quinta-feira, 25 de junho de 2009

Isotônicos e atividade física

As bebidas isotônicas foram científicamente formuladas para esportistas, atletas e pessoas que praticam alguma atividade física de longa duração, com perda excessiva de suor.

Os isotônicos promovem uma rápida hidratação do organismo, repondo as perdas que ocorrem pela transpiração intensificada durante o esforço físico, como por exemplo, na prática da capoeira. Esta perda reposta inclui água, açúcares (carboidratos) e sais minerais (principalmente sódio e cloreto de potássio), em proporções que garantam uma absorção rápida pelo corpo em situação de sede.

Todo exercício físico produz calor e o calor eleva a temperatura do corpo. Para fazer baixar a temperatura e voltar a uma condição de equilíbrio, o corpo transpira. A transpiração elimina parte do calor, mas carrega consigo substâncias importantes para o equilíbrio interno do corpo, como água e sais minerais Dependendo da quantidade de suor eliminado, ocorre a desidratação, cujo início se manifesta através do desencadeamento da sede, queda do desempenho, cãibras. Em estágios mais avançados, aparecem o esgotamento físico e a hipertermia, podendo o paciente chegar ao coma e à morte.

A água é indispensável ao bom funcionamento do organismo. Além de ser responsável pelo transporte de nutrientes ( aminoácidos, glicose, vitaminas etc) e de produtos da degradação para serem eliminados (uréia, ácido úrico, amônia etc), ajuda na condução do calor, produzido pelos músculos, até à superfície corporal. Portanto, ela é essencial para a produção de suor e participa de reações químicas importantes.

Quando se deseja uma recuperação correta da condição orgânica, é indispensável repor não somente a parte líquida perdida como também os sais minerais, em quantidades apropriadas. A perda rápida e em proporções significativas de sais minerais, principalmente de sais de sódio, pode provocar cãibras.

Não existe contra-indicações ao uso de isotônicos, exceto para as pessoas portadoras de certas doenças e disfunções orgânicas, como hipertensão, doenças renais, doenças que provocam retenções de líquidos no corpo e diabetes. Essas pessoas não devem consumi-los sem antes consultar seu médico ou nutricionista.

Portanto, você que é capoeirista, fique atento quanto à hidratação de seu corpo!

ANNA CHRISTINA CASTILHO

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Mestre Camisa, Uma vida dedicada a capoeira!

Essa entrevista foi concedida a alguns anos atrás, mas as palavras do Mestre Camisa nunca são demais e é sempre bom conhecer um pouco mais sobre sua história!

Veja a entrevista concedida para a Revista Capoeira.

Quando o assunto é Capoeira, ele irradia entusiasmo, energia, compreensão, força de vontade, determinação e muito mais. Estamos falando de Mestre Camisa, Presidente Fundador da ABADÁ Capoeira.

RC: Fale-nos um pouco sobre o ambiente em que nasceu, Mestre.
Mestre Camisa: "O dia-a-dia na fazenda "Estiva" era típico: acompanhava os vaqueiros em suas atividades diárias e lá vivi até os 12 anos, quando minha família se mudou para Jacobina, a 40 minutos da fazenda. Depois nos mudamos para Salvador. Eu gostava de montar a cavalo, caçar, tomar banho de rio, criar animais, uma vida comum de um garoto de fazenda. Naquela época não conhecia televisão, telefone - só conheci quando fui para Salvador."

RC: Como foi o seu primeiro contato com a capoeira?
"Foi ainda garoto, ouvindo as histórias que os mais velhos contavam sobre os capoeiristas do Sertão que tinham o corpo fechado, que se movimentavam no chão, davam rasteira, derrubando várias pessoas ao mesmo tempo e ninguém conseguia segurá-los. Eu sequer conhecia o berimbau. Camisa Roxa foi estudar em Salvador e lá conheceu alguns capoeiristas e foi treinar na academia de Mestre Bimba. Nas férias, quando voltava para a fazenda, passava o que aprendia para mim, meus outros irmãos e meus primos. Certa vez ele me levou a Salvador e tive o prazer de conhecer Mestre Bimba, que só conhecia de nome. Senti toda a sua força. Vendo todos treinarem, fiquei fascinado. Ao voltar para a roça fiquei mais motivado e passei a treinar no curral, dando pulos sobre o esterco do gado. Dava saltos mortais na beira do rio, todos da família estavam aprendendo. Depois que meu pai faleceu, a família se mudou para Salvador e minha mãe continuou cuidando da fazenda. Fui morar na Liberdade, o maior bairro negro, um dos maiores redutos de capoeira de todos os tempos de Salvador, onde se realizavam as tradicionais rodas de capoeira de Mestre Valdemar e Mestre Traíra."

RC: Quem treinava com você na Academia de Mestre Bimba, na sua época?
"Treinavam comigo Onça Negra, Macarrão, Torpedo, Pimentão, Nenel, Formiga e Demerval. Na época já eram formados e treinavam lá: Canhão, Alegria, Luís, Quebra Ferro, Malvadeza, Valdemar, Sarigue e muitos outros."

RC: Como surgiu o apelido Camisa?
"No início o pessoal me chamava de Camisinha, tanto por ser o mais novo quanto por ter um irmão - no caso o Camisa Roxa -, formado pelo Mestre Bimba. Eu fui o quarto da família a me formar. Com o tempo meu irmão mais novo passou a ser chamado de Camiseta e passaram a me chamar de Camisa."

RC: Seja na Bahia ou no Rio, qual foi o momento que mais te marcou, como capoeirista?
"Quando conheci o Mestre Bimba."

RC: No Rio, o que te levou a montar a Abadá-Capoeira?
"Em Salvador fiz parte do grupo folclórico chamado Viva Bahia e do Grupo Ogundelê, fazendo apresentações e shows. Depois do grupo Olodumaré, do qual o Camisa Roxa fazia parte. Viajamos por todo o Brasil, até que cheguei ao Rio. Nesta época já havia comentários de que Mestre Bimba ia embora para Goiás. Camisa Roxa resolveu ir para a Europa. Foi quando minha mãe faleceu e eu fiquei desorientado. Meu irmão chegou a comprar uma passagem para que eu voltasse para Salvador e retomasse meus estudos. Rasguei a passagem e resolvi ficar no Rio. Me aventurei a dormir na rodoviária e dentro dos ônibus. Joguei capoeira em todos os lugares da cidade até que fui morar e dar aula na Academia Nissei. Como comecei a ensinar muito cedo, meu sonho era ter meus alunos e meu grupo. Foi lá que formei minha primeira turma no Rio. Meu primeiro aluno foi um gaúcho que me conheceu na tourneé no Rio Grande do Sul com o grupo Olodumaré.

Aqui no Rio encontrei o Preguiça e o Anzol que também foram alunos de Mestre Bimba e alguns integrantes do grupo Senzala, como o Rafael (um dos fundadores), o Cláudio, o Borracha e o Hélio, que conheci na Bahia e eram muito amigos do Camisa Roxa. Passei a participar de algumas rodas do grupo ao ponto de levar os meus alunos e promover integrações até que, após um ano, me convidaram e passei a fazer parte do grupo. Quando saí, criei o Capoeirart. Já tinha alunos no Rio em alguns estados. O trabalho cresceu tanto que tivemos que criar uma associação, porque eu achava que com isto meus alunos não iriam passar as dificuldades que eu passei quando cheguei aqui. Eu pensei em uma associação de desenvolvimento que apoiasse os capoeiristas, a sigla deu Abadac, mas minha filha Tatiana acabou sugerindo o nome Abadá-Capoeira - Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento à Arte-Capoeira. Isto foi em 1988."

RC: Qual a sua filosofia de vida?
"Minha filosofia de vida é a capoeira. Jogo desde criança, ela se desenvolveu dentro de mim. Minha forma de ver o mundo é através dela, que me deu condições de aprender a respeitar o próximo, saber que nessa vida somos todos iguais, independente de condição social. A capoeira me deu jogo de cintura para conseguir superar as dificuldades do dia a dia e me ensinou a ganhar e a perder, principalmente a perder, porque para ganhar todo mundo está preparado. Me deu condições de ter uma profissão com a qual que eu me identifico totalmente e sobrevivo tendo liberdade de agir, pensar e desenvolver meu trabalho da forma que eu achar mais correta. Nunca tive outra profissão e nem gostaria de ter. Crio e educo meus filhos com a Capoeira. Através da capoeira eu tenho a possibilidade de ajudar muita gente e também de ser ajudado. Foi dentro dela que fiz muitas amizades e aprendi tudo o que tento passar para os meus alunos. Por isso é que uma brincadeira de criança se transformou numa filosofia de vida."

RC: Qual a relação que há entre a vivência do capoeirista dentro da roda de capoeira e na vida pessoal?
"Na roda de capoeira temos que tentar ludibriar, confundir e envolver o outro jogador para induzi-lo a fazer o que se quer. São táticas que nos ensinam a ter jogo de cintura e a perceber a maldade. Também ajudam a ver a vida de uma maneira maliciosa quando se dobra uma esquina. Agora não se pode levar para a relação diária dos capoeiristas, se não ninguém nunca poderá confiar em ninguém. Acontece que alguns acabam fazendo na vida o que deveriam fazer dentro da roda e este é um dos conflitos do mundo da capoeira. As pessoas levam a falsidade e a malandragem para a vida. É preciso saber separar. Para mim por exemplo, que sou um sujeito sincero, é difícil ter amizade com este pessoal que só visa tirar proveito de tudo e que se alguém vacilar toma logo uma rasteira. A esperteza e malícia devem ser mostradas dentro da roda."

RC: O que você acha da capoeira atual?
"Acho que ela cresceu muito, mas a formação de seus professores ainda deixa a desejar. São poucos os lugares que oferecem uma formação adequada para as pessoas que querem dar aula de capoeira."

RC: E a capoeira no exterior?
"Também está crescendo muito. No exterior não existem os preconceitos e as dificuldades que existem no Brasil. E é por isso que o camarada sai daqui despreparado e vai trabalhar no exterior. O que salva é que tem também gente muito boa lá. Isso é reflexo da má formação dos professores de capoeira no Brasil. Os estrangeiros estão se preparando e vindo ao Brasil se aperfeiçoar em capoeira. Se não melhorar a formação dos professores brasileiros, esse mercado de trabalho acabará preenchido por eles mesmos."

RC: O que você acha dos capoeiristas que associam a imagem do grupo Abadá à violência?
"Primeiro gostaria de fazer uma correção: a Abadá não é um grupo, a Abadá é uma escola de cidadãos, uma escola popular que forma brasileiros conscientes de suas raízes e identidade cultural. Abadá é uma instituição, uma entidade de capoeira. Quanto à pergunta, eu pessoalmente sou contra qualquer tipo de violência. Acho que estão confundindo eficiência com violência. Violência é o que fazem com a imagem da Abadá, desinformando intencionalmente as pessoas como tática de impedí-las de conhecer o nosso trabalho. As conquistas da Abadá foram através da boa capoeira, o que é inegável. Tinham que arranjar alguma forma de falar mal e inventaram essa mentira, mas não nos influência em nada, só faz nos unir e ajuda a fazer com que a Abadá trabalhe cada vez melhor. Violência é o que estão fazendo com a capoeira: que é a auto-intitulação de Mestres; a má formação dos capoeiristas e a situação degradante em que vive a maioria dos Mestres antigos, passando necessidade e alguns vivendo na miséria."

RC: Qual a melhor maneira de se trabalhar com capoeira?
"Antes de tudo é preciso conhecer a capoeira e ter consciência de tudo que envolve a sua cultura. Isso é fundamental para se saber o que está fazendo. Procurar formar uma boa equipe para realizar um bom trabalho. Não interessa o sobrenome ou o estilo, se é Regional, Angola. O que importa é ter responsabilidade, saber passar seu trabalho de maneira correta. Não parece, mas ensinar capoeira é muito complexo. Ela é a reunião de várias artes numa só. O capoeirista precisa ser um grande administrador para saber lidar com essa luta, esse jogo, essa ginástica, essa terapia. Por isso o trabalho da Abadá é um trabalho de equipe porque se trata de um trabalho pesado, em que se procura desenvolver todos os aspectos da capoeira."

RC: Abadá-Capoeira é um estilo de capoeira?
"Na verdade, ela é um sistema de capoeira, uma forma de trabalhá-la, incluindo todos os seus segmentos e tendências. Nós fazemos um laboratório de todos os estilos que existem no Brasil, somados às lutas africanas. A junção dos valores da capoeira antiga, da angola e da regional. Sempre procurei pesquisar, principalmente as artes marciais e as lutas africanas. Sempre que viajo para outro país, procuro saber que luta se pratica naquele lugar. Como luta, a capoeira só precisa aprimorar o que já possui. Dentro da Abadá, um movimento às vezes gera um outro que nem sempre é visto na angola, na regional ou em qualquer outra luta. Com uma equipe estudamos os movimentos antigos e criamos novos. Hoje temos nossas características e técnicas típicas da Abadá-Capoeira, sem nos basearmos em nenhuma outra luta. Não queremos monopolizar nada, apenas temos fundamento no que fazemos. A Abadá é apenas mais um segmento da capoeira, sem alienação. Tudo tem um porquê científico, medido por uma equipe altamente qualificada que mede cada movimento de acordo com o biotipo da pessoa. Temos professores de educação física, história, antropólogos, enfim, tudo como forma de errar menos. O que for bom para a capoeira será sempre bom para mim."

RC: Como é que se forma um Mestre na Abadá-Capoeira?
"Um Mestre não se forma, ele se torna. Os antigos conquistaram o reconhecimento da comunidade capoeirística por seu tempo, trabalho e experiência. Tiveram erros e acertos. Hoje muitos saem formando e se auto-intitulando como Mestres, sem sequer ter idade, trabalho e muito menos vivência para isso. Geralmente o fazem por questões financeiras, mas desvalorizando quem realmente é Mestre. A palavra está tão desvalorizada que já virou apelido, assim como as palavras grupo, batizado, etc. Na Abadá, um de nossos objetivos é resgatar o verdadeiro valor do Mestre. É possível ganhar dinheiro, dar aulas, produzir trabalhos literários e cursos sem ser Mestre, e nosso trabalho está aí para confirmar isso. Se eu fosse usar esses critérios que eu vejo por aí, na Abadá teria mil Mestres, por isso é melhor ter um que vale por mil do que ter mil que não valem por nenhum. Só agora na Abadá iremos reconhecer mais dois Mestres."

RC: O novo dicionário Aurélio foi acrescido de alguns termos de capoeira. Como foi essa experiência?
"Acho que isso foi um reconhecimento. O Aurélio nos procurou, em busca de informações, querendo saber mais sobre a capoeira. Eles acrescentaram muitos termos nessa última publicação, inclusive novos significados para a palavra abadá. Foi uma grande satisfação ver nossa associação incluída num dos mais importantes dicionários brasileiros. Também não havia definições para a capoeira Regional e para capoeira Angola, nós que passamos."

RC: Além de capoeira, o que você gosta de fazer?
"Gosto muito de bater papo deitado numa rede, ouvir música brasileira, ir ao teatro, andar a cavalo, criar animais e ficar perto da natureza. Mas tudo o que faço na vida é através da visão da capoeira. Se falo de história, política, economia, meio ambiente, enfim, em qualquer assunto, a capoeira acaba interferindo. Foi a capoeira que me ensinou a ser cidadão, a ser um brasileiro consciente e pleno."

RC: Cite-nos uma tristeza e uma alegria, na capoeira.
"Tristezas tive muitas, mas alegrias muito mais! A pobreza de espírito de muitos capoeiristas; alguns alunos de mau caráter; a morte do Mestre Bimba; os Mestres antigos passando necessidade; não ter dado a devida atenção que meus filhos mereciam, em virtude da capoeira. Para compensar, tive muitas alegrias: ter saúde; meus 3 filhos; minha mulher; meus alunos; o reconhecimento das artes marciais; saber que a capoeira está no mundo inteiro e que eu participei bastante desse processo; ter criado o CEMB (Centro Educacional Mestre Bimba –RJ), ter sido aluno do Mestre Bimba; ter convivido com os grandes Mestres da Velha Guarda da Bahia; ter criado a Abadá; ser brasileiro, apesar dos pesares; conhecer muitos continentes; ser irmão de Camisa Roxa, que me ensinou a ser capoeirista de fato; ver a capoeira ser reconhecida pela sociedade, pelos meios de comunicação e pelas universidades."

RC: Qual a sua mensagem para os capoeiristas?
"A Capoeira não é só jogar: todos devem procurar estudar e aprender a conviver com as diferenças. A informação e a pesquisa são os grandes trunfos do capoeirista contemporâneo. Hoje, quem não procurar estudar não vai para frente ou então será rapidamente superado por seus alunos, porque o universo da capoeira é muito rico e não tem apenas um segmento. Procurem ter contato com a velha guarda da capoeira que são os verdadeiros detentores de um saber que está desaparecendo. Este elo de ligação do passado com o presente é muito importante para o desenvolvimento da capoeira, que na verdade é uma grande árvore e o que segura é a raiz. Sem a raiz não há alimento para os novos frutos."

Fonte: Revista Capoeira

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Regulamento da Academia de Mestre Bimba

Estes ensinamentos são para levar para a vida toda.



Regulamento da Academia de Mestre Bimba

Este regulamento foi elaborado para Você e em seu benefício. Lembre-se que você irá praticar EDUCAÇÃO FÍSICA e adquirir preparo físico básico, mola mestra para a prática eficiente para qualquer esporte.
O Mestre BIMBA e seus colegas mais velhos só tem um desejo: torná-lo melhor no prazo mais curto.

1. Deixe de fumar. É proibido fumar durante os treinos.
2. Deixe de beber. O uso do álcool prejudica o metabolismo muscular.
3. Evite demonstrar a seus amigos de fora da “roda” de capoeira os seus progressos. Lembre-se de que a surpresa é a melhor aliada numa luta.
4. Evite conversa durante o treino. Você esta pagando o tempo que passa na academia e, observando os outros lutadores, aprenderá mais.
5. Procure gingar sempre.
6. Pratique diariamente os exercícios fundamentais.
7. Não tenha medo de se aproximar do seu oponente. Quanto mais próximo se mantiver, melhor aprenderá.
8. Conserve o corpo relaxado.
9. É melhor apanhar na “roda” que na ”rua”.

Fonte: Abadá-Capoeira Blog Oficial

Pois é, aqui está os regulamentos na acadêmia de Mestre Bimba, são regulamentos criados quando Mestre Bimba e que funcionam até os dias de hoje, no meu ponto de vista, palavras de quem realmente entende de capoeira. Este post serve para levar um pouco de fundamento para capoeiristas de outros grupos que estão um "pouco desinformados" ou capoeiristas que acham que basta saber fazer vários floreios e o resto é desnecessário!

terça-feira, 2 de junho de 2009

Oficina de Instrumentos



Dando uma navegada na internet me deparei com um link interessante sobre a fabricação de instrumentos musicais para capoeira, quem quiser, pode dar uma olhada para aprender ou tirar dúvidas.

Fonte: Revista Capoeira

Filme 'Besouro' entra em pós-produção e ainda não tem previsão de estréia...

Na minha humilde opinião, pelo que pude ver no trailler, mais parece um filme do estilo "Wushia" mas feitos com atores negros, a idéia é boa mas vamos ver no que vai dar, pois adaptações cinematográficas de livros e histórias sempre deixam a desejar.

O longa conta a história de Besouro, o maior capoeirista de todos os tempos, que ao se identificar com o inseto que desafia as leis da física, ele vai contra o preconceito e a opressão.

Finalizadas as filmagens de "Besouro", longa-metragem que marca a primeira co-produção da Mixer com a Buena Vista Internacional e Globo Filmes. Rodado nas cidades de Igatu, Andaraí, Lençóis, Cachoeira e Salvador, o filme foi inspirado no livro "Feijoada no paraíso", de Marco Carvalho. A direção geral do filme é de João Daniel Tikhomiroff e a direção de fotografia é de Enrique Chediak.




No elenco há Adriana Alves, Cris Vianna, Jéssica Barbosa, Irandhir Santos, além do estreante Ailton Carmo no elenco - que foi todo preparado por Fátima Toledo (a mesma de "Tropa de elite"). O cenógrafo e diretor Cláudio Amaral Peixoto assina a direção de arte. Agora, o filme entra no processo de pós-produção e ainda não tem previsão de estréia.


Fonte: Revista Capoeira
Página oficial: Besouro - O Filme

Artigo da "Revista Abadá-Capoeira" - Mestre Camisa

Essa é uma pequena parte,eu disse, PEQUENA parte da história do maior mestre de capoeira de todos os tempos, uma lenda viva da capoeira, o homem que reiventou a capoeira contemporânea expressos na filosofia de trabalho e no método de treinamento da Abadá-Capoeira, como nós também "vemos" em vários grupos por aí.

O que seria da noite sem o dia?
O balanço do mar sem brisa
O que seria?
Da capoeira sem Mestre Camisa!

Artigo da "Revista Abadá-Capoeira" - Mestre Camisa

José Tadeu Carneiro Cardoso nasceu no dia 28 de Outubro de 1955 na Fazenda Estiva, em Jacobina, sertão da Bahia, filho de pai boiadeiro e mãe dona de casa, numa família de nove irmãos e um primo, “ que foi criado junto” – cinco meninas e cinco meninos. As brincadeiras preferidas dos garotos eram andar a cavalo e brincar de capoeira, imitando as histórias dos heróis capoeiristas do sertão baiano que, sozinhos, “botavam pra correr”, com pernadas, dois, três e até dez homens.

Por volta de 1963, seu irmão mais velho, Camisa Roxa, começou a ensinar aos irmãos as lições que aprendia na academia de Mestre Bimba, em Salvador, para onde havia se mudado, a fim de terminar os estudos. As aulas atraíam toda a garotada da região, irmãos, primos e até vaqueiros, que também se identificavam com a capoeira. Treinavam no terreiro da fazenda, no gramado, no curral, nos barrancos dos rios e dentro de água.

A morte do pai, em 1964, precipitou a mudança da família para Salvador. Uma adaptação nada fácil para um menino acostumado com a liberdade do campo. Era a primeira vez que o pequeno Tadeu entrava num apartamento, conhecia os diferentes costumes da “cidade grande”, tinha que seguir os horários rígidos da escola e fazer os deveres de casa. Tudo foi um choque muito grande, até ele descobrir as rodas de capoeira dos Mestre Waldemar e Traíra, no mesmo bairro onde morava, na Liberdade. Camisa começou a jogar capoeira de rua, o que o ajudou a adquirir bastante experiência na malandragem do jogo.

Foi no campo de futebol “da Usina” e no pátio da escola Pirajá que ele descobriu sua vocação para ensinar, formou uma turminha e começou a dar aulas de capoeira aos meninos do bairro.

Nesta mesma época, o irmão Camisa Roxa aconselhou a mãe a matriculá-lo de uma vez na academia de Mestre Bimba, pois o menino matava aula, ficava de madrugada nas festas de rua da Bahia e andava em todo o tipo de barra pesada. Onde houvesse capoeira lá estava ele jogando. Foi feito um acordo: ele só poderia treinar com Mestre Bimba se passasse a frequentar regularmente a escola. Deu certo, mas aos fins de semana ele continuava os treinos com os colegas do bairro, principalmente para que fizessem bonito nas rodas da “Festa de Reis”, tradicional no bairro da Lapinha.

Jogar capoeira para a meninada da Bahia é como futebol, bola de gude, soltar pipa ou pião, tudo mundo já sabe. Apesar de já ser iniciado, ao chegar à academia de Bimba, Camisa segui o ritual dos novos alunos: o Mestre segurou suas mãos para ensiná-lo a gingar. Gingou com ele e depois de alguns testes, como agachamento, queda de rins e passada de pés por cima da cadeira, pediu que um formado mostrasse a sequência ao novo aluno. Como já havia aprendido com Camisa Roxa, Camisa também fez a sequência e, a partir daí, o desenvolvimento foi bastante rápido. No mesmo mês foi batizado pelo formado Calango, mantendo toda a tradição da capoeira.


A identificação e o prazer que Camisa sentia com a capoeira se traduziram em aprimoramento técnico. A cobrança que havia por ele ser irmão de Camisa Roxa serviu como incentivo para que melhorasse a cada dia. Camisa nunca faltou a uma aula da academia de Mestre Bimba; só se ausentou uma vez, quando voltou para a Fazenda Estiva a fim de acompanhar a mãe, que estava muito doente.

Sua evolução na academia foi rápida e se formou com 14 anos, em 1969. Seus companheiros de formatura foram Macarrão, Onça Negra e Torpedo; a irmã Noemilde foi sua madrinha. Uma festança em Amaralina com direito às tradicionais histórias contadas por Mestre Bimba, rituais, prova de fogo, demonstrações de cintura desprezada, jogo de benguela, jogos com capoeiristas de renome, formados antigos e samba de roda até o amanhacer.

Paralelamente ao treinamento na academia de Mestre Bimba, Camisa também participava nos shows de cultura brasileira que naquela época eram famosos na Bahia. Havia apresentações de samba de roda, puxada de rede, candomblé, maculelê e capoeira. Os shows eram como companhias teatrais, com cerca de 50 pessoas – artistas, bailarinos e capoeiristas – que se apresentavam em casas de shows, teatros, boates, clubes e programas de televisão em todo o Brasil e também no exterior. Camisa participou dos grupos Viva Bahia, Ogundelê, Olodum Maré, este último dirigido por seu irmão Camisa Roxa.

Nesta época faziam parte do elenco Lua Rasta, Vilobaldo, Cobrinha do Pastinha, Manoel Pé de Bode, João Grande, Mistura Fina, Lucídio, Pamponé, Sérgio Tatá e diversos outros renomados capoeiristas. Uma lembrança marcante desta época para Camisa foi no show “Heranças de Angola”, no teatro Vila Velha, em Salvador, quando, ainda moleque, foi escolhido por Mestre João Grande para abrir o espectáculo, fazendo um jogo de angola com ele.

Em 1972, aos 16 anos, depois de uma turnê pelo Brasil com o show “Furacões da Bahia”, a companhia de Oludum Maré chegou ao Rio de Janeiro para uma temporada de seis meses. Fizeram apresentações no Canecão, Teatro Opinião e Teatro Municipal de Niterói, ao mesmo tempo em que ensaiavam um novo show para uma turnê europeia. Neste período o elenco de 40 pessoas se hospedou na antiga Casa do Estudante, na Lapa; depois foram para a Hospedaria Sul América, também na Lapa, e mais tarde alugaram uma casa de cômodos inteira, na Rua das Laranjeiras.

Nos intervalos dos espéctaculos e dos ensaios, Camisa aproveitava o tempo para conhecer a capoeira do Rio de Janeiro. Junto com os integrantes do show – Gatinho, Fernandinho, Lustroso, Flecha, Sarigue, Roberto, entre outros - , frequentavam as rodas de capoeira da cidades. A primeira roda que conheceu foi a do Grupo Senzala, aos Sábados, na qual já tinha vários conhecidos na Bahia. Foi a todas as rodas de capoeira no subúrbio, conheceu os velhos Mestres e procurou visitar as academias de capoeira.

Chegou a hora da partida do grupo para a Europa e, como combinado, esta também era a hora de Camisa voltar para Salvador, retomar a sua vida na capital baiana e terminar os estudos. Camisa Roxa deixou três diárias da hospedaria pagas, dinheiro para a alimentação e a passagem de ônibus de volta para a Bahia. Mas ele estava decidido a ficar no Rio de Janeiro, havia se identificado com a cidade, a cultura e o povo carioca. Gostava das praias, do clima, do samba, de tudo. O que também pesou em sua decisão foi o fato de Mestre Bimba estar de malas prontas para Goiás, além de seu irmão e ídolo Camisa Roxa ter viajado para a Europa.

Rasgou a passagem e jogou no esgoto. Uma semana depois acabou o dinheiro, e ele ficou na rua. Com vergonha de pedir ajuda às pessoas que conhecia, fingia que ia viajar e dormiu dois dias na Rodoviária. Foi quando se lembrou de Arthur, um nordestino que havia conhecido numa hospedaria em Laranjeiras.

Contou a história, e o amigo o deixou dormir clandestino no chão do pequeno quarto. Chegava tarde da noite e tinha de sair antes do amanhacer, pois não era permitido outro hóspede no mesmo quarto. Foram dias difíceis, mas Camisa seguia em frente, firme em seu objectivo de trabalhar com capoeira no Rio de Janeiro.



Em frente ao casarão da hospedaria, na Rua Cardoso Júnior, havia uma academia de Judo Nissei. Os proprietários eram os professores Haroldo e Maranhão, um grande tocador de berimbau que já havia participado de um espéctaculo com Camisa Roxa. O jovem Camisa foi até lá, contou novamente a sua história e pediu para dar aulas de capoeira e dormir na academia. Maranhão topou na hora e botou uma placa na porta: Aulas de Capoeira. O primeiro aluno matriculado foi um gaúcho, que havia assistido ao espéctaculo da Bahia, no Rio Grande do Sul, e, coincidentemente, estava morando na mesma rua da academia.

O pagamento era 50% para a academia e 50% para Camisa; o dinheiro da primeira mensalidade foi direto para o português do boteco em frente, Seu Zé, para ser descontado em almoços. Agora já tinha onde comer e dormir, podia retomar sua rotina de treinamentos.

A entrada no Grupo Senzala aconteceu meio que por acaso. Camisa continuava a frequentar a roda dos sábados e agora também levava seus alunos para jogar. Um dia houve um jogo “duro” e um bate-boca em que um capoeirista de fora disse que ele não pertencia ao Senzala e estava “tirando onda”. Foi quando alguns integrantes do Senzala o defenderam, dizendo que ele era do grupo, que tinha vindo da Bahia, era aluno de Mestre Bimba e irmão de Camisa Roxa, a quem deviam muito, pois os havia ajudado com conhecimentos e treinamentos, além da acolhida em Salvador, acompanhado-os em todas as rodas e os apresentando aos velhos mestres baianos.

A partir daquele momento, Cláudio, Danadinho, Borracha, Preguiça e outros, ao comprarem o barulho, integraram Camisa ao Grupo Senzala. Foi assim que, em 1973, com 18 anos, Camisa começou a usar corda vermelha, de professor. Naquela época na Bahia não se usava corda e na academia de Mestre Bimba não havia graduação, os capoeiristas usavam apenas uma cordinha para segurar a calça ou o cordão de São Francisco.

Foram 13 anos de Senzala. Logo depois de sua entrada no grupo, Gato cedeu a Camisa seus horários e começaram as aulas na Associação. Camisa logo se tornou importante na organização do Grupo, ficando inclusive responsável pela roda dos sábados durante muitos anos. Em 1977 formou seus primeiros cordas vermelhas no Clube Guanabara: Cláudio Moreno, Arara e Mula. Naquela época eram todos professores, ninguém era Mestre, nem o próprio Camisa. O trabalho foi crescendo, Camisa desenvolveu uma didática própria e tornou-se uma referência na capoeira carioca.



Paralelamente às aulas, continuavam os convites para shows, peças de teatro, exibições e até um filme, o Cordão de Ouro, dirigido por António Carlos Fontoura. Camisa interpretava – pintado de preto – o Ogum, que batizava o personagem principal vivido por Nestor Capoeira. Para a preparação passou uma temporada com Nestor no Camping do Recreio, treinando para o filme. Em 1982, para a inauguração do Circo Voador, em Ipanema, montou junto com os seus alunos, os atores Chico Dias (Bem-te-Vi) e Cláudio Balthar (Parafina), o espétaculo “Cantos e Danças da Terra”, com várias manifestações culturais brasileiras e a capoeira como carro-chefe.

Os primeiros convites para o exterior foram de Camisa Roxa. Viajava para participar das temporadas de shows do irmão na Europa. A capoeira exercia uma atração enorme nos estrangeiros, que sempre queriam aprender e ver um pouco mais. Chegou a realizar cursos nos próprios teatros em que se apresentavam, depois ficava uma semana, 15 dias e até um mês dando aulas. Os primeiros interessados foram na Alemanha e na França. No início Camisa não tinha alunos graduados dispostos a assumir um trabalho no exterior, mas com o tempo foi preparando professores para ensinar capoeira na Europa. Muitos também iam para os shows e ficavam depois das temporadas.



Movido pela necessidade de uma reflexão sobre o momento da capoeira no Brasil, Camisa aproveitou o espaço democrático do Circo Voador, já instalado na Lapa, para realizar, em 1984, o 1ª Encontro Nacional da Arte Capoeira. O encontro reuniu todos os segmentos da capoeira e contou com a presença do grandes Mestres da Bahia, assim como capoeiristas do Brasil inteiro. Durante uma semana, eles participaram de actividades como palestras, vivências, depoimentos e tiveram a oportunidade de trocar experiências e jogar bastante capoeira até de madrugada.

Em meados da década de 1980, Mestre Camisa já era referência na capoeira brasileira e internacional. Além de ser conhecido pela excelência de sua técnica, também se tornou um pesquisador, desenvolveu sua própria metodologia e um moderno sistema de ensino de capoeira. Sua grande preocupação sempre foi a profissionalização dos capoeiristas, mas para isso precisava que a capoeira conquistasse respeito e ocupasse o lugar de destaque que merecia na cultura brasileira.

Em 1986, Mestre Camisa desligou-se do Grupo Senzala e montou o Grupo Capoeirarte, mas, depois de dois anos, sentiu necessidade de uma instituição que agregasse mais os capoeiristas, que tivesse um significado maior e os apoiasse em suas dificuldades de moradia, alimentação, distância da familia e todos os problemas que ele mesmo tinha vivido em sua chegada ao Rio. Que fosse mais que um grupo, fosse uma verdadeira escola de capoeira.
Assim surgiu, em 1988, a Abadá-Capoeira – Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte Capoeira – com o objectivo de apoiar a formação de capoeiristas profissionais.

A fundação da Abadá-Capoeira possibilitou a Mestre Camisa dar maior ênfase ao lado social da capoeira, não só oferecendo um apoio mais global para os próprios alunos, como também lançando campanhas sociais que auxiliam os segmentos menos favorecidos da sociedade. Atualmente a Abadá-Capoeira é uma das maiores divulgadoras da cultura brasileira dentro e fora do Brasil.
Conta com cerca de 500 professores, está presente em todos os estados brasileiros, representação efetiva em 35 países, com um total de, aproximadamente, 30 mil associados.


(informação retirada da Revista Abadá Capoeira - ano1, nº1 Agosto 2005)

Mestre Camisa, muito obrigado por tudo!!!
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