segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Estrangeiros visitam a Bahia para aprender Capoeira

A cidade de Salvador está recebendo 15 estudantes universitários que estão na cidade para conhecer um pouco mais da capoeira de Angola. O grupo foi trazido pelo Departamento de Estudos Afro-Americanos da faculdade de Oberlin College, de Boston (EUA) e fazem parte do curso de sociologia e neurologia. Além dos americanos, outro grupo, com sete colombianos, também visita a cidade para aprender mais sobre o esporte. Os visitantes fazem parte do Grupo de capoeira Volta ao Mundo, de Bogotá.
"A capoeira angola está bem representada aqui, por isso sempre tivemos a Bahia como referência. Além disso, a cidade tem uma agenda cultural muito rica e o lugar é muito gostoso. Vamos ficar para aproveitar mais a cidade e conhecer o Carnaval", disse o colombiano Juan Pablo, 25 anos.

De dança ou luta proibida pelas autoridades, a capoeira virou patrimônio cultural brasileiro, tornou-se grande atrativo da Bahia e tem seduzido turistas de todos os lugares do mundo, como o grupo de estudantes norte-americanos, da Oberlin College, que veio a Salvador aprender os segredos da capoeira angola.
Há duas semanas na capital baiana, os estudantes aproveitaram para conhecer alguns dos principais pontos turísticos de Salvador como o Pelourinho, o Mercado Modelo e o Elevador Lacerda. Segundo o coordenador da Acanne, mestre Renê Bitencourt, as aulas se dividem em teoria e prática.
“Temos a aula teórica sobre história da Acanne, do samba de roda e do mestre Paulo dos Anjos, que inspirou a criação da associação. Nós trabalhamos o movimento em torno da ginga que o baiano tem para deixar o corpo solto, além de aula de berimbau”, explica Bitencourt.
Já os primeiros passos no esporte estão sendo iniciados com os mestres da Acanne, grupo que há 25 anos leva a capoeira angola e os ensinamentos do mestre Paulo dos Anjos a alunos de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, no Brasil, além da França e Estados Unidos.
Sete colombianos também visitam a cidade e estão aprendendo mais sobre a capoeira. Eles fazem parte do Grupo de capoeira Volta ao Mundo, de Bogotá, vieram à Bahia de forma independente participar de um evento em dezembro, mas, encantados com a cidade, resolveram permanecer até o Carnaval.

Dança, Canto e Sagacidade

Para a superintendente de Serviços Turísticos da Secretaria de Turismo da Bahia, Cássia Magalhães, a Bahia, conhecida internacionalmente como a ‘Meca da Capoeira’, contribui de forma importante para o fluxo turístico do Estado.
“A capoeira - ao lado do Candomblé – é o principal elemento cultural e étnico capaz de disseminar a cultura baiana. É um sistema de valores que mistura dança, canto e sagacidade. E, por isso, um instrumento turístico muito significante para o estado”, diz.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Cobrinha Verde: o discípulo de Besouro

Muito se diz sobre Besouro Mangangá. Muitas histórias, feitos, crendices. Pouco se sabe sobre sua vida de capoeirista, se procurava transmitir seus conhecimentos na capoeiragem, se tinha alunos. Muitos mestres antigos reivindicam inclusive parentesco com Besouro. Porém, do que se tem conhecimento, somente um reivindica ter sido seu aluno. Estamos falando do famoso Cobrinha Verde.

Em Santo Amaro, onde nasceu e cresceu, muitas outras pessoas o ensinaram capoeira, entre eles também os famosos Espinho Remoso, Canário Pardo e Siri de Mangue, mas segundo ele, foi com Besouro que aprendeu o principal. Nascido Rafael Alves França, Cobrinha Verde recebeu esse apelido de Besouro pela sua agilidade e destreza com as pernas, que era tanta que, em certa feita, ele enfrentou sozinho oito policiais com um facão de 18 polegadas, segundo conta o próprio.

Cobrinha Verde sai de Santo Amaro e ganha o mundo, mudando de cidade em cidade, procurando pouso em casas de parentes e em bandos de cangaceiros do sertão, como o de Horácio de Matos. Muitas aventuras, muitas cidades e amores até voltar para a Bahia

E, como todo mundo sabe, capoeira é boa pra se defender, mas não livra ninguém de bala, nem de morte, por isso fortalecer suas defesas com fé e orações foi o caminho escolhido por Cobrinha Verde. Conta Cobrinha que ele possuía um breve, também conhecido como patuá, que o livrava de muitos problemas. Como da vez que dispararam contra ele uma enorme quantidade de balas, e ele desviou todas na ponta de seu facão. Essas mandingas ele aprendeu em Santo Amaro com o velho Pascoal, um africano que era vizinho da sua avó, e segundo contava Cobrinha, esse breve que possuía era vivo e ficava pulando, quando era deixado num prato virgem, depois de utilizado por ele. Mas certo dia, conta Cobrinha, que o breve foi embora e o deixou, depois de um erro que ele havia cometido

Ter sido aluno de Besouro Mangangá é um privilégio para poucos, e assim ensinar se tornava um chamado da arte. Em 1937 começa a ensinar de graça, como gostava de enfatizar, na Fazenda Garcia, depois de ter saído do exército. Nessa época convivia com Bimba e outros capoeiras famosos como Aberrê. Mas com o passar dos anos e morte de muitos dos seus contemporâneos, ele foi o mais velho capoeirista em atividade no brasil, e um dos únicos a conhecer a técnica de jogar com navalhas entre os dedos do pé.

Na sua vida de professor, muitos capoeiras famosos beberam na fonte desse mestre; João Grande é um deles, que diz ter treinado com ele no Chame-Chame nos domingos pela manhã. Como dividia trabalhos com Pastinha, outros capoeiras como João Pequeno também beberam da fonte desse mestre. Como conta mestre João Grande, freqüentavam esses treinos também Gato Preto, Didi, Bom Cabrito, Rege de Santo Amaro, entre outros.

Vida e obra de um capoeira nesse mundo não são reconhecidas, então o maior medo de um capoeira como Cobrinha Verde, era morrer a míngua como Pastinha e Bimba. Sua profissão de pedreiro tinha rendido uma mísera aposentadoria, que não dava pra nada, mas que pelo menos não o deixava na mão. Sua fé também ajudava a não adoecer. O capoeira pra ter uma boa velhice, tem que trabalhar com outras coisas e não só viver da arte... Ô mundo injusto!

Pedro Abib

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Conexões Urbanas - Porrada Social

O Programa Conexões Urbanas, do canal Multishow, no ano de 2009 fez está matéria com três lutas que desenvolvem um grande trabalho social e de divulgação da cultura brasileira, no Brasil e no mundo. O Jiu-Jitsu, o Boxe e a Capoeira.





segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Mestre e sua função

Ao falarmos sobre capoeira é quase inevitável pensarmos logo na figura do mestre. O mestre que também é uma figura muito comum na maioria das manifestações das culturas populares de todo mundo, é aquele considerado o guardião da memória, da tradição, dos saberes e fazeres de uma determinada comunidade.

É aquele que é respeitado por todos como alguém que com o tempo foi assumindo essa função, herdada de outro mestre mais antigo que delegou a ele essa responsabilidade. Mas sobretudo, é aquele que é reconhecido pela sua comunidade como alguém que tem a sabedoria de exercer essa função. E esse reconhecimento é algo adquirido ao logo do tempo, pacientemente, mais ou menos na mesma época em que vão chegando também as rugas no rosto e os primeiros fios de cabelos brancos.

O verdadeiro mestre é aquele que não tem pressa, que sabe que o tempo é quem vai dar-lhe as condições de exercer essa função quase sagrada, com toda a sabedoria que ela exige. E é muito difícil que isso aconteça antes que esse sujeito tenha uma experiência de várias décadas envolvido com essa manifestação.

Por isso é que ele não pode queimar etapas, ser afoito e precipitado. “A fruta só dá no tempo”, como diria mestre Pastinha, mas, no entanto, vemos hoje em dia uma disseminação de jovens capoeiristas na faixa dos 20 ou 30 anos, se auto-intitulando mestres de capoeira, que mal começam a adquirir experiência de vida, e já assumem a responsabilidade de exercer essa sagrada função de mestre perante jovens e adultos em todas as partes do mundo por onde a capoeira se espalhou.

Isso é preocupante, pois acaba ferindo alguns princípios muito valiosos da tradição e da ancestralidade da capoeira, que tem no mestre o seu principal veículo de transmissão e que se baseia, sobretudo, na experiência do mais velho, que é quem tem a autoridade e o reconhecimento para exercer tal função. Citando novamente o filósofo Vicente Ferreira Pastinha, ele dizia que “o mestre guarda segredos, mas não nega explicação”. A capoeira tem segredos, que só os mais velhos sabem decifrar. E é preciso muita paciência e sabedoria para alcançar essa condição.

Vivemos um tempo em que o mercado e a profissionalização do capoeirista, fazem com que sejam queimadas etapas muito importantes no processo de formação do mestre de capoeira. Muitas vezes a ganância e o desejo de lucro por parte de alguns grupos fazem acelerar demasiadamente esse ciclo, dando margem a uma proliferação de mestres de capoeira sem nenhum requisito, experiência, nem capacidade para exercer essa função, o que tem resultado num empobrecimento muito grande na capoeira que se tem visto por aí, mundo afora.

É preciso recuperar a dignidade da função do mestre de capoeira. Ele deve ser um exemplo de vida para seus discípulos, deve conhecer profundamente a capoeira em todos os seus aspectos, e não apenas ter a musculatura mais desenvolvida e ser aquele que salta mais alto. Tem que saber sentar e aconselhar com sabedoria àqueles que estão sob sua guarda, como faziam os velhos griôs* africanos.

Isso só se adquire com o tempo, com bastante tempo.

*Vem de griot, da língua francesa, que traduz a palavra Dieli (Jéli ou Djeli), que significa o sangue que circula, na língua bamanan habitante do território do antigo império Mali que hoje está dividido entre varios países do noroeste da África. Na tradição oral do noroeste da ÁFRICA, o griô é um(a) caminhante, cantador(a), poeta, contador(a) de histórias, genealogista, artista, comunicador(a) tradicional, mediador(a) político(a) da comunidade. Ele(a) é o sangue que circula os saberes e histórias, mitos, lutas e glórias de seu povo, dando vida à rede de transmissão oral de sua região e país.

Pedro Abib

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

África por ela mesma

Em parceria com a Unesco, governo brasileiro lança programa de ensino da história do continente baseado na primeira obra de referência escrita por especialistas africanos

A história da África contada pelos próprios africanos. Esse é o ponto de partida dos novos projetos pedagógicos que pretendem mostrar aos estudantes brasileiros como a trajetória de nosso país está ligada à dos povos que habitam a outra margem do Atlântico.

Mapa do continente publicado em 1660, que traz nas margens retratos de indivíduos dos diversos povos da região
Em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a cultura (Unesco), o governo federal está lançando um programa de ensino baseado na História geral da África, coleção em oito volumes lançada pela Unesco em 1981. A obra coletiva foi escrita por mais de 350 especialistas, dois terços deles africanos, e é o mais completo estudo sobre o passado do continente já publicado.

A série já foi traduzida integralmente para o inglês, o francês, o árabe e o espanhol. Uma versão resumida foi lançada no brasil entre 1982 e 1985, mas a edição está atualmente esgotada no país. Para suprir essa carência, os oito volumes da coleção estão sendo traduzidos e reeditados no brasil e não serão vendidos, mas distribuídos para bibliotecas, universidades públicas e outras intituições de ensino. Uma versão digital da obra em breve estará disponível na internet.

A coleção vai servir de fonte para a formação de educadores responsáveis por difundir o conhecimento sobre o assunto para estudantes brasileiros desde a educação básica até o ensino superior. “A obra é de grande importância e peculiaridade”, diz Marilza Regattieri, oficial de projetos em educação da Unesco. Ela lembra que a Lei 10.639, que tornou o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana obrigatório nas escolas, foi sancionada em 2003.

* Heloísa Broggiato é jornalista, tradutora, cientista política e mestre em política internacional e segurança pela Universidade de Bradford, na Inglaterra

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Nestor Capoeira lança novo livro

Nestor Capoeira
Prezados amigos,

Em 2001, após ter defendido minha tese de doutorado em Comunicação e Cultura na UFRJ, que enfocava a capoeira, comecei a escrever um "livrão" que englobasse tudo que eu conhecia sobre a filosofia e o histórico do Jogo. Em 2010, após 9 anos, o "tijolão" estava pronto: 1.216 páginas!

Este ano, 2011, o livro vai ser publicado, em 3 volumes, com umas 400 páginas cada. Resolvi fazer umas palestras para "esquentar" a rapaziada para o lançamento. A idéia é divulgar a palestra pela internet, ao mesmo tempo que apresento o capítulo sobre o qual vou falar.

Esta palestra, de 28 janeiro de 2011, enfoca um tema polêmico:

- HIERARQUIA E AUTORIDADE NAS ACADEMIAS.
- EXCESSO E AUTORITARISMO?
- OU HIERARQUIA JUSTIFICADA PELA TRADIÇÃO?

Espero que vocês curtam as páginas do arquivo anexo; e quem for ao Galpão das Artes (Rua Padre Leonel Franca, sem número, em frente ao Planetário, Gávea, Rio de Janeiro), das 19h às 22h., no dia 28 de janeiro de 2011 - uma "6a feira sem lei" (roda com cerveja, no estilo das rodas no barracão do finado mestre Waldemar da Paixão, no bairro da Liberdade em Salvador, na década de 1960) - curta a roda, a cerveja, a rapaziada, e a palestra.

Até breve,
Nestor Capoeira.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

N'Golo é tema de samba enredo

A possível origem da capoeira na Dança da Zebra ou N'Golo, do povo "Mucope" do sul da Angola, agora é tema de samba enredo.

De autoria do gaúcho Rafael Tubino e do carioca Diego Nicolau, que também interpreta a canção, o samba enredo N’Golo, A Dança da Zebra, Virou Capoeira? vai à avenida com a Escola de Samba Deu Chucha na Zebra, no Carnaval de Uruguaiana, Rio Grande do Sul.

A escola será a terceira a desfilar na quinta-feira, dia 24 de março, e a quarta a desfilar no sábado, dia 26.

Confira a letra do samba enredo:

N’Golo, A Dança da Zebra, Virou Capoeira?

Lua no céu a brilhar
noite que cobre a savana
um ritual se manifesta
é festa na aldeia africana

Mas eis que o tempo de dor
em Angola encontrou abrigo
o negro chorou, escravo virou
lamento de dor, castigo?

Oi leva mar… leva nas ondas do destino
o gingado dessa gente
das florestas de matama
ao meu Brasil menino

A força que cala no canavial
o toque de honra do berimbau
faz nascer na kapu’eira
mistura afro-brasileira

o tempo passou, seguiu…
o destino os mestres uniu
é a arte negra em aquarela
a luta de um povo “dançando” na tela
registro se tornou

o pai do folclore brasileiro o eternizou
é marca cultural, orgulho desse chão
e o samba brinda essa união
o som do tambor vai ecoar

deu chucha na zebra vem desfilar
se o canto negro traduz
a expressão verdadeira:
n’golo é a raiz da capoeira!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

II Encontro Nacional Abadá-Capoeira RS 2010

Video-clip do II Encontro Nacional da Abada-Capoeira Rio Grande do Sul, Organizador pelo Professor Montanha e o Instrutor Véio da Cidade de Porto Alegre - RS.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Capoeira Infantil - Professor Montanha 2009

Segundo vídeo-clip de divulgação do Trabalho desenvolvido pelo Professor Montanha da Abadá-Capoeira com capoeira infantil. Este vídeo-clip também foi filmado, assim como o primeiro, durante o batizado anual realizado na Academia Body One, em Porto Alegre-RS. Mais um excelente edição da Gaba Films.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aulão Feminino com Mestre Camisa - Jan 2011


Domingo, 09 de Janeiro de 2011 - 10:00 horas

Aulão Feminino ministrado por Mestre Camisa para divulgar os 2° Jogos Fermininos e a Força da Mulher na Capoeira.

Convite para todas as capoeiristas do grupo, simpatizantes e interessadas em iniciar na capoeira, lembrando que os Jogos Femininos evento é totalmente voltado para o público feminino.

Trazer uniforme completo e duas garrafas pets.

Contamos com a presença de todas!

Local: Praia de Ipanema (Posto 9)

Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

VIII JOGOS MUNDIAIS - Ago 2011

Clique na imagem para ampliar
de 16 a 21 de Agosto de 2011
Este ano estamos divulgando com antecedência as datas dos 8° Jogos Mundias e 9° Festival Internacional da Arte Capoeira, para que todos os capoeiristas consigam se programar para o evento.

A programação completa estará aqui em breve. Aguardem!

*OBS.: Está não é a arte do evento, apenas uma imagem de chamada.

Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil

Fonte: Abadá-Capoeira Blog Oficial
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...