sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Programa "Na Roda" tudo sobre capoeira ao vivo pela internet




Programa "Na Roda" com Carolina Soares - OrkutTV ao vivo:

Assista pelo site: www.tvorkut.com.br ao vivo para o mundo todo.

Envie o seu evento para ser anunciado na seção calendário do programa...sugestão de pauta...fotos...e tudo que voce achar de interessante para o programa "Na Roda" com Carolina Soares:

e mail para envio de material: contato@carolinasoares.com.br


Fonte: Revista Capoeira

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A Mulher na Capoeira


Desprendidas e preparadas, patriotas nas intenções. Com 40 mulheres sagradas, queimaram 42 embarcações Invencível e sobranceira, Rosa Palmeiráo santificante. Maria Felipa de Oliveira, em Itaparica Comandante. - MARIA FELIPA DE OLIVEIRA 1822

Hoje em dia, é quase impossível assistir a uma roda de capoeira, em qualquer canto do mundo, onde não haja a presença feminina. As mulheres, com todo o direito, estão conquistando a cada dia, mais e mais espaço nesse universo que durante muito tempo foi predominantemente um espaço masculino.

A importância da mulher na capoeira vai muito além da graça e beleza que elas proporcionam a essa manifestação. A mulher sendo respeitada e valorizada numa roda de capoeira, garante que esse espaço seja cada vez mais um espaço democrático, onde a diversidade e a convivência harmoniosa entre os diferentes, significam um exemplo de tolerância e convívio social nesse mundo tão cheio de preconceitos e discriminações. Este exemplo é um dos ensinamentos mais importantes que a capoeira oferece às sociedades contemporâneas.

Além disso, a mulher é fundamental no trabalho de organização da capoeira. Não podemos pensar numa academia ou num grupo de capoeira, em que as mulheres não ocupem um papel estratégico nessa função. Talvez isso se dê pelo fato da mulher possuir essa capacidade de organização num grau mais desenvolvido que os homens, não sei. Só sei que sem as mulheres nessa função, a maior parte dos grupos de capoeira de hoje em dia não sobreviveriam por muito tempo.

Já temos também muitas mulheres com o título de “mestre” ou “mestra” de capoeira, como queiram. E são mulheres muito respeitadas no meio, que realizam trabalhos importantes e reconhecidos, apesar de ainda haver resistências por parte de alguns setores mais conservadores da capoeira. Mas é uma questão de tempo para que esse tipo de preconceito seja também superado.

Mas é bom lembrar que apesar do universo da capoeira ter sido predominantemente masculino, existiram muitas mulheres que deixaram seus nomes gravados na história da capoeiragem. Só para citar alguns nomes, a capoeira de outrora traz histórias impressionantes de valentia e destreza de algumas mulheres como: Maria Doze Homens, Salomé, Catu, Chicão, Angélica Endiabrada, Almerinda, Menininha, Rosa Palmeirão, Massú, entre muitas outras mulheres. Histórias que envolviam enfrentamentos com a polícia, brigas com navalha, e até mortes de valentões famosos como Pedro Porreta, que segundo algumas pesquisas indicam, foi de autoria da temida “Chicão”, conforme relatam jornais da época.

Vem jogar mais eu, mulher….vem jogar mais eu…que na roda de capoeira, o espaço também é seu !

Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

Fonte: Portal Capoeira

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Função das Cantigas de Capoeira



Nesta crônica Raphael Pereira Moreno emite seu ponto de vista a respeito da função do cantar, e do cantadô, na roda de Capoeira

“A capoeira, pela sua própria natureza, é um jogo de inteligência...
Um esconde-esconde, um faz de conta, um eterno improviso...
Uma contínua gozação!
Ganha quem engana mais e melhor
Para enganar é preciso ter malícia
É preciso ter inteligência!
Capoeirista burro é um erro de lógica...
Não pode ser burro, por que.
A capoeira é o inverso de burrice!
Começamos pela existência da chula
Curto improviso que inicia a vadiação
Para cantar improviso é preciso ser poeta
Para ser poeta é preciso ser inteligente!
Burro não faz versos, apenas zurra!
Para cantar o improviso introdutório
O cantador deve conhecer todo o repositório litero-filosófico da roda
Manifestá-lo de modo ritmado conforme a tradição musical da capoeira
Respeitando a herança dos africanos
Cantando num estilo tonal
Ajustando nosso falar ao tom dos iorubas
Logo não pode ser burro
Nem teimoso como o jegue!”
Dr. Decânio

            A capoeira traz em todos os seus componentes a marca da criatividade de um povo. Seja na expressão do corpo do jogador, na denominação dos movimentos, na pintura (ou não) dos instrumentos, no modo de vestir e falar, mas principalmente na musicalidade.

            A música é um dos aspectos mais importantes na capoeira... a capoeira lúdica. Como mestre Bimba ressalta, ela é o instrumento do “juiz”, o mestre da roda. As canções, bem utilizadas por cantadores experientes, cadenciam o jogo, marcam o ritmo a ser seguido pelos jogadores, e durante a roda elas podem tanto acalmar os ânimos como ajudar a inflamá-los.
           
            Durante as ladainhas, chulas e corridos, o cantador demonstra todo seu momento, seu sentimento. Ele passa para os capoeiras a sua mensagem... mas sempre de modo mandingueiro, que deve ser “pros menos desavisados” não entenderem! Com o berimbau na mão, o capoeira-poeta cria, avisa, caçoa, aconselha, relembra, evoca proteção, elogia, improvisa, reverencia seus orixás, seu santo protetor... Dá o recado!

            Waldeloir Rego, em livro da década de 60, realizou um excelente trabalho de pesquisa e análise de diversas cantigas de capoeira. Leitura obrigatória para quem está interessado em entender as entrelinhas das músicas. Nesse trabalho ele separa as cantigas mais tradicionais por tipo (ladainha, corrido etc), assunto, etc... além de explicar algumas expressões não tão comuns hoje em dia.

            Como Dr. Decânio nos ensina no trecho introdutório desse texto, de maneira clara: “...Para cantar improviso é preciso ser poeta...”. O poeta do povo, com versos simples e mensagens fortes. Misturando os fatos cotidianos, fazendo alusões aos acontecimentos da vadiação, aos mestres que já se foram e aos que ainda estão conosco. Quem já ouviu Mestre Canjiquinha cantar a sua alegria numa roda de capoeira entende o que é improvisar. 

            Em recente show no Sesc - São Carlos, outra figura importantíssima da cultura afro-brasileira nos brindou com sua alegria e criatividade. Durante um show inesquecível, o sambista bahiano Riachão provou todo o seu talento fazendo a assistência se movimentar do início ao fim. Inclusive ele mesmo, com seus 81 anos, sambou o show inteiro.

            Voltando à capoeira, para representar o papel de cantador e improvisar, é preciso entender as cantigas que já fazem parte da capoeira, as ditas músicas “tradicionais”. Hoje em dia as pessoas estão repetindo músicas sem nem mesmo querer saber do que se trata. Mas antes de criar seus versos, é necessário ao capoeira uma espécie de iniciação, uma boa pesquisa nos discos e fitas ouvindo os cantadores já consagrados. Além disso, em todas as rodas por onde passamos devemos prestar atenção especial em quem está cantando e no modo que a pessoa está fazendo. Como já descrito antes, as músicas nos contam tudo o que se passa na roda.

            Outra característica importante é o modo de cantar. Como ouvi de mestre Ananias, numa roda em Piracicaba: “O capoeira tem que cantar com emoção, e não berrar na roda”. O cantador tem que possuir certa sensibilidade musical, não necessariamente ter profundo conhecimento de teoria musical. Acredito que grandes mestres cantadores como Waldemar da Liberdade, Caiçara, Canjiquinha, Bimba, Ezequiel, Monteiro, Swingue, João Grande, Moraes e muitos outros, não tiveram aulas de música. Não que a teoria seja prejudicial, mas na verdade eles não precisavam desse artifício, já possuíam ou aprimoraram com o tempo a sensibilidade musical.

            Da mesma forma que o cantador possui muita responsabilidade numa roda, os capoeiras que formam a assistência têm seu papel, muito importante também. Qualquer pessoa, do mais leigo no assunto ao mais experiente capoeira, percebe a energia que flui em uma roda de capoeira. Como diria Dr. Decânio, é o que provoca o Transe Capoeirano a que estão submetidos os jogadores. Quantas vezes já ouvimos comentários como: “Hoje, a roda estava com mais AXÉ!”. E o que pode tornar uma roda mais animada? Quais as diferenças entre uma roda boa e outra não? Existem várias diferenças, mas certamente uma delas é o coro. Um coro forte, bem feito, parece soltar na roda uma energia mágica que contagia até um expectador que estava só de passagem pela vadiação. A partir dele conseguimos verificar a animação das pessoas e já prevendo isso, mestre Pastinha registrou em seus manuscritos: “É dever de todos os capoeiristas, não é defeito não saber cantar; mais é defeito não saber responder, pelo menos o coro. É probido na bateria pessoas que não respondem ao coro.”.

            Toda essa preocupação com a musicalidade que envolve a capoeira visa manter forte a ligação entre a ancestralidade e o nosso cotidiano. Visa manter viva a ligação entre a capoeira e as manifestações populares, a luta do negro guerreiro contra um sistema opressor, a vida simples do poeta sertanejo.
   
E você? Como tem praticando o seu cantar?

Sagu - raphaelmoreno@yahoo.com.br
São Carlos - Dez/2004

Fontes consultadas:

1. Waldeloir Rego. “Capoeira Angola: um ensaio sócio-etnográfico” , Ed. Itapoan, Salvador, 1968.
2. Herança de Pastinha. Metafísica da Capoeira. Decânio. Coleção São Salomão 3.
3. A musicalidade na Capoeira. Miltinho, Rogério, Luiz, (GPEC - NGOLO, Jun/2002)

 Via: Jornal do Capoeira

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Capoeira, Sincretismo, Santos e Orixás...

A presença e a ligação dos Santos e Orixás com a Capoeira é sentida em diversas cantigas e ladainhas…

O Brasil sempre foi um país envolvido e mergulhado no sincretismo religioso, no misticismo… uma das maiores dadivas de nosso povo é a miscigenação… a misturas de raças, de culturas e religiões.

A capoeira nasceu em meio disso tudo, ela própria nasceu de misturas…

Existem diversas vertentes e estudos sobre isso… é sabido a influência de lutas oriundas da África como o N´golo, a Dança da Zebra o Batuque…

A “camuflagem” da capoeira escrava em dança com intenção manhosa e maliciosa de iludir o feitor e o Senhor… foi o segredo da sua existência e permissão de prática no meio das Senzalas…

A Capoeira, tem origens e raizes africanas...seu ventre, sua mãe... é conhecida como cultura negra... seu pai a liberdade... mais nasceu e foi criada no Brasil, algures no recôncavo Baiano... cercada de malandragem e brasilidade...”

...Bahia terra de todos os Santos… e Orixás…

É inegável a presença religiosa dentro da Capoeira… que em sua essência é um ritual… cheio de manifestaçãoes e referências a uma força maior… Iêêê viva meu Deus…

Este Deus representa a força e a energia divina… que pode assumir diversos nomes, tão conhecidos por todos…

Ala… Buda… Deus… Brahma … e tantos outros...

Luciano Milani - Setembro de 2005

 Segue o texto enviado por Mestre Decânio sobre o tema:


Santos e Orixás o sincretismo na Capoeira “Em "Falando em Capoeira" eu faço alusão a este fato e justifico: é consequência da capoeira ter sua raiz mística e musical no candomblé.

Os cânticos (oriki) louvam os atributos maravilhosos dos orixás. O sincretismo manhoso para evitar os preconceitos eclesiásticos leva ao uso de nomes de santos e trechos de orações, especialmente das ladainhas, em tentativas de lisonja dos censores.

São Bento é um santo a quem creditam uma vida mais próxima da Natureza e dos animais. Santo Amaro é o Protetor da área portuária onde surge a capoeira. Santo Antônio é associado a Ogum na Bahia e a Oxossi no Rio de Janeiro. São Lázaro é a Omolu (Obaluaê), (portador de varíola), na Bahia é representado por São Jerônimo no Rio .Oxalá é para fraseado pelo Senhor do Bonfim... São Jerônimo na Bahia é Xangô.

Tudo em busca de apaziguar a imagem do Diabo, Belzebu associada a Exu pelos cristãos. Santa Bárbara=Nhançã. Santa Maria pelo seu prestígio e interferência junto a Jesus Cristo (Oxalá) e Deus-Pai. De modo similar há referência a Lampião, Zumbi, Pedro Gordilho (Pedrito), Besouro Mangangá, Besouro e/ou mesmos personagens de lendas ou imaginários. Na verdade o importante é o efeito mântrico associado ao toque e sistema de rima poética tonal dos africanos, associado às modificações fonéticas das palavras e expressões para acoplamento à melopéa.”

Ser Capoerista é saber conviver… é saber respeitar… é ser acima de tudo um cidadão de espírito livre…
Combater as descriminações e as intolerâncias… dentro ou fora da roda.

* Imagens enviadas pelo Mestre Decânio

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Contramestre e não Mestrando: Mestrando em Capoeira?

ESTE POST ESTÁ SENDO COLOCADO AQUI PARA GERAR UMA DISCUSSÃO SADIA SOBRE O ASSUNTO, NÃO É PARA OFENDER OS FUNDAMENTOS DE QUEM ESCOLHE ALGUM DOS TERMOS CITADOS.

Historicamente a Capoeira vem se estruturando, saindo do mágico ao marcial. E buscando dar finalidades acadêmicas a Capoeira. Sendo a Capoeira valorizada até como a própria educação física no século passado, antes da própria organização da educação física no país. Outro cuidado que devemos ter é os termos “luta” e “arte marcial”, ambos são diferentes entre si, mas não entraremos em detalhes aqui, pois o tema é o termo “mestrando” e “contramestre”.

Não se deve esquecer que sempre estamos em continua aprendizagem. Muitos eram chamados de “professores de capoeira”, quando começavam seu trabalho ensinado a outros, em seguida por um período de prática eram chamados de mestres e eram respeitados e temidos por todos, mas historicamente não havia qualquer graduação na Capoeira.

Mestre Bimba Mestre Bimba
O primeiro a criar um sistema de graduação foi Mestre Bimba, onde usava lenço para graduar seus alunos. Este lenço era a maneira do mestre homenagear os capoeiristas do passado que utilizavam um lenço de esguião de seda no pescoço para evitar o corte da navalha do inimigo. A graduação máxima era lenço branco. Segundo Mestre Edinho, os únicos a receberem o título de Mestre da Regional Baiana pelas próprias mãos de Mestre Bimba foram, Jair Moura, Miranda, Decânio e o próprio Edinho.

Na década de 70, quando a Capoeira passa a ser aceita como “Esporte Nacional”, para que fossem possíveis as competições, introduziram-se as Graduações de Capoeira no Brasil. Ainda por aprovação não-formal pelo próprio Mestre Bimba, o Mestre Mendonça adota a corda (cordel) de capoeira, organiza o sistema de graduação seguindo o sistema oficial desportivo do país, onde a graduação era baseada na Bandeira brasileira. Outros grupos adotaram outros sistemas, cordas ou cordões, filosofias de cordas e cores diferentes.

Depois de muita polemica com o termo “professor de capoeira”, que passa na risca por ser de tradição pelos praticantes antigos de capoeira e não fere a docência dos profissionais da educação. Mas agora o termo “mestrando” está mostrando a desvalorização da tradição, um termo que não soou bem, onde depois de “Professor de capoeira” o profissional da capoeira passa a ser “Contra-Mestre de capoeira” e futuramente “Mestre de capoeira”. Muitos Profissionais das Universidades perguntam, quando foi que a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) aprovou o “mestrado em Capoeira”? Daqui a pouco vão está substituindo o Grão-mestre por “Doutorando” e logo “Doutor em Capoeira”.

O estágio de “Contra-Mestre de Capoeira”, é o titulo alcançado pela busca do crescimento e do reconhecimento popular. Essa “graduação de capoeira” simboliza a fase da malicia, do carisma capoeirístico e da transmissão dos segredos da capoeiragem, seja na roda ou na vida. É uma etapa alcançada, que antecede a formação do futuro “Mestre de Capoeira”.

Segundo CAPOEIRA LUTA DO BRASIL, “Originalmente, não havia graduação na capoeira. O próprio Mestre Bimba, somente quando considerava um aluno APTO, ou seja, realmente sabedor do que lhe fora ensinado, é que o considerava formado e, seguindo uma tradição, dava-lhe um lenço de seda azul que deveria ser usado amarrado ao pescoço sempre e somente quando o capoeirista ia para a roda jogar. Atualmente, a graduação é usada para distinguir as várias fases do aprendizado do aluno, sendo que cada grupo ou associação adota o critério e as cores que mais lhe convierem seguindo suas preferências em fitas, cordéis, cordas, faixas ou lenços de seda em conformidade com o sistema de cores da Bandeira Nacional, das religiões Afro, do Candomblé, dos elementos da natureza (fauna, flora, etc.). Hoje existem diferenças inclusive na nomeação da graduação. Onde alguns chamam de CORDA e alguns de CORDÃO”.

Na Capoeira Angola não existe um sistema de cordas, alguém depois de aluno alcança seu titulo, de professor, de contramestre ou de mestre de acordo com seu trabalho na comunidade, acompanhados pelos mestres antigos. Por sua vez na Capoeira Regional existe um sistema de graduação onde as cores das cordas/cordéis/cordões variam de entidade para entidades capoeirísticas e sendo decretado por sistemas de graduações, variando os números de estágios e programas propostos pelos seus mestres superiores.

Nossa inquietude foi à tentativa da mudança do termo contramestre (Contra-Mestre) para mestrando, onde não tem nenhum tipo de coerência ou fundamentos concretos ou capoeirísticos, onde fomos bastante criticados pelo meio acadêmico universitário, que faziam gozação de nossas pessoas e diziam que nós não tínhamos leitura, para isso que resolvi dar esta resposta e mostrar que temos fundamentos e tradição e cada dia através de nossas pesquisas mostramos os valores dos profissionais da capoeira, somos cientistas da capoeira e pesquisadores.

Vamos entender melhor os termos e não ficar dando equívoco, motivos de irrisão, mostramos que temos leitura e somos profissionais qualificados em nosso meio acadêmico-capoeirístico. Então, o mestrado é o primeiro nível de um curso de pós-graduação Stricto Sensu, que tem como objetivo, além de possibilitar uma formação mais profunda, preparar professores para lecionar em nível superior, seja em faculdades ou nas universidades. Um curso de pós-graduação se destina a formar pesquisadores em áreas específicas do conhecimento. Seu passo seguinte será o doutorado, onde se capacitará como um pesquisador, assim como as suas especializações, o Pós-Doutorado e/ou a livre-docência.

Note-se, entretanto, que o mestrado não é pré-condição obrigatória para o ingresso no doutorado, alunos com um desempenho muito bom na graduação podem ser aceitos diretamente no doutorado. Esta aceitação depende da legislação particular de cada Universidade. Mesmo assim, não existe um titulo de “mestrando” específico e sim Mestre em qualquer área do conhecimento.

Mestrando não é um título. Como alguém poderá receber um diploma de Mestrando? Se ao final de um Curso de Mestrado se receber o Diploma de Mestre. Existe diploma de Contramestre de Capoeira (Contra-Mestre) reconhecida por todas as entidades capoeirísticas, com incentivo até por instâncias governamentais e não-governamentais, como um profissional, sendo acima do grau de “Professor de Capoeira” (este por sua vez, deve-se ter a docência).

No Brasil se organiza da seguinte forma: Os cursos de mestrados, assim como os de doutorado, são formados exclusivamente por professores doutores, com suas respectivas linhas de pesquisa e profunda experiência na sua área. O aluno propõe um projeto de pesquisa para ser aceito num determinado programa de seu interesse.

Sem pesquisa, podemos ser levado ao erro, temos que está sempre embasado em pesquisas teóricas e nas bibliotecas vivas que são os mestres antigos da Capoeira. Na qual devemos respeitar suas opiniões e manter viva seus ensinamentos e as sabedorias deixados pelos pioneiros da Capoeira, desde a época de Zumbi até Mestre Bimba.

No mestrado, além de freqüentar disciplinas avançadas, que incluem uma parcela significativa de pesquisa bibliográfica individual, de leitura e de trabalho de interpretação, é desenvolvido um trabalho de pesquisa científica, que deve ser apresentado em forma dissertativa. Esta pesquisa pode ser realizada através de estudo de caso, de pesquisa de campo, em laboratório, etc. Através dela, acompanhando as últimas informações sobre o assunto, o aluno irá se introduzir em determinado tema.
Este deverá ter sido aceito e considerado relevante pelos professores do curso de pós-graduação que esteja cursando, assim como deve estar em consonância de interesse com as linhas de pesquisa dos professores pesquisadores do curso e estar informado das principais conquistas do campo do estudo a nível internacional, o que exige o conhecimento de mais uma língua.

Além das disciplinas, o final do processo é marcado por uma avaliação na qual o candidato ao “título de mestre” deverá apresentar seu trabalho a uma banca examinadora, em geral de três professores, que o julgará medindo se o aluno adquiriu capacidade de desenvolver um trabalho autônomo, seguindo as regras da pesquisa e se desenvolveu um trabalho de destaque no campo escolhido.

A banca examinadora é formada pelo professor orientador e dois professores convidados, especialistas no assunto tratado. Necessariamente um deles deverá ser de instituição de ensino superior distinta daquela em que se está cursando. Poderão ser convidados especialistas no assunto que não tenham título de Doutor, mas que tenham evidente contribuição naquele campo.

O tema aqui em questão é a polemica entre o termo Contramestre e Mestrando. Na Capoeira usa-se o termo Contramestre para designar alguém com uma graduação inferior a de um Mestre e Superior a um Professor de Capoeira. Segundo o Dicionário on-line Wikipédia <http://pt.wiktionary.org/wiki/contramestre>, a palavra contramestre (con.tra.mes.tre), masculino (feminino: contramestra), tem como definição: “1. O imediato ao mestre ou ao seu substituto; 2. Abaixo do mestre ou do chefe.” Sendo que, tradicionalmente é um grau abaixo de Mestre, um título, uma graduação, uma etapa alcançada, uma conquista. Não podendo ser substituído por mestrando, que é alguém que está estudando o mestrado em qualquer área científica, não podendo ser um título, sendo no final o título de Mestre (MSc).
Outro exemplo do contramestre, “o contramestre mais antigo, encarregado da limpeza e conservação e da disciplina da tripulação do convés de embarcação mercante, Marinha Mercante (fonte: Decreto-Lei nº 280/2001, de 23 de Outubro).” Mesmo porque a Capoeira teve sua propagação nos Cais de vários portos do Brasil, sendo os capoeiras, que eram tripulantes de embarcações, atrações de rasteiras e vadiação dos grandes portos no século passado, ficando o titulo aos capoeiras respeitados tradicionalmente como um grau maior ao “Professor” de Capoeira e abaixo do Mestre de Capoeira.

Por muitos anos, os Contramestres de Capoeira vem sendo diplomado nas entidades capoeirísticas pelos seus Mestres e não podemos mudar de uma hora para outra, um titulo sem fundamentos teóricos ou tradicionais. Este nível de graduação na capoeira é concedido quando é reconhecida no praticante sua capacidade técnica, seu conhecimento sobre a capoeira, sua atuação no universo da capoeira, na comunidade na qual está inserido e só pode ser efetivado pelas mãos de Mestres de Capoeira.

A lista dos programas de pós-graduação no Brasil, com seus respectivos conceitos se encontra na página da CAPES. Ao iniciar os estudos, sob a orientação de um doutor na área escolhida e durante um período, usualmente de dois a dois anos e meio, o aluno realiza pesquisas que deverão resultar em uma dissertação sobre um determinado assunto escolhido, com metodologia adequada ao desenvolvimento do trabalho.

Para aprofundar melhor os termos com referencia ao curso de pós-graduação, apresentaremos de maneira compreensiva para não confundir o nosso profissional da capoeira com graduações afins. Os cursos de pós-graduação se dividem em duas categorias: latu sensu, na qual se enquadram os cursos de especialização e boa parte dos MBAs ofertados no Brasil, e stricto sensu, que são os cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado, como veremos a seguir:

LATO SENSU: Os cursos de pós-graduação lato sensu, oferecidos por instituições de ensino superior ou por instituições especialmente credenciadas para atuar nesse nível educacional, independem de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento e devem atender ao disposto na Resolução CNE/CES 01/2001. Incluem-se nesta categoria os cursos designados como MBA (Master Business Administration) ou equivalentes. A duração mínima é de 360 horas.
ESPECIALIZAÇÃO: Curso com carga horária superior a 360 horas/aula. Destinado ao aperfeiçoamento profissional, tem uma abordagem específica. Para obter o diploma de especialista, o aluno deve apresentar, ao final do curso, uma monografia ou um trabalho de conclusão do curso (TCC).
MBA Júnior: O MBA Júnior é destinado a pessoas que estão saindo da universidade e precisam associar o conhecimento teórico à prática profissional. Algumas instituições oferecem estes cursos em dois anos – um deles quando o aluno ainda está no último período da graduação.
MBA: Destinado a profissionais de diversas áreas interessados em aprofundar seus conhecimentos na área de gestão empresarial. A diferença dos cursos de especialização está na metodologia adotada, uma vez que o MBA abrange várias áreas do conhecimento. Os MBAs norte-americanos equivalem a um curso de mestrado, por se enquadrarem na categoria stricto sensu.
STRICTO SENSU: Os cursos de pós-graduação stricto sensu, compreendendo programas de mestrado e doutorado, são sujeitos às exigências de reconhecimento e recredenciamento previstas na legislação.
MESTRADO ACADÊMICO: Voltado à qualificação de professores universitários, tem como objetivo estimular a pesquisa acadêmica. Para obter o título de mestre, os alunos devem apresentar uma dissertação sobre um tema que se enquadre em seus interesses e ainda nas linhas de pesquisa da instituição. Tem duração média de dois anos.
MESTRADO PROFISSIONAL: É destinado a profissionais que estão no mercado de trabalho e querem aprofundar seus conhecimentos em uma determinada área, conciliando-os à sua atividade profissional. Ao final do curso, o aluno deve apresentar uma dissertação, abordando um tema específico. Tem duração média de dois anos.
DOUTORADO: É o aprofundamento da pesquisa científica sobre um determinado tema – que, muitas vezes, já pode ter sido estudado no mestrado – só que com um enfoque inédito. Ao final do curso, o aluno apresenta uma tese sobre o assunto pesquisado. Dura, em média, quatro anos.
PÓS-DOUTORADO: É uma forma de permitir ao pesquisador atualizar, consolidar ou ampliar seus conhecimentos ou, ainda, rever sua pesquisa. Esse trabalho é feito com um grupo de pesquisa consolidado na área de especialização do candidato.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), um dos órgãos que concedem bolsas para o financiamento dessas pesquisas, estabelece uma série de exigências para concessão dessas bolsas. Além do título de doutor, o pesquisador deve se dedicar integralmente às atividades programadas na instituição de destino.

Com toda essa gama de informação agora poderemos compreender a veracidade da confusão feita por influencias de modismo sem fundamentos teóricos. Apesar de nosso Dicionário Capoeirístico não oferecer este termo, não soou bem aos amantes da Capoeira e nem sentido do uso por parte de nossos antigos mestres.

Não podemos esquecer que Mestre Bimba é hoje o mestre mais reconhecido entre todos, em 1996 tendo recebido o tardio titulo de Doutor Honoris Causa, concedido pelo corpo universitário da Bahia. Seu nome é conhecido no mundo inteiro, pois é a primeira coisa que qualquer calouro aprende, em qualquer lugar do mundo em que se ensine a capoeira regional.

Vale apenas salientar que só existem dois estilos, Angola e Regional, o resto é complemento para embelezar a capoeira, exemplo, o miudinho criado por Mestre Suassuna, bem como outros não são estilos, são complementos, como as acrobacias e etc. Não existe um estilo contemporâneo, termo sem fundamentação teórica que querem implantar. A regional perdeu sua essência mais continua sendo a base dos que praticam o lado marcial da capoeira, apesar da sua descaracterização.

Até a própria Confederação Brasileira de Capoeira vem cometendo erros em querer divulgar outros nomes como criadores de novos estilos, onde por tradição não existem linhagens fundamentadas por todo o Brasil, onde a ultima aceita é a Regional Baiana de Mestre Bimba. Sendo uma confusão da Capoeiragem, uma técnica da capoeira sem rotulo ou estilo, fazendo da capoeira uma arte cheias de diversidades, fazendo ela a própria diversidade local-nacional, um pouco de cada região.

Portanto, devemos respeitar os títulos de Doutor Honoris Causis dados pelas Universidades aos grandes nomes da Capoeira, aos Grandes Mestres de Capoeira de nossa História, isso não quer dizer que aderimos o Curso de Doutorado e que estes Mestres não foram doutorandos, não passaram por doutoramento e nem defesas de alguma tese ou descobertas cientificas, simplesmente foram ou são magníficos. Enfim, A Capoeira é muito mais que isso tudo e tem seu valor científico e cultural para seus verdadeiros praticantes que buscam na pesquisa científica dar qualidade a capoeira e não se prender ao puro modismo ou rótulos influenciados pela mídia.

1. Estudante de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física na Universidade do Estado do Amazonas; Licenciado em Geografia pela Universidade do Estado do Amazonas. Ativista e Pesquisador de Relações de Fronteira pelo Núcleo de Estudos Estratégicos Pan-Amazônicos. Conhecido no mundo da Capoeira como Mestre Dedão (AM), com 24 anos de pratica em 2009, sendo 14 anos educando mentes e formando cidadãos comprometidos com a comunidade, tendo discípulos espalhados pela Colômbia, Peru e Amazônia Brasileira, transmitindo sua filosofia. É uma representação da Associação de Capoeira Ave Branca, discípulo do Grão-Mestre Kall (DF).

Referência

CAPES. Disponível em: www.capes.gov.br; Acessado em: 11 de setembro de 2009.
CAPOEIRA, Nestor. Capoeira, Pequeno Manual do Jogador. Rio de Janeiro: Record, 1992.
CAPOEIRA LUTA DO BRASIL. Graduação. Disponível em: http://www.capoeiralutadobrasil.hpg.ig.com.br/capoeira_Graduacao.htm;. Acessado em: 11 de setembro de 2009.
DICIONARIO WIKTIONARY – WIKIPEDIA. Contramestre. Disponível em: http://pt.wiktionary.org/wiki/contramestre; Acessado em: 10 de setembro de 2009.
KOSTER, Henry. Viagens ao Nordeste do Brasil – Tradução e notas de Luís da Câmara Cascudo. São Paulo: Cia. Ed. Nacional, 1942, [p.316-7,333]. In: REGO, Waldeloir. Capoeira Angola. São Paulo: Itapoã, 1968.
MACHADO, José Pedro. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa – Com a mais antiga documentação escrita e conhecida de muitos dos vocábulos estudados. Lisboa: Editorial Confluência, 1956 [v. I, p.461]. In: REGO, Waldeloir. Capoeira Angola. São Paulo: Itapoã, 1968.
MENDONÇA, Renato. A Influência Africana no Português do Brasil. 4a. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972. [p.49]


Por: Edney da Cunha Samias (Mestre Dedão)*
E-mail: edney_cunha@hotmail.com

*Artigo de minha inteira responsabilidade.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

E a Corda, quem inventou? Considerações sobre o emaranhado das graduações na capoeira

Aqui vai mais um post para colocar todo mundo a pensar...

E A CORDA, QUEM INVENTOU?

PESQUISA: Neste artigo o autor, Irapuru Iru Pereira, questiona: quem e quando inventou-se o uso da corda, cordel e cordão como símbolo hierárquico da Capoeira?
Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br
Edição 63 - de 05 a 11/Mar de 2006

Irapuru Iru Pereira*
Barra do Corda, Maranhão
Março de 2006

Satisfação é o mundo da Capoeira poder contar com esse importante veículo de divulgação de nossa Arte.

Conforme já adiantei em bate-papo via net, venho dividir com os leitores desse Jornal curiosidade sobre a História da Capoeira, cujo estudo tenho me dedicado há alguns anos por diletantismo, o que faz de mim mais "curioso" do que propriamente estudioso sobre a Capoeira. Trata-se da origem ("parição") da corda, cordel, cordão ou outra denominação regional para as graduações.

Tudo começou quando depois de uma Roda aqui na cidade em que eu moro, Barra do Corda-MA, meu filho então com 11 anos de idade, se reportando ao pronunciamento do Mestre que naquela ocasião por um tempo considerável falou da corda como importantíssimo elemento de graduação e promoção do Capoeira. Meu filho perguntou-me quem havia criado a Corda e quando isso havia acontecido. De lá pra cá, fazendo jus ao nome da cidade em que moramos, foi "Barra" desenrolar essa "Corda". De pronto tive que admitir não saber a resposta e parar para pensar o quanto em nosso cotidiano, alienadamente, adotamos e reproduzimos conceitos e comportamentos sem questioná-los, como Marx, Weber e Durkaeim explicam.

Diante da dúvida, fui aos meus poucos alfarrábios, e nada; procurei o Mestre autor do Sermão sobre a Corda, e nada; estive na Capital São Luís e conversando com velhos e novos mestres, nada; tenho visitado inúmeros sites, e também nada. Será falta de sorte de ainda não ter encontrado publicação esclarecedora sobre a questão, ou será que topei com um Ovo de Colombo na Capoeira?



A dúvida persiste e aproveito agora para dividi-la com os leitores do Jornal do Capoeira. Não somente por pura curiosidade, mas sim pelo fato de que na busca dessa informação muitos de meus conceitos sobre a Capoeira sofreram mudanças consideráveis, bem como a dúvida em questão acabou por me levar a acreditar que a Corda na Capoeira, com todo respeito ao respeito que os Capoeiristas de corda têm a ela, assume hoje um papel fetichista. E ao procurarmos entendê-la somos levados a debater e interpretar as fortes estruturas hierárquicas quem vêm sendo construídas na Capoeira e a validade disso para quem utopicamente considera o respeito ao outro, seja ele quem for: veterano ou incitante, como valor máximo na Capoeira. "Viva as utopias!".

Finalizo deixando um grande abraço a todos que fazem o Jornal do Capoeira e deixando aqui para o debate e troca de informações, minha dúvida : Quem ou que grupo criou a corda como símbolo de graduação e promoção na Capoeira ?

Irapuru Iru Pereira

* IRAPURU IRU PEREIRA, capoeira integrante do Grupo Angoleiros da Barra. O GABA CAPOEIRA de Barra do Corda-MA.

Ilustração: Vadiação em Barra do Cordo. Nos berimbaus estão Irapuru Iru, de preto, e Samuel Barroso, de amarelo.

Considerações sobre o emaranhado das graduações na capoeira



Jornal do Capoeira - www.capoeira.jex.com.br
Edição 66 - de 26/Mar a 01/Abr de 2006

Miltinho Astronauta
São Sebastião, SP
Março de 2006

Continuam chegando, à nossa Redação, comentários e sugestões sobre a matéria/pesquisa do camarada IRAPURU IRU, de Barra do Corda, Maranhão: "E A CORDA, QUEM INVENTOU?".

Tema dos mais importantes e que, há algum tempo, vem preocupando os capoeiras. O artigo de André Luiz Lacé (1996), transcrito na edição anterior só aumentou o interesse geral pelo assunto.

Estamos encaminhando ao Sr. Irapuru Iru todas essas mensagens, com objetivo de municiar sua pesquisa. Em troca, ficaremos aguardando o resultado final da mesma, na certeza que teremos em mão um precioso subsídio para todo e qualquer seminário sério sobre capoeiragem.

Mas, enquanto esse relatório final não chega, como anunciamos na edição anterior, vamos dar também a nossa opinião, fazendo um pequeno resumo sobre a "novela" Cordel, cordão, corda etc...

A partir de meados da década de 1960, em São Paulo, quando os Mestres Zé de Freitas, Valdemar "Angoleiro", Paulo Gomes, Pinatti (foto 2, Dia do Capoeirista 2005, Câmara Municipal de São Paulo; ao fundo Vereador-campeão de Judô Aurélio Miguel), Joel, Gilvan, Suassuna, Brasília, Silvestre e outros estavam implantando a prática da capoeiragem na sociedade paulistana, não existia graduação, mas existia a hierarquia. Eles eram os mestres de fato, embora não o fossem de direito, uma vez que para serem de direito haveria a necessidade de serem reconhecidos pelo Departamento Nacional de Capoeira da Confederação Brasileira de Pugilismo (CBP), com sede no Rio de Janeiro.

Em 1969 foi realizado, no Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro, um Congresso sobre Capoeira, entre outros, com os seguintes objetivos: 1. Decidir se capoeira era esporte ou folclore; e 2. Desenvolver a capoeira no âmbito esportivo, dando-lhe uma roupagem mais "formal".

Participaram do congresso mestres representando os estados do Rio, Bahia e São Paulo. O desenrolar deste processo deu-se nos anos subseqüentes, quando Mestre Damianor Ribeiro de Mendonça (foto 1), então assessor da Confederação Brasileira de Pugilismo, redigiu o "Regulamento Técnico da Capoeira". Tal regulamento, do qual recebi cópia enviada pelo autor (M.Mendonça), foi publicado em 26 de dezembro de 1972, passando a vigorar em Janeiro do ano seguinte.

Mestre Geraldinho (Geraldo de Carvalho), de Nova Jersey, entrou pela mesma seara:

"Quando comecei a treinar em 1973, as graduações ainda não tinham padrões como os de hoje. Quando a Confederação de Pugilismo (CBP) fundou seu setor administrativo da Capoeira, acredito ter sido ai a regulamentação e criação das graduações na Capoeira da forma que temos hoje. Acredito também que os mestres mais antigos (André Lacé, Bogado, Suassuna, Joel, Baiano etc) que já participavam da capoeira no final da década de 60 e principio dos anos 70's, articularam o assunto quando preparavam-se para fundarem as organizações (entidades) para gestão desportiva da capoeira: FPC, FCRJ, etc". Na foto 3 estão Mestres Bogado e Geraldinho.

Flávio Soares, o contramestre Saudade, do Rio de Janeiro, participou do VII Festival de Capoeira da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, promovido pelo Acervo Cultural da Capoeira Artur Emídio de Oliveira, qual é coordenado pelo mestre Gilberto Oscaranha, e constatou com o próprio Mestre Mendonça que ele foi o "criador" dos cordéis e da hierarquia de graduações tão comuns nos dias de hoje.

Durante as discussões anteriores a aprovação do Regulamento citado acima (1972), Mestre Carlos Sena, aluno de Mestre Bimba, chegou a sugerir o uso de Fitas, não sendo a idéia, na ocasião, aprovada pela maioria.

Prevaleceu a forma de cordéis, muito embora a nomenclatura, sequência de cores e critério para graduação jamais lograram unanimidade no grupo. Sem contar que os mestres mais tradicionais da Bahia (Angoleiros) e do Rio (capoeiras de Sinhozinho) continuaram seguindo seus respectivos costumes.

Em São Paulo, em época anterior ao uso das cordas, cordéis e cordões, a graduação se dava pela cor das calças. Na Academia São Bento Pequeno, por exemplo, calça preta era novato, verde era batizado, amarelo era intermediário, azul referia-se a avançado e calça branca para o Mestre. A academia São Bento Pequeno foi fundada pelos Mestres Djamir Pinatti, Paulo Limão e Paulão.

Cabe ressaltar que o uso das cordas, cordéis e cordões, acompanhou a necessidade de se regulamentar a Capoeira face ao regime militar da época, sendo que o "agente regulador" seria, inicialmente, a Confederação Brasileira de Pugilismo. Com o avançar das Federações e Campeonatos, o uso deste tipo de graduação passou a ser comum, sendo assimilado em primeiro momento pelos estados do Rio, São Paulo e Bahia e, posteriormente, para os demais estados.

Salta aos olhos, enfim, que todo esse assunto precisa ser cuidadosamente rediscutido e melhor definido através de consenso. Decididamente ainda não surgiu uma solução com a verdadeira cara da capoeira.

Aproveito esta pequena crônica para homenagear Mestre Artur Emídio (foto 4, ladeado por Mestre Mendonça e capoeira China), um grande Mestre de Capoeira e o primeiro a ser reconhecido oficialmente mestre junto à CBP. A ele, e a todos seus discípulos (Damianor Mendonça, Paulo Gomes, Celso da Rainha...) nossos sinceros agradecimentos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Festival de Cordas, Cordéis, Cordões e Fitas


André Luiz Lacé Lopes (*)
Jornal A Notícia, RJ- 1996


Escrevemos, na semana passada, sobre uma possível "União Geral das Diversas Uniões das Capoeiras" (o autor refere-se ao jornal A Notícia). Realmente as tentativas no sentido de uma grande união, de uma união geral estão proliferando, fazendo com que os eternos gozadores de plantão comecem a afirmar que o ideal é uma "união geral para cada mestre".

Mesmo assim, vejo o fenômeno com otimismo, não tenho dúvida de que desse excesso de soluções surgirá uma solução de consenso. Final feliz, para a Capoeira e para os capoeiras, que poderá ser acelerado se o Governo Federal (Ministério Extraordinário de Esportes, INDESP) resolver entrar nesta Roda. No momento, não vejo outra alternativa mais rápida e eficaz, ou seja, o INDESP promovendo uma grande mesa redonda com os representantes dos principais movimentos. Claro, nesta reunião - histórica - estariam presentes figuras que valem por um movimento inteiro. Além de apoio multidisciplinar - sociólogos, antropólogos, administradores, advogados, educadores, maestros - e de visão-ação interdepartamental (na área federal, só para dar um exemplo, o melhor trabalho em prol da capoeira, em l996, foi feito pelo Ministério da Cultura).

Um dos assuntos nucleares para esta "grande mesa redonda federal" (mundial!?), seguramente, será a Torre da Babel dos Cordéis, Cordas, Cordões e Fitas tentando definir uma hierarquia dentro da Capoeira. Este é justamente o nosso assunto de hoje.

Para não complicar muito comecemos com a definição feita pelo regulamento oficial da capoeira como aprovado em 1972. Inspirada nas cores da bandeira brasileira que, por sua vez, inspirou-se nas características naturais do próprio Brasil, tomou a seguinte forma: 1º estágio - cordel verde, 2º - cordel verde-amarelo, 3º - amarelo, 4º - amarelo-azul, 5º - azul (formado), 6º - verde-amarelo-azul (contramestre), mestre de 1º grau - cordel branco-verde, mestre de 2º grau - branco-amarelo, mestre de 3º grau - branco-azul, e mestre de 4º grau - cordel branco. Não tendo ainda em mãos o trabalho feito, recentemente, pelo Mestre Damionor Mendonça, estou utilizando como fonte de informação a apostila básica elaborada pelo Mestre Bogado para todos os cursos da Associação de Capoeira Barravento (sede em Niterói, Rio de Janeiro).

Sem mesmo procurar conhecer os fundamentos da hierarquia acima resumida, alguns mestres resolveram criar hierarquia própria. Alguns até passando a chamar cordel de corda ou cordão (a utilização de fitas, salvo engano, pertence ao Mestre Carlos Senna e data de muito antes das demais).

De qualquer maneira a disputa virou um verdadeiro "festival de alternativas discutíveis e até suspeitas", todas elas contrariando frontalmente a essência da capoeiragem. O que de um lado, com boa vontade, pode ser entendido como a comprovação da criatividade infinita da capoeiragem, por outro, pode muito bem ser entendido como mecanismos criados com segundas intenções, intenções que não ajudam à Capoeira, e sim a terceiros. Segundas intenções ditadas por simples vaidade ou por ganância. Não será por aí que chegaremos à solução maior, magnânima, que contemple os verdadeiros fundamentos desta fascinante arte.

Mas que fique claro, não estou tirando a razão de quem tentou ou está tentando implantar seu próprio padrão de hierarquia, apenas estou sugerindo que já está na hora de uma reflexão mais profunda sobre o assunto, com vistas a uma grande fusão, não tanto de cordéis (ou cordas, cordões etc etc), mas de fundamentos.

Cordéis ou similares, caso sobrevivam (espero que não sobrevivam), deverão representar os fundamentos da Capoeira. O que não está ocorrendo.

Apenas para ilustrar, a seguir, apresentamos algumas alternativas criadas para o padrão oficial aprovado, em 1972, pelo então Conselho Nacional de Esportes. Para começar, a própria Confederação Brasileira de Capoeira já introduziu algumas modificações. Vários outros grupos, entretanto, como a Senzala-regional, a Abadá, a IUNA e a Muzenza preferiram partir para uma hierarquia própria. Valendo lembrar que todas essas tentativas estão sempre acompanhadas de justificativa, por vezes, digamos, excessivamente "mística": "Cinza: vem das cinzas e as cinzas retornará"; "Laranja: representa o fruto que está nascendo dentro da capoeira"; "Azul claro: quer almejar os céus"! Etc...

A Abadá-Capoeira (Informativo nº 4, setembro/outubro 963) estabeleceu dezessete níveis: 1. Corda crua, 2. Amarela/crua, 3. Amarela, 4. Amarela/laranja, 5. Laranja. 6. Azul/laranja, 7. Azul, 8. Verde/azul, 9. Verde, 10. Roxa-verde, 11. Roxa, 12. Marrom/roxa, 13. Marrom, 14. Vermelha/marrom, 15. Vermelha, 16. Branca/vermelha, e 17. Branca.

O Grupo Muzenza (fonte: Jornal Muzenza, outubro, 96), por sua vez houve por bem definir 13 níveis para adulto: 1. estágio inicial: cinza (iniciante), 2. laranja (iniciante), 3. azul claro (iniciante), 4. verde (aluno graduado), 5. amarelo (aluno graduado), 6. azul (aluno graduado), 7. branco/roxo (contramestre 1º grau), 8. branco-marrom (contramestre 2º grau) 9. banco/vinho (contramestre 3º grau), 10. Roxo (mestre 1º grau), 11. Marrom (mestre 2º grau), 12. vinho (mestre 3º grau) e 13. Branco. O Grupo Muzenza estabeleceu, ainda, uma graduação específica para alunos até 15 anos: 1.cinza/claro, 2. Laranja/branco, 3. Azul/claro, 4. Verde/branco, 5. Amarelo/branco e 5. Azul/branco.

O Grupo IUNA (Mestre Santana, São Paulo), salvo engano, procurou fazer uma conciliação do padrão oficial inicial (Confederação Brasileira de Pugilismo) e o padrão ABADÁ (fonte: Boletim Capoeira IUNA, dez/93), não resistindo, entretanto, a exemplo do Grupo Muzenza, à tentação de hierarquizar o mundo infanto-juvenil.

Mestre Paulo Gomes (Associação de Capoeira Ilha da Maré), manteve a tradição, ou seja, nada de cordas ou cordéis, nada de imitar soluções orientais, nada de fragilizar o capoeira inventando uma corda para ele, eventualmente, nela se enforcar. Paulo Gomes preferiu uma solução que merece reflexão profunda de todos nós: 1. Fase inicial (espécie de estágio probatório) sem uniforme especial; 2. Batismo: calça preta e camisa branca com cola preta; 3. Calça branca, lista vertical preta, camisa branca e gola preta; 4. Tira a lista preta da gola da camisa, fica todo de banco: formado para aula (mestrado); 6. Casaco de cetim (professor de capoeira), amarrado na cintura (o branco é o símbolo máximo da capoeira).

Sem querer esgotar a questão, não posso deixar de transcrever a opinião do Professor Inezil Penna Marinho ("Ginástica Brasileira", Brasília, 1981).

- "A hierarquização dos cordéis, segundo o nosso entendimento, deveria obedecer aos sete "Domínios de Irradiações dos Orixás", que correspondem "as sete fases sociais do negro. As linhas de Orixás são as seguintes:

1ª - Linha de Iemanjá - na iconografia religiosa representa a linha que reina nas areias e no mar; cor representativa do Orixá: azul.

2ª - Linha de Xangô - No sincretismo religioso representa a linha protetora do céu (Olorum) e da terra (aganju), a linha que leva o batismo espiritual a todos que nascem e vivem na terra; cor representativa: marrom.

3ª - Linhas de Oxossi - Representa a linha guardiã das matas; cor representativa: verde.

4ª - Linha de Oxum - representa a linha protetora das águas doces e das cachoeiras; cor representativa: amarela.

5ª -Linha de Iansã - Representa a linha que preside os ventos e as tempestades; cor representativa: roxa.

6ª - Linha de Ogum - representa a linha guerreira; cor representativa vermelha.

7ª Linha de Oxalá - Na iconografia religiosa é o orixá maior, chefe supremo, linha que tem irradiação universal: core representativa: banca".

A respeito desse assunto, continua o Prof. Inezil Penna Marinho, indicamos a leitura do trabalho "Síntese do Sistema de Graduação Fundamentado no aspecto místico-religioso do negro", de autoria de Mestre Zulu.

Devo declarar que, de todas as tentativas de simbolizar cada grau hierárquico na capoeira, está me parece a mais instigante. No seu bojo, vamos encontrar a origem mais remota da capoeira, seus fundamentos filosóficos, espirituais e religiosos, noção de justiça (Xangô!!), preocupação ecológica e inspiração poética. Mas, não ousem mergulhar muito fundo nessas águas misteriosas e fascinantes. Conversei com vários especialistas e seguidores praticantes de cultos negros, todos concordaram que o mote era instigante, mas, todos concordaram, também, que existe meia dúzia de obstáculos perigosos, talvez até instransponíveis.

Para começar não existe apenas um culto afro-brasileiro, existem vários; não apenas várias linhas de Candomblé, mas, também, várias linhas de Umbanda. Qual escolher como paradigma da hierarquia da Capoeira (supondo, apenas raciocinar, que esta idéia burguesa de estabelecer uma hierarquia militar não afronte os verdadeiros fundamentos da Capoeira)?

Se temos um Ogum dançando Capoeira no Candomblé (com direito a toques específicos pelos alabês), temos, também, na Umbanda, os encantados Zé Pilintra (foto), Marinheiro, Malandrinho, Maria Padilha jogando, de vez em quando, sua capoeiragem...

O assunto é apaixonante e, caso o leitor queira aprofundá-lo, como preliminar de fundamental importância, aconselho a percorrer as melhores corimas do Rio e da Bahia (com todo respeito às "roças" dos demais estados - algumas fortíssimas - e as corimas do resto mundo, do Uruguai à África, passando certamente pelo Caribe e - pasmem! - pelos Estados Unidos e Europa. Ao final dessa "volta do mundo" muito especial, talvez o leitor não saia com um estudo pronto sobre hierarquias, mas, em compensação, estará entendendo muito mais sobre boa parte dos fundamentos da Arte Afro-Brasileira da Capoeiragem.

Muito bem, voltando ao tema geral deste artigo, o fato é que os exemplos proliferam, aqui no Brasil e - o que é muito perigoso - no exterior. Contrapondo-se às cordas e cordéis, numa resistência heróica e bem sucedida, vamos encontrar a solução dos Angoleiros. Domingo passado, tive o prazer e a honra de participar da festa de fim de ano do Grupo Capoeira Só Angola (Santa Teresa, RIO). Vários mestres prestigiaram a festa, inclusive o excelente contramestre Valmir Damasceno (Grupo Pelourinho, Mestre Moraes, Salvador). Obviamente, ninguém utilizava corda ou cordéis. Pois muito bem, ao final da Roda, qualquer um, especialista ou não em capoeira, sabia dizer, com exatidão, quem tinha sido mais mandingueiro, quem deu a melhor volta do mundo, quem tinha cantado melhor e mais adequadamente (em função da dinâmica de cada "vorta do mundo")...

Pensem nisto, camaradas.


(*) Artigo publicado inicialmente no Jornal A notícia, Coluna Roda de Capoeira, de Juca Reis (André Luiz Lacé Lopes). Rio de Janeiro, Domingo - 21/21 de dezembro de 1996.
Transcrito no Livro "A Volta do Mundo da Capoeira", 460 páginas. RJ / 1999.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Professor de capoeira é preso fazendo sexo com aluna de 10 anos

ABUSO: Foi com enorme repulsa que recebemos a notícia da prisão em flagrante do Mestre de Capoeira, Ailton Leonardo da Silva (Mestre Careca), de 54 anos, por crime de carater sexual contra uma de suas alunas com apenas 10 anos de idade...

Fica a matéria retirada do conceituado Jornal do Estado do Rio de Janeiro: O Globo (Ver texto original) para que nossa comunidade reflita e comente sobre o terrível acontecimento que infelizmente acontece em nossa sociedade não só nas academias de capoeira mais em todos os lugares imagináveis, até nos menos suspeitos...

Luciano Milani


Professor de capoeira é preso fazendo sexo com aluna de 10 anos (O Globo)

Ailton Leonardo da Silva (Mestre Careca) Ailton Leonardo da Silva (Mestre Careca)
RIO - Um professor de capoeira foi preso na noite desta sexta-feira ao ser flagrado fazendo sexo com uma de suas alunas, de apenas 10 anos, dentro do carro, na Avenida Meriti, em Vicente de Carvalho, na Zona Norte. Ailton Leonardo da Silva, de 54 anos, foi abordado por policiais do 16 BPM (Olaria) no momento em que a criança praticava sexo oral.

Segundo o delegado Felipe Curi, que registrou o caso na 22 DP (Benfica), o professor dá aulas de capoeira no condomínio da vítima, também em Vicente de Carvalho. Ele convidou a menina para ir a uma lanchonete e, no caminho, começou a aliciá-la. Pressionada, a menor concordou em praticar sexo oral.

Ailton responderá pelo crime de estupro de vulnerável (antigo atentado ao pudor) e, se condenado, ficará de oito a 15 anos na cadeia.

Fonte: http://oglobo.globo.com
Via: Portal Capoeira

MINHA OPINIÃO: Pois é, esse tipo de coisa acontece e deve ter muito mais por aí que nem imaginamos porque simplesmente todo mundo acha capoeira "bonitinho" e coloca seus filhos para praticar com os ditos "Mestres" de capoeira, somente porque aparece um palhaço que sabe alguns fundamentos rudimentares e alguns saltos mortais e todo mundo já sai chamando de "Mestre". Esse fato acontece tanto com crianças como com pessoas adultas, e tanto na capoeira como em qualquer outro tipo de arte marcial ou esporte onde ninguém se interessa em conhecer o profissional primeiro antes de parar em suas mãos ou pior, colocar seus filhos nas mãos desses caras que nem sei como denominar, pois se chamar de desgraçado estarei ofendendo os desgraçados de verdade...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Iphan registra capoeira como Patrimônio Cultural Brasileiro


Com certeza essa notícia não é novidade para milhares de capoeiristas, mas estou postando aqui somente com o intento de registro da notícia caso alguém queira pesquisar aqui no blog...  E claro que também ouvir as palavras de Mestre Camisa no dia do acontecimento.

Folha Online - Cotidiano, 15/7/2008, às 19h24

A capoeira foi registrada nesta terça-feira pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) como o mais novo patrimônio cultural brasileiro. O registro foi concedido pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan, que se reuniu hoje em Salvador.
O instrumento legal que assegura a preservação do patrimônio cultural imaterial do Brasil é o registro, instituído pelo Iphan. Após o registro do bem é possível elaborar projetos e políticas públicas que envolvam ações necessárias à preservação e continuidade da manifestação cultural.
O Conselho Consultivo é constituído por 22 representantes de entidades e da sociedade civil, e delibera a respeito dos registros e tombamentos do patrimônio nacional.
O presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, anunciou a inclusão do ofício dos mestres da capoeira no Livro dos Saberes, e da roda de capoeira no Livro das Formas de Expressão. A divulgação e implementação dessa atividade em mais de 150 países se deve aos mestres, que tiveram sua habilidade de ensino reconhecida, segundo o Iphan.
Grupos de capoeiristas e reconhecidos mestres vieram de várias regiões do Brasil para acompanhar a votação. Eles realizaram uma grande roda em frente ao Palácio Rio Branco, simbolizando o triunfo da manifestação, que já foi considerada prática criminosa no século passado –chegou a ser incluída no código penal da República Velha–, e hoje é reconhecida como patrimônio cultural.
O pedido de registro da capoeira foi uma iniciativa do Iphan e do Ministério da Cultura. Uma pesquisa foi realizada entre 2006 e 2007 para a produção de conhecimento e documentação sobre esse bem imaterial, o que possibilitou o pedido do registro.
O inventário da capoeira foi produzido por uma equipe multidisciplinar de profissionais, em parceria com as Universidades Federais do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e a Federal Fluminense, sob a supervisão do Iphan. As pesquisas foram realizadas no Rio de Janeiro, Salvador e Recife, principais cidades portuárias apontadas como prováveis origens desta manifestação, e locais onde havia documentação a respeito.

Preservação do patrimônio
O plano de preservação é uma conseqüência do registro, e prevê medidas de suporte à capoeira como um plano de previdência especial para os velhos mestres; o estabelecimento de um programa de incentivo desta manifestação no mundo; a criação de um Centro Nacional de Referência da Capoeira; e o plano de manejo da biriba –madeira utilizada na fabricação do berimbau– e outros recursos naturais.
Patrimônio cultural imaterial são representações da cultura brasileira como: as práticas, as formas de ver e pensar o mundo, as cerimônias (festejos e rituais religiosos), as danças, as músicas, as lendas e contos, a história, as brincadeiras e modos de fazer (comidas, artesanato, etc.), junto com os instrumentos, objetos e lugares que lhes são associados, cuja tradição é transmitida de geração em geração pelas comunidades brasileiras. Com a inclusão da capoeira, o Brasil passa a ter 14 bens culturais registrados.


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um Menino de 92 Anos

No último dia 27 de Dezembro um menino ficou mais velho. Esse menino que ainda insiste em se balançar quando ouve um pandeiro ou um berimbau, seja no passo miudinho do samba que aprendeu lá no Recôncavo, ou seja na ginga malandra que aprendeu com seu Pastinha, acabou de completar 92 anos.

João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas João Pereira do Santos, filho de Maria Clemença de Jesus, ceramista e descendente de índio e de Maximiliano Pereira dos Santos cuja profissão era vaqueiro na Fazenda Vargem do Canto na Região de Queimadas João Pereira dos Santos é o nome que recebeu por batismo. João Pequeno de Pastinha é o nome pelo qual é conhecido nos quatro cantos do mundo. Esse menino não é fácil mesmo não. Teimoso como ninguém, ainda insiste em jogar capoeira com a mesma malícia de sempre, enchendo os olhos de quem tem o privilégio de compartilhar esses momentos mágicos junto a ele.

O mestre João Pequeno nasceu no município de Araci, no semi-árido baiano, mas ainda menino mudou-se com a família para Mata de São João, no Recôncavo, lugar sagrado de muitas histórias e façanhas de memoráveis capoeiras. Foi lá que o menino João teve o primeiro contato com a capoeira, através de Juvêncio, que era companheiro do lendário Besouro Mangangá, segundo nos conta o próprio João Pequeno. Em Mata de São João ele foi vaqueiro, agricultor e carvoeiro. Há alguns anos, quando fomos acompanhá-lo a uma visita a Mata de S. João, ainda ouvíamos pelas ruas algumas pessoas cumprimentá-lo, chamando-o pelo apelido pelo qual era conhecido na época: João Carvão.

Mais tarde, mudou-se para Salvador onde trabalhou durante um bom tempo como ajudante de pedreiro. Costumava vadiar em algumas rodas conhecidas da cidade como a do Chame-Chame, organizada por Cobrinha Verde ou a do Largo Dois de Julho. E foi numa dessas vadiagens pelo Largo Dois de Julho que João teve o encontro que marcou a sua vida: conheceu Vicente Ferreira Pastinha, o mestre Pastinha.

João nos conta que nesse dia, Pastinha convidou-o para participar da roda organizada por ele, que ficava no local conhecido por “Bigode”. Na semana seguinte lá estava João no “Bigode” e dali pra frente, nunca mais deixou a companhia do “seu” Pastinha, como João até hoje se refere ao seu mestre. Tornou-se então o principal trenel do Centro Esportivo de Capoeira Angola, o CECA, que depois passou a funcionar na Gengibirra e posteriormente mudou-se para o Pelourinho.


E esse menino de 92 anos de idade continua ainda, com toda generosidade e simplicidade, transmitindo seus ensinamentos para quem se disponha a vê-lo jogando, a ouví-lo cantando ou contando histórias, ou simplesmente a observá-lo sentado na sua cadeira entalhada na madeira, de onde ainda comanda as rodas de sua academia, lá no antigo Forte Santo Antonio. Esse menino não tem jeito mesmo, se recusa a ficar velho...graças a Deus !!!



Pedro Abib (Pedrão de João Pequeno) é professor da Universidade Federal da Bahia, músico e capoeirista, formado pelo mestre João Pequeno de Pastinha. Publicou os livros “Capoeira Angola, Cultura Popular e o Jogo dos Saberes na Roda”(2005) e “Mestres e Capoeiras Famosos da Bahia”(2009). Realizou os documentários “O Velho Capoeirista” (1999) e “Memórias do Recôncavo: Besouro e outros Capoeiras” (2008).

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Jogos de Verão - Jan 2010



De 28 a 31 de Janeiro de 2010
Jogos Abertos a TODOS os integrantes da ABADÁ-CAPOEIRA
Cursos com Mestrando Peixe Cru

Agora todas as fases dos jogos de Verão vão acontecer em duas arenas montadas na beira da praia, abertas para todo o público.

Programação

—– 28 de Janeiro - Quinta-feira —–
Curso
19:00h às 20:30h - alunos
20:30h às 22:00h - graduados

Local: Quadra Poliesportiva do Colégio Dimensão
R. Fumio Miyazi - s/n - Boqueirão
(ao lado do Banco Itaú)

—– 29 de Janeiro - Sexta-feira —–
Curso
19:00h às 20:30h - alunos
20:30h às 22:00h - graduados
*Pode haver mudança caso a procura seja grande*

Local: Av. Presidente Kennedy, s/n
Vila Tupi
—– 30 de Janeiro - Sábado ——

09:00h às 12:00h - Quartas de Final
Local: Arena na Praia da Vila Caiçara

12:00 as 14:00 - Almoço

14:00 às 18:00 - Semi Final e Final
Local: Arena na Praia do Boqueirão
(Na altura do Habib’s do Boqueirão)


—– 31 de Janeiro - Domingo —–

10:00 - Puxada de Rede Ecológica na beira da Praia
10:30 - Aulão na Praia do Boqueirão e encerramento do Jogos de Verão 2010

Local: Praia do Boqueirão
(Na altura do Habib’s do Boqueirão)

Chaves participantes:
E - AMARELA / AMARELA LARANJA (a partir de 16 anos)
D – LARANJA / LARANJA e AZUL
C – AZUL / AZUL e VERDE
B – VERDE / VERDE e ROXA
A – ROXA / MARROM e VERMELHA

Inscrição:
Curso: R$ 50,00
Jogos: R$ 50,00
Curso + Jogos: R$ 70,00
e-mail de confirmação com código da transação e com os dados para inscrição:
Nome:
Apelido:
Graduação:
Idade:
Sexo: M ou F
Nome do professor:
Cidade e Estado:
Telefone de contato:

e-mail: contato@abadasp.com.br

Caixa Economica
Conta 0964
Agência 4800-7
Operadora 013
Em nome de: Anderson da Silva Ferreira

Importante
*A inscrição pode ser efetuada até o dia 29 de Janeiro, para fechamento das chaves
**Só poderam se inscrever capoeiristas maiores de 16 anos, com a autorização do responsável.

Hospedagem
Foram disponibilizadas 50 vagas em uma colonia de férias para os participantes, no valor de R$ 45,00 com direito a café da manhã, almoço e janta. Reservem com antecedência.

Mais informações pelo site de São Paulo ou pelo email: contato@abadasp.com.br

Praia Grande - São Paulo - Brasil

Fonte: Abadá-Capoeira Blog Oficial

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sequência de Ensino de Mestre Bimba

Vamos começar o Ano acelerado! Nesse primeiro post do ano, tirando o de Feliz Ano Novo é claro, vamos começar relembrando os fundamentos no método de ensino da Regional...

O Mestre criou o primeiro método de ensino da capoeira, que consta de uma sequência lógica de movimentos de ataque, defesa e contra-ataque, podendo ser ministrada para os iniciantes na forma simplificada, o que permite que os alunos aprendam jogando com uma forte motivação e segurança. Jair Moura, Ex-aluno explica ” esta sequência é uma série de exercícios físicos completos e organizados em um número de lições práticas e eficientes, a fim de que o principiante em Capoeira, dentro de um menor espaço de tempo possível, se convença do valor da luta, como um sistema de ataque e defesa “. A sequência original completa de ensino é formada com 17 golpes, onde cada aluno executa 154 movimentos e a dupla 308, o que desenvolve sobremaneira o condicionamento físico e a habilidade motora específica dos praticantes.


PRIMEIRA Sequência

Aluno 1 - Meia lua de frente
Aluno 2 - Cocorinha
Aluno 1 - Meia lua de frente com armada
Aluno 2 - Cocorinha com negativa de bimba
Aluno 1 - Desencaixa o pé Aú
Aluno 2 - Cabeçada
Aluno 1 - Rolê


SEGUNDA Sequência

Aluno 1 - Queixada
Aluno 2 - Cocorinha
Aluno 1 - Queixada
Aluno 2 - Cocorinha Armada
Aluno 1 - Cocorinha Benção
Aluno 2 - Negativa de bimba
Aluno 1 - Desencaixa o pé Aú
Aluno 2 - Cabeçada
Aluno 1 - Rolê


TERCEIRA Sequência

Aluno 1 - Martelo
Aluno 2 - Rasteira em pé
Aluno 1 - Martelo
Aluno 2 - Rasteira em pé Armada
Aluno 1 - Cocorinha Benção
Aluno 2 - Negativa de bimba
Aluno 1 - Desencaixa o pé Aú
Aluno 2 - Cabeçada
Aluno 1 - Rolê


QUARTA Sequência

Aluno 1 - Godeme
Aluno 2 - Bloqueio
Aluno 1 - Godeme
Aluno 2 - Bloqueio Galopante
Aluno 1 - Arrastão
Aluno 2 - Negativa de bimba
Aluno 1 - Desencaixa o pé Aú
Aluno 2 - Cabeçada
Aluno 1 - Rolê


QUINTA Sequência

Aluno 1 - Giro
Aluno 2 - Cabeçada
Aluno 1 - Joelhada
Aluno 2 - Negativa de bimba
Aluno 1 - Desencaixa o pé Aú
Aluno 2 - Cabeçada
Aluno 1 - Rolê


SEXTA Sequência

Aluno 1 - Meia lua de compasso
Aluno 2 - Cocorinha Meia lua de compasso
Aluno 1 - Cocorinha Meia lua de compasso
Aluno 2 - Cocorinha Meia lua de compasso
Aluno 1 - Cocorinha Joelhada
Aluno 2 - Negativa de bimba
Aluno 1 - Desencaixa o pé Aú
Aluno 2 - Cabeçada
Aluno 1 - Rolê


SÉTIMA Sequência

Aluno 1 - Armada
Aluno 2 - Cocorinha Armada
Aluno 1 - Cocorinha Armada
Aluno 2 - Cocorinha Armada
Aluno 1 - Cocorinha Benção
Aluno 2 - Negativa de bimba
Aluno 1 - Desencaixa o pé Aú
Aluno 2 - Cabeçada
Aluno 1 - Rolê


OITAVA Sequência

Aluno 1 - Benção
Aluno 2 - Negativa de bimba
Aluno 1 - Desencaixa o pé Aú
Aluno 2 - Cabeçada
Aluno 1 - Rolê

Cintura Desprezada é uma sequência de golpes ligados e balões, também conhecidos como Movimentos de Projeção da Capoeira, onde o capoeirista projeta o companheiro, que deverá cair em pé ou agachado jamais sentado. Tem o objetivo de desenvolver a auto-confiança, o senso de cooperação, responsabilidade, agilidade e destreza.
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