. É tocado somente para mudar o canto, para desatar o ponto que está sendo dançado.
Ultimamente, têm-se visto violões e cavaquinhos no acompanhamento e alguns conjuntos de jongo usam até mesmo instrumentos de sopro em suas apresentações.

MELODIA

As melodias são construídas com o uso de poucos sons. A dificuldade reside no texto literário dos “pontos”, pois são todos enigmáticos, metafóricos. A inexistência de textos de sentido simbólico, que dá às palavras uma semântica peculiar aos jongueiros, parece ter tido origem durante a escravidão, quando os negros necessitavam transmitir informações indecifráveis pelos senhores.
O ponto pode ser cantado, rezado ou gungurado, isto é, usando a técnica erudita da "boca chiusa" - sussurro, murmúrio.
O jongo tem início sempre com uma louvação, acompanhada com muito respeito por todos os participantes. Em seguida são cantados os “pontos”, baseados em um verso curto e fácil de ser cantado, que nem sempre são improvisados, pois há aqueles tradicionais que correm o mundo. O ajuste das palavras à música é regulado por compassos fortes.
Quando o solista quer desafiar alguém, canta o “ponto de demanda”; este deverá decifrá-lo, cantando a resposta: fala-se então que “desatou o ponto”. Se não for decifrado, diz-se que “ficou amarrado”. Neste caso, o jongueiro “amarrado” pode passar por várias situações humilhantes e vexatórias, como cair no chão desacordado, ficar sem voz, ou não conseguir andar. É no domínio desse aspecto que se estabelece a hierarquia existente entre os participantes: “cumba” é termo que define os pretos-velhos, antigos na idade e na prática dessa expressão, mestres na arte do improviso, do “amarrar” e do “desatar pontos”.
O decifrador deve colocar a mão em um dos tambores e gritar “cachoeira” ou “machado” ocasião em que todos se calam. Em seguida canta a resposta.

MAGIA

Durante o jongo não há práticas fetichistas nem movimentos convulsivos na dança, mas ela é aproveitada veladamente, em ambientes mais tradicionais, para contatos sutis com a magia.
Acredita-se que um jongueiro quando é derrotado pode atrair para si alguma desgraça. Quando vai enfrentar um adversário afamado é bom enfiar uma faca de ponta fina em um pé de bananeira, fazendo assim uma "fundanga" para que ele não seja capaz de desatar um ponto.
Para se livrar de qualquer perigo, deve-se dançar com um galhinho de arruda ou guiné na orelha esquerda.
O jongo só deve ser dançado à noite, pois as artes que são feitas nele somente são realizadas enquanto não há sol. Geralmente as danças têm início às 21 horas e se prolongam até às 8 horas da manhã do dia seguinte.
Segundo Edir Gandra, autora de Jongo da Serrinha: do terreiro aos palcos (Rio de Janeiro: GGE/UNI-RIO, 1995), "o jongo é uma dança de roda, da qual participam homens e mulheres, realizada ao ar livre e à noite; conta a tradição oral dos jongueiros que era dançada pelos escravos, que a transmitiram a seus descendentes”.

No jongo os escravos podiam através dos pontos fazer suas combinações, contar suas amarguras e criticar seus senhores.
O jongo era uma "brincadeira" permitida pelos senhores, já que outros ajuntamentos dos negros, para os brancos, poderiam resultar em movimentos revoltosos. Assim preservou-se essa expressão folclórica até os dias atuais.

Hoje, encontramos no Grupo Cultural Jongo da Serrinha, formado pela quinta geração de jongueiros e por crianças e jovens da comunidade sob a liderança de Tia Maria do Jongo, um excelente trabalho de divulgação e preservação do patrimônio afro-brasileiro. Parabéns a todos!

Ocorrência:
Cunha, Lagoinha, Pindamonhangaba, São Luís do Paraitinga, Taubaté.

O jongo é uma das mais ricas heranças da cultura negra presente em nosso folclore, pois então, NÃO VAMOS DEIXAR ESTE SONHO ACABAR!


sexta-feira, 11 de junho de 2010

A capoeira e o samba no futebol-arte

Outra Copa do Mundo está aí, e nada mais apropriado que falar de futebol. Neste caso, sem deixar de lado a capoeira que, assim como o samba, teve um papel importante na formação do futebol brasileiro.

Trazido da Inglaterra por Charles Miller em 1894, o futebol era inicialmente considerado um"esporte de elite". Os negros e pobres, a princípio, não tinham vez no futebol.

Porém a simplicidade do esporte facilitou à sua popularização e, aos poucos o futebol passou a ser jogado nos mais diversos lugares com bolas improvisadas com latas amassadas, jornal, ou mesmo uma laranja.

Na década de 20, com a transição do amadorismo para o profissionalismo no futebol brasileiro, as restrições aos negros e mestiços começaram a se atenuar. Mas foi em 1923, que o Vasco da Gama chocou ao disputar o campeonato carioca com uma equipe de negros e brancos pobres. Colocando em primeiro plano a habilidade ao selecionar os jogadores, e deixando de lado os quesitos status e sobrenome, o Vasco foi campeão carioca por dois anos consecutivos.

Mas não foi tão fácil assim conquistar a igualdade no futebol. Da resistência dos brancos e ricos foi criada uma regra onde, uma falta violenta cometida por um branco contra um jogador negro era marcada pelo juiz e o jogo prosseguia, mas quando era um negro cometia falta violenta sobre um branco, o juiz apitava e, antes que a falta fosse cobrada, o branco tinha direito de revidar a violência.

Desse modo, para evitar bolas divididas, os negros trouxeram para o futebol o gingado da capoeira e do samba, recriando o drible, reinventando o futebol dos ingleses e inventando o futebol-arte.

Da mesma forma que o drible curto de Domingos da Guia foi inspirado no miudinho do samba, conforme informado pelo próprio Domingos, também é evidente a relação de movimentos da capoeira com a bicicleta de Leônidas, o corta-luz, o carrinho e a tesoura.

Como lembra o historiador, professor e escritor brasileiro Joel Rufino, em Bola Brasilis, texto estampado no livro coletivo Brasil Bom de Bola, por volta de 1900 a capoeira era proibida, então o negro adotou o futebol e colocou nele seu gingado e malandragem.

Não foi à toa que Zico, a frente da seleção japonesa, contratou um professor de capoeira para ensinar a nossa arte aos jogadores japoneses, procurando passar a eles um pouco da ginga e do jogo de cintura que o brasileiro tem.

Fontes:
Jornal do Capoeira
Mário Prata Online
Ministério da Cultura

Fonte: Capoeira de Vênus

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Capoeira, mosaico e estrelas africanas agitarão abertura da Copa


Estádio Soccer City, em Johannesburgo, receberá a cerimônia de abertura da Copa do Mundo

Os sul-africanos prometem organizar uma grande festa para a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, na próxima sexta-feira, no Estádio Soccer City, em Johannesburgo. Segundo o jornal sul-africano Sunday Times, a cerimônia contará com mais de 1.500 pessoas, além de diversos artistas famosos do continente africano e culturas típicas do continente, como a capoeira. Mais de 50 chefes de Estado são aguardados para o evento.
O diário afirma que o cantor de R&B americano R. Kelly cantará o hino oficial da Copa do Mundo, ao lado de um coral do bairro de Soweto. Estrelas africanas, como os grupos locais HHP e TKZee, além do cantor pop argelino Khaled, o jazzista nigeriano Femi Kuti e Timothy Moloi, artista sul-africano de R&B que substituirá o tenor Siphiwo Ntshebe, que iria se apresentar no show de abertura, mas morreu no último dia 26 de maio, vítima de meningite.
O presidente do Comitê Organizador da Copa, Danny Jordaan, prometeu que a cerimônia mostrará aos milhares de telespectadores do mundo o talento, tecnologia e o espírito de hospitalidade do continente africano. Artistas locais ameaçaram boicotar a abertura, por conta da ausência de artistas do continente - o que foi revertido, já que R. Kelly é o único artista não-africano confirmado para o evento, analisa o periódico.
Capoeiristas e percussionistas do estilo afro-brasileiro, de 10 a 59 anos, também demonstrarão suas habilidades, além de um mosaico humano no Soccer City, que mostrará ao público a direção das outras oito sedes do Mundial. As seis equipes africanas que participarão do torneio - África do Sul, Camarões, Costa do Marfim, Argélia, Gana e Nigéria - também serão lembradas durante a performance.
A cerimônia antecederá a partida de abertura da Copa, entre África do Sul e México, válida pelo Grupo A da Copa, às 11h desta sexta-feira. A outra partida da chave terá Uruguai e França, às 15h30, no Cape Town Stadium, na Cidade do Cabo.

Fonte: Terra

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Dandara

A história de Dandara?
Embora não haja registros de seu local de nascimento nem de sua ascendência africana, acredita-se que nasceu no Brasil e foi viver no Quilombo de Palmares ainda menina.

Segundo escreve o professor de história Kleber Henrique, no blog Cuca Livre, Dandara não era apta apenas aos serviços domésticos. Plantava como todos, trabalhava na produção de farinha de mandioca, aprendeu a caçar, mas além disso aprendeu a lutar capoeira, empunhar armas e liderou as falanges femininas do exército palmarino.

Esposa de Zumbi e mãe de seus três filhos, Dandara participou de todos os ataques e defesas da resistência de Palmares e não tinha limites para defender a liberdade e a segurança do Quilombo.

Dandara compartilhava a posição de Zumbi contra o tratado de paz assinado por Ganga-Zumba. Entre outras negociações, o acordo requeria a mudança dos habitantes de Palmares para as terras no Vale do Cacau. Para Dandara, o tratado traria a destruição da República de Palmares e a volta à escravidão.

Dandara morreu em 06 de fevereiro de 1694, após a destruição da Cerca Real dos Macacos, uma batalha sagrenta que deixou centenas de mortos. Ainda assim, acredita-se que ela se suicidou para não voltar a ser escrava, atirando-se da da pedreira mais alta de Palmares.

Fontes:
Cuca Livre
Overmundo
Tribuna do Sertão

Fonte: Capoeira Vênus

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Jogos e Passatempos: Puzzles da Capoeira

Uma novidade para desafiar as suas capacidades...

Fantásticos Puzzles (Quebra-Cabeça), envolvendo o universo da capoeiragem para o capoeirista se divertir e "vadiar" nesta roda!

Experimente, junte as peças, saia no aú e complete este jogo...

Puzzle 1: Velha Garda
Puzzle 2: Berimbaus (Foto Rui Takeguma)
Puzzle 3: Capoeira (Foto Luciano Milani)
Fonte: Portal Capoeira

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Novo longa de Capoeira: Fly Away Beetle


Está em fase de pós produção o longa-metragem Capoeira: Fly Away Beetle, da produtora americana Bluedot. Filmado nas ruas de Salvador, o documentário mostra a beleza da capoeira e, ao mesmo tempo, explora sua a história, os mitos e todo o simbolismo de seus movimentos.

A produção do longa-metragem acompanhou renomados mestres de capoeira de Salvador, conhecendo seus trabalhos, seus colegas e alunos e conhecendo também a esperança, o respeito e a libertação que a capoeira promove.

E, com o objetivo de compreender melhor o cenário atual da Capoeira, o filme volta às suas raízes abordando a escravidão, o candomblé, chegando às lendárias histórias de Besouro Mangangá, e retornando aos fatos atuais.

Confira o trailer:

Capoeira: Fly Away Beetle Trailer from BlueDot Productions on Vimeo.

O documentário Capoeira: Fly Away Beetle é uma produção de Slade Renee & Ri Stewart, dirigido por Corbin Cosmos Matt & Lockhart e assistência de Marcio de Abreu, roteiro e narração de Golder Ted e fotogafia de Garvey Ben.

Fonte: Capoeira de Vênus
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