sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Feliz Natal...

Charge do Mestre Cartunista Redi
Venho agradecer o apoio de todos os visitantes.

Estamos chegando ao final de 2014!

FELIZ NATAL À TODOS!!!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A Importância do Transe Capoeirano no Jogo de Capoeira da Bahia


CONSIDERAÇÕES GERAIS

Há muitos anos, cerca de 40, venho comparando o comportamento dos capoeiristas durante o jogo de capoeira da Bahia e suas atividades habituais.
O convívio com os praticantes das artes marciais orientais, do espiritismo, do candomblé; o estudo do hipnotismo, do ioga, da parapsicologia, da fisiopatologia do sono, dos estados modificados de consciência e a prática da meditação nos permitiram analisar o comportamento e o potencial do ser humano em diversas estágios de consciência.

Leiam o restante deste interessante texto de Mestre Decânio na fonte abaixo...

Fonte: Capoeira da Bahia

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Roda de Capoeira: Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

Na quarta-feira (26) de Novembro, a Roda de Capoeira foi registrada como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. O registro foi aprovado durante a 9ª Sessão do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda realizada em Paris. Além da roda de capoeira, já foram reconhecidos pela instituição como patrimônio mundial o Samba de roda do Recôncavo Baiano, a arte Kusiwa (pintura corporal indígena), o Frevo pernambucano e o Círio de Nazaré. Espaço de convivência caracterizado por seu ritual, é na circularidade da roda que as vivências da capoeira se materializam e onde os saberes são transmitidos. Para saber mais sobre o registro, acesse o material produzido pelo Iphan AQUI e ouça os áudios da sessão AQUI e AQUI.

Salve os nossos ancestrais e os antigos mestres, guardiões da nossa cultura. Axé camaradas!

Fonte: Biblioteca da Capoeira

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

N'Golo ou Dança da Zebra

A Dança da zebra ou N'Golo de origem do povo "Mucope" do sul da Angola, que ocorria durante a "Efundula" (festa da puberdade), onde os adolescentes formam uma roda; com uma dupla ao cetro desferindo coices e cabeçadas um no outro, até que um era derrubado no solo, essa luta é oriunda das observações dos negros, dos machos das zebras nas disputas das fêmeas, no período do cio, onde os machos lutam com mordidas, cabeçadas e coices. Com a "revolta dos Malês", na Bahia, formada pelos Negros Malês em 25 de fevereiro de 1835 que foi reprimida pelos Portugueses, que castigaram mutilando os lideres, e enviou um navio para África e outro dos rebeldes para a América Central. Em Cuba e Martinica os malês fundiram com a dos navios e negros dos canaviais dando origem ao "Mani", em cuba e "Ladva", em Martinica. O N'Golo levado pelos angolanos para palmares fundiu-se com a Maraná surgindo a Capoeira. Fomos missionários na Angola junto ao povo Mucope onde tivemos o privilégio de assistir uma dessas manifestações culturais, a "dança do N'Golo", e não tem nenhuma aparência com a Capoeira chamada Angola.
Cartas do Jesuíta Antonio Gonçalves para os superiores de Lisboa, em 1735, descreve um luta que os índios praticavam antes de qualquer conflito, em forma de roda dois a dois usando os braços, pernas, cotoveladas, joelhadas, e usando todo corpo como armas (convento de Santo Inácio de Loyola, anais das missões no Brasil. Tomo III pág. 128).
O escritor Holandês Gaspar Barleus descreve no livro "Rerum Per Octenium in Brasília-1647, a luta dos índios tupis praticada no litoral brasileiro" chamado de maraná, luta de guerra, só existem dois exemplares, um no EUA e outro no Brasil.
O cronista alemão Johann Nieuhoff descreve em seu livro "Crônicas do Brasil Holandês" 1670, a luta do maraná assim com descreve em baixo:

Maraná a Dança da Guerra

As cartas do escrivão Francis Patris, que acompanhava o cortejo do príncipe Maurício de Nassau durante a invasão Holandesa, descreve entre muitos obstáculos para a ocupação do território brasileiro a resistência dos Habitantes do Brasil.
Negros comandados por Henrique Dias, portugueses por Vidal de Negreiros, Índios Potiguares comandados por Felipe Camarão, o "Ìndio Poti". Esses índios usavam durante o confronto, alem de flechas borduna, lanças e tacapes, os pés e as mãos desferindo golpes mortais, destacando-se por sua valentia e ferocidade.
Pertencia a cultura potiguara a dança e guerra Maraná, que avaliava o nível de valentia. Em círculos, os guerreiros com perneiras de conchas compunham um compasso ao bater com os pés e as mãos, invocando seus antepassados, acompanhado de atabaques de troncos com pele de Anta, chocalhos e marimbas, em quanto que dois guerreiros se confrontavam ao centro com golpes de pernas, cotoveladas e movimentos que imitavam os animais.

Quilombo dos Palmares

A maior resistência socioeconômica e política da história do Brasil, quase cem anos lutando pelo direito a vida e a liberdade, na Serra da Barriga, em Pernambuco hoje Estado da Alagoas. Em 1650, um grupo de escravos se rebelou no engenho de Pianco, Capitania de Pernambuco, liderada pelo Príncipe Negro Angolano "Zumba" que os conduziu para o Alto da Serra da Barriga, onde ficava a aldeia de nação Potiguar "Palmares", liderada pelo cacique Canindé e a Xamã Akutirene. A velha feiticeira previu que certo dia surgiria de grande rio um grande Rei que imortalizaria Palmares. Com sua grande liderança foi eleito Rei "Ganga" de Palmares. Dentro de poucos anos a população negra passou 70%, dos principais quilombos, que ao todo foram oito (Amaro, Akutirene, Macaco, Aqualtene, Danbraga, Subupira, Adalaquituxe), 25% de Índios e 5% de Portugueses Brancos foragidos (Mestiços, portugueses, Franceses e Espanhóis). Toda essa miscigenação racial criou uma nova cultura étnica, religiosa, dialeto, capoeira, culinária, relações, culturais onde a terra era patrimônio de todos e as decisões de Ganga eram decididas pelo concílio dos anciões Zama, que representava os patriarcas de cada família. Palmares foi a maior república socialista de América, formava um arco-íris racial do povo Brasileiro (Negros, Mamelucos, Índios, Cafuzos, Sararás, Mulatos e Brancos e etc.) nessa sociedade surgiu à capoeira com a fusão das culturas negras, indígenas e brancas. O negro contribuiu com o N'Golo, a ginga, mandinga, com seus instrumentais, pandeiro quadrado, atabaque Islâmico, agogô e mais tarde o berimbau (urocongo). Os Índios com as marimbas, xererê, atabaque de tronco oco e pele de anta, com movimentos que imitavam os animais.
Ouviu-se falar de capoeira pela primeira vez durante as invasões holandesas, em 1624, quando os índios, e Negros escravos, (as duas primeiras vitimas da colonização). Aproveitando-se da confusão gerada, fugiram para as matas, aumentando o contingente do Quilombos dos palmares onde o primeiro rei "ganga" Chamava-se Zumba; Salientamos que o primeiro Quilombo registrado foi em Pernambuco (Cumbi) no ano de 1558.
Em 1678 foi Registrado a chegada de Ganga Zumba, Rei dos Palmares, ao Recife; onde foi recebido pelo então Governador Souza de Castro. Por várias vezes Ganga-Zumba com seus Guerreiros Maus vestidos chegaram a Recife, convidado pelo Governo de Pernambuco a respeito de muitos Escravos fugirem para Os Quilombos, deixando grandes prejuízos para os Fazendeiros, que precisavam da monocultura Escrava; do acordo firmado entre Zumba e o Governo Constituinte, nada foi cumprido por parte do poder Constituído. Também durante uma dessas visitas Ganga-Zumba foi envenenado Pelos seus Próprios Colaboradores manipulados pelo Governo Pernambucano. Zumbi: Assumindo o comando o Guerreiro Zumbi que quando criança havia sido raptado por Bandeirantes ou Caçadores de Escravos e criado por um Padre em Recife, que aos 15 anos já era coroinha, e aos 25 anos fugiu para os Quilombos dos Palmares ficando no lugar de Ganga-Zumba mais foi morto no dia 20 de Novembro de 1695 pelo perverso Domingos Jorge Velho, a sua cabeça foi colocada em sal e enfiada em um poste na frente da Igreja do Carmo para mostrar a seus seguidores que seu defensor havia sido vencido, hoje existe o monumento do mesmo, e a data de sua morte é comemorada o dia da Consciência Negra, Segundo a Lenda Zumbi era um nato lutador de capoeira. O Reinado de Zumbi Durou 14 anos.
A Capoeira é Considerada a Arte Marcial Brasileira pelo motivo de ser utilizada de muita forma como as Maltas, Guerra do Paraguai, Revoltas dos Mercenários, nas escaramuças entre monarquia e republicanos, Guerra das Tabocas, Mascates, Guardas costas de José do Patrocínio e Dom Pedro I, Canudos, Farrapos, Primeira e segunda Guerra Mundial, etc...

A Fusão

Com base no nome capoeira ser de origem tupi-guarani, (mato ralo que foi cortado) e que toda cultura Africana tem os seus nomes em idiomas africanos, como também as danças indígenas brasileiras são de forma de passadas idêntica a ginga da capoeira com "pé para frente e pé para traz". "As lutas africanas são movimentadas lateralmente ou em formas de pulos altos, e só viram de frente na hora de dar cabeçadas contra o peito do outro que desejam derrubar, acontece-lhes chocarem-se fortemente cabeça contra cabeça, o que faz com que a brincadeira não raro degenere em briga e que as facas entrem em jogo ensanguentando-a". - JOÃO MAURÍCIO RUGENDAS - "Viagem pitoresca através do Brasil" 1834 a 1839, Biblioteca Histórica Brasileira, Liv. Marins Editora. São Paulo, 1954. Pág. 197. Sem nenhuma identidade com a capoeira, o berimbau aparentar a forma de um arco e flecha muito usado pelos Indígenas. Salientando que os africanos nunca perderam sua identidade, nem seu dialeto sofreu nenhuma mudança.
Também Observando várias dúvidas dos folcloristas, pesquisadores e historiadores, tenho a certeza de que a Capoeira é a Fusão do N"Golo, trazida da África e o Maraná, existente no Brasil antes do Descobrimento, nascida nos Quilombos dos Palmares, Capitania Hereditária de Pernambuco. Aqui vão alguns exemplos: no livro "arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil" publicado em 1595 onde o padre José de Anchieta, cita que os índios Tupi-guarani, divertem-se jogando capoeira; Guilherme de Almeida, no livro música do Brasil, sustenta serem indígenas as raízes da capoeira; o Navegador Português Martins Afonso de Souza, observou tribos jogando capoeira. Um trabalho publicado pela Xerox do Brasil, o professor austríaco Gerhad Kubik, antropólogo e membro da associação mundial do folclore, e profundo conhecedor de assuntos africanos, diz estranhar que o brasileiro chame "Capoeira de Angola", quando ali não existe nada semelhante.
Conclusão: A capoeira é Afro-Brasileira, pelas provas documentadas de 1624 na Invasão Holandesa, e usada na fuga de Escravos Africanos para o Quilombo dos Palmares.
Esquinas "sem motivos manifestos" e "de assobios ou outro qualquer sinal" esses assobios eram obtidos com as pontas dos dedos mínimos colocados nos lábios (assobios grave, flautas de madeira) ambos praticados pelo meu Pai, Bianor de Oliveira (discípulo quando rapaz de Nicolau do poço), para chama, de longe, os filhos, utilizando tais recursos, os capoeiras avisavam-se uns aos outros, da proximidade da policia, sobre tudo tratava-se de cavalaria, que respeitavam. Ou valiam, simplesmente, como ordem de debandar, em caso de derrota eminente, em algum entrevero.
Antigos Valentes da Capoeiragem Recifense.
A nossa capital a largos anos passados era conhecida como terra dos "faquistas", ou Capoeiristas. Os desconhecidos perambulavam pelas nossas principais ruas, conduzindo armas ostensivamente e praticando crimes sem que houvesse para eles a menor punição, porque dispunham da proteção de certos chefes políticos, aos quais serviam de capangas, principalmente nas épocas de eleição. Não havia segurança de espécie nenhuma para o povo. A vida de um cidadão desaparecia de um momento para outro. Matava-se diariamente nesta cidade. Muitos eram assassinados por motivos frívolos. Estavam em evidencia os valentes: Hoje relatamos trechos da história de José do Nascimento da Silva, o capoeira Nascimento Grande, nascido no Recife em 24 de Dezembro de 1842 que foi entre os homens valentes daquela época, o mais respeitado e popular. O primeiro destes, já nos seus oitenta anos de idade, foi agredido na cidade de Vitória do Santo Antão por um grupo de Afamados (Brabos) constituído por Cosmo Pretinho, Apolônio da Capunga, Ascenço e Corre-Hoje e, num movimento de legitima defesa, fez tombar, atingido por uma bala na boca. Em toda vida de Nascimento Grande, podemos afirmar, foi a única vez que recorreu a arma de fogo, em virtude de sua idade avançada que não lhe permitiu a agilidade de sempre, pois com sua bengala afamada, fez correr inúmeros valentes, fazendo certa vez, cair por terra, o celebre Sabe-Tudo, num encontro que teve com este na antiga Pracinha, atualmente Praça da Independência.
Os pontos preferidos pelos perturbadores da ordem pública eram os bairros de Santo Antônio, São José e Afogados e o subúrbio da Torre, Madalena e Poço da panela.
A mais notável façanha de Nascimento Grande, o "brabo dos brabos", vem do tempo em que Barbosa Lima era governador de Pernambuco.
Havia a Cambôa do Carmo, uma mulata de estouro, chamada Luiza. Certo comendador, chefe de importante de firma comercial desta praça, era o forte dessa mulher. A mundana, não eram indiferentes a robustez e valentia de Nascimento. Ciente o comendador, do que se passava, todo cheio de seu poder monetário e suas relações políticas, foi-lhe fácil aliciar um soldado do antigo esquadrão de cavalaria, para que desse uma lição em Nascimento. O soldado foi além das ordens recebidas, preferindo matar Nascimento à aplicar-lhe uma sova (Surra), (para o que se sentiu pequeno).
Certo dia, em plena tarde, Nascimento demora à janela da casa de Luisa, quando o aliciado lhe desfecha dois tiros de (Comblaim,) sem resultado. As balas quebraram apenas as rotulas das janela. Perseguindo o agressor pelo agredido, foi por este alcançado além do Pátio do Carmo, no ingresso da rua de Santa Tereza. Desfez-se o soldado em lamuria, declarando que aquilo não era obra sua, mas do Comendador F... – Dá-lhe Nascimento uns safanões, mandando-o em paz.
Dia seguinte Nascimento monta em seu cavalo e foi até lingueta, ponto de reuniões dos expoentes comerciantes do Recife. Lobrigado Nascimento pelo comendador que ali se achava, dá este uma marcha para um banco que ficava à rua do comércio, onde Nascimento, à porta, dá umas boas cipoadas, montando depois serenamente em seu cavalo que o transportou até a rua cãs Cruzes, onde morava no 1º Andar, aquele tempo de numero 14, foi um escândalo da época. Poderosos intervieram para que Nascimento fosse afastado de Pernambuco, mas não conseguiram, o afastado voluntariamente foi o comendador, que não mais voltou em Recife, esta passagem da vida de Nascimento, só os Velhos do Recife estão no seu domínio. Não invocamos testemunhas para não melindrar raízes das velhas famílias importantes do Recife. Caso interessante da vida de Nascimento. Também possuía duas Bengalas, a primeira de castão de prata e madeira, a segunda um rústico cipó-pau. Da primeira fazia uso quando vestia o seu melhor traje – da segunda fazia de vagações noturnas.
Este fato é mais recente, deu-se no ano de 1902. Em Casa Forte havia um bilhar onde a noite se jogava Lasquinet. Tomavam parte neste jogo pessoas de distinção. Nascimento era parceiro para aquele Arrabalde, onde se dirigia sempre de trem de 6 e 32 da linha principal. Esta, certo dia, nesse viajava sentado num banco próximo à porta de um dos carros de 2ª classe. Parado e trem na Jaqueira, logo em seguida foi dado o sinal de partida. Já em movimento um forte Negro tentou alcança-lo com verdadeira imprudência. Seria vitima se não fora Nascimento com sua agilidade de felino e sua força segurando a vítima por um braço, já desequilibrado, sacudindo para dentro do trem, o Preto machucou-se um pouco. Nascimento se deixou ficar como se nada houvera, no seu lugar ocupado desde Recife. Passado um instante o Negro rompeu em impropérios contra nascimento, que nada lhe respondeu no curto trajeto da Jaqueira para o Parnamirim, o Preto disse mais desaforos a Nascimento que uma remeira sempre irritada poderia dizer num ano. Nascimento impassível. Parado o trem em Parnamirim. O Preto passou em sua frente depois de lhe dirigir uma expressão grosseiríssima – Salta Nascimento e aplica duais boas cipoadas no Preto e logo uma terceira, fez cair dentro da venda de Francisco de tal, bem em frente a Estação – grita sº Francisco: Nascimento não faça isso, a esta voz o Negro se levanta, e diz : - Eu não sabia que era Nascimento. Tudo isso aconteceu no instante, de vez que Nascimento ainda tomou o mesmo trem com destino à Casa Forte. Chegando a Falecer aos 94 anos em 1936, que Gilberto Freire por ocasião da morte deste Capoeira, reclamou ao governo sua Homenagem.
Bibliografia: Recife Sangrento. Trechos do Livro Inédito sobre História de capoeira no Recife do Século XIX, de Bernardo Alves. Câmara Cascudo. José Mariano. José Lins do Rego.
É nossa História

Fonte: Rabo de Arraia

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ParanaUÊ, ParanaÊ, ParanaLÊ, afinal de contas qual é o correto?

Paraná significa "semelhante ao mar" ou "rio" na língua tupi.  A canção Paranauê (Paranauê, Paranauê, Paraná...), por exemplo, alude à liberdade que os escravos encontrariam para além do Rio Paraná, que está situado atualmente no território de Mato Grosso do Sul, onde não seriam perseguidos e caçados por capangas, feitores ou bandeirantes. Sendo assim, é uma homenagem ao Rio Paraná, já que este daria liberdade aos escravos que nele navegassem, uma esperança de liberdade. Então, os paranauê, seriam os refugiados além do Paraná. "Auê" seria uma espécie de saudação como, "Salve!". Assim creio que é mais uma homenagem ao Paraná (Rio). Em espanhol "río". Talvez existam músicas folclóricas em espanhol que incluam alguma terminação com "auê" (ou de origem indígena). A canção seria literalmente traduzida como: "Salve o Rio, Salve o Rio, Paraná". Paranauê não é uma palavra só, a canção "Paranauê" (nome da canção), fala sobre a liberdade que os escravos encontrariam além do Rio Paraná.

Fonte: Internet

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A Guerra do Paraguai

Em 1865 o Brasil, junto com a Argentina e o Uruguai, declarou guerra ao Paraguai. O exército brasileiro formou seus batalhões e, dentro destes, um imenso número de capoeiras. Muitos foram "recrutados" nas prisões; outros foram agarrados à força nas ruas do Rio e das outras províncias; aos escravos, foi prometida a liberdade no final do conflito.
Na própria marinha, o ramo mais aristocrático das Forças Armadas, destacou-se a presença dos capoeiras. Não entre a elite do oficialato, mas entre a "ralé" da marujada.

Marcílio Dias (o herói da Batalha do Riachuelo, embarcado no "Parnahyba") era rio-grandense e foi recrutado quando capoeirava à frente de uma banda de música. Sua mãe, uma velhinha alquebrada, rogou que não levassem seu filho; foi embalde, Marcílio partiu para a guerra e morreu legando um exemplo e seu nome. (Correio Paulistano, 17/6/1890)

Os capoeiras do Batalhão de Zuavos, especialistas em tomar as trincheiras inimigas na base da arma branca, fizeram misérias na Guerra do Paraguai.

Manuel Querino descreve-nos "o brilhante feito d'armas" levado a efeito pelas companhias de "Zuavos Baianos" no assalto ao forte Curuzu, quando os paraguaios foram debandados. Destacam-se dois capoeiras nos combates corpo-a-corpo: o alferes Cezario Alves da Costa - posteriormente condecorado com o hábito da Ordem do Cruzeiro pelo marechal Conde d'Eu -, e o alferes Antonio Francisco de Melo, também tripulante da já citada corveta "Parnahyba" que, entretanto, teve sua promoção retardada devido ao seu comportamento, observado pelo comandante de corpos: "O cadete Melo usava calça fofa, boné ou chapéu à banda pimpão e não dispensava o jeito arrevesado dos entendidos em mandinga". (REIS, L.V.S. Op.cit., 1997, p.55)

O 31º de Voluntários da Pátria - policiais da Corte do Rio de Janeiro com grande percentagem de capoeiras - também se destacou na batalha de Itororó: esgotadas as munições, "investiu contra os paraguaios com golpes de sabre e capoeiragem" (COSTA, Nelson in SOARES, op.cit., 1944, p.258).
Devido a estas ações de bravura e temeridade, começou a surgir dentro do Exército e da Marinha, de maneira velada e não-explícita, o mito que o capoeira seria o "guerreiro brasileiro".
Cinco anos depois, 1870, os sobreviventes da Guerra do Paraguai voltaram, agora transformados em "heróis", e flanavam soltos pelas ruas do Rio. Muitos engrossaram as fileiras das maltas cariocas e, não raro, pertenciam também à força policial.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Portugal deve pagar indenizações pela escravatura?

O capataz punindo o escravo, numa roça brasileira, retratado pelo francês Jean-Baptiste Debret
"Os países que escravizaram devem compensar os escravizados?" (Gilberto Gil, sugeriu a leitura através da sua página oficial do Facebook)

Os países que escravizaram devem compensar os escravizados? Há quem diga que sim e até aponte um valor para uma indemnização: 30 triliões de dólares vezes 10 mil. Há quem diga que não, porque isso seria voltar à menorização dos colonizados. Antes disso, Portugal deve debater o seu passado esclavagista, dizem historiadores.

Leiam essa interessantíssima postagem na fonte abaixo...

Fonte: Público Portugal

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Estudo Sobre Toques de Berimbau

O berimbau é um instrumento que foi adotado pelos capoeiristas como o principal regente da orquestra da capoeira. Antigamente o atabaque era quem ditava o ritmo. Estamos pesquisando os toques abaixo relacionados procurando associá-los ao jogo correspondente conforme descrição de Mestres, através de literaturas aqui citadas, bem como através de entrevistas.

ANGOLA- Toque lento e cadenciado. Serve para jogo rente ao chão, lento e malicioso (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 03).

BENGUELA- Jogo de dentro com faca - segundo Carybé em citação de Nestor Capoeira no livro: Os fundamentos da Malícia, ed. Record, pág. 119.

SÃO BENTO PEQUENO - Também chamado de "ANGOLA INVERTIDA" - Toque para um jogo amistoso, muito técnico (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 04).

SÃO BENTO GRANDE DE ANGOLA
É o toque específico do jogo de Angola. É um toque que chama para um jogo mais rápido. São Bento grande de Angola, como o próprio nome diz "Grande", sentido que o jogador não jogava baixo e sim mais em pé. Segundo Mestre Brasília: O toque de São Bento Grande de Angola chama para um jogo rápido, solto, mas é Angola. 

SANTA MARIA
Na capoeira, Santa Maria é o toque usado quando o jogador coloca a navalha no pé ou na mão. Um dos toques mais bonitos do berimbau, o tocador precisa desenvolver uma escala de notas e retornar ao começo da escala que da ao ritmo uma característica muito diferente dos demais toques da capoeira, em especial da capoeira regional.

Segue pequeno trecho:



Santa Maria mãe de Deus

Eu cheguei na igreja e me confessei
Santa Maria mãe de Deus
Eu cheguei no altar me ajoelhei

Apanha a laranja no chão tito-tico

Se meu amor for "simbora" não fico...


APANHA LARANJA NO CHÃO TICO-TICO - toque para o jogo de apresentação em que os capoeiristas apanham dinheiro no chão com a boca (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º 02, pág. 07).

AVISO - Toque para denunciar a presença do senhor de engenho, capitão do mato ou capataz (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º. 02, pág. 07). Segundo dizem os capoeiristas mais antigos, servia para avisar os escravos da presença do feitor ou capitão-do-mato (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).

CAVALARIA - toque que imita o trotar do cavalo, avisando que há polícia nas proximidades. Esse toque foi criado por volta de 1920 para avisar a chegada da cavalaria de "Pedrito", um temido delegado de polícia que perseguia os capoeiristas (Revista Praticando Capoeira, ano I - n º 02, pág. 07). Antigamente servia para avisar aos capoeiristas, da presença da Cavalaria da Guarda Nacional (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).

Capoeira Regional

Os toques de Regional inicialmente eram acompanhados por uma bateria inconstante que se apresentava de acordo com a decisão do Mestre Bimba, podendo conter um, dois ou três berimbaus. Tempos depois por sugestão de Decânio, a charanga resumiu-se a um berimbau e dois pandeiros. 

AMAZONAS - criação de Bimba, era dificílimo de acompanhar tal a riqueza de ritmos, a sutileza das variações melódicas; poucos capoeiristas conseguiam obedecer aos seus comandos, mais raros ainda os que conseguiam executá-lo no berimbau.
Amazonas é um toque festivo para saudar mestres e visitantes. É chamado de hino da capoeira (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 05).

BENGUELINHA - Jogo de dentro, colado, corpo a corpo, treinamento para defesa de arma branca.

BENGUELA - Jogo de dentro, colado, corpo a corpo, treinamento para defesa de arma branca.


Benguela - Toque para jogo compassado, curtido, malicioso e floreado (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 05).

CAVALARIA - Jogo duro, pesado, violento.

IDALINA - jogo alto, solto, manhoso, rico em movimentos.
Idalina - Apresentação de jogo com facas, facões, porretes (Revista Universo Capoeira, ano I, n.º 03, agosto/99).

Idalina - Toque para jogo de navalha (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 03).

IÚNA -Jogo baixo, manhoso, sagaz, ardiloso, coreográfico, exibicionista; retorno ao estado lúdico.

Iúna - Só para formados e mestres com movimentos de balões (Revista Universo Capoeira, ano n.º 03, agosto/99).

SANTA MARIA - Toque simples, porém rápido; permite jogo solto e alto aceitando bastante floreio.

Santa Maria - Jogo com navalhas (Revista Universo Capoeira, ano n.º 03, agosto/99).

SÃO BENTO GRANDE DA REGIONAL - Jogo ao estilo regional: forte, rápido, mais para violência que para exibicionismo; viril sem perder a malícia.

SÃO BENTO PEQUENO DA REGIONAL - São Bento Grande às avessas; um jogo mais suave, corpo a corpo, aceitando mais deslocamentos e malícia.


NOTA: As explicações feitas aqui, dos toques que estão SUBLINHADOS e em ITÁLICO, referentes a Capoeira Regional foram retiradas do livro de Ângelo Decânio: A Herança de Mestre Bimba, págs. 183 e 184.

Outros Toques de Berimbau
Angola Santo Malandreu - Criação de Silvio Acarajé, uma ladainha, uma preparação para o início do jogo de capoeira (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 06).

Angolinha -

Assalva -

Ave-Maria - Toque com início lento, demonstrando equilíbrio e conhecimento da arte (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 08).

Barravento - Toque rápido, bonito e agradável de se ouvir, em que o solista demonstra os infindáveis recursos de repique que há no berimbau. O jogo é solto, muito à vontade; é uma demonstração de alegria (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 08). É apropriado para o desenvolvimento do jogo em ritmo acelerado (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 65, ed. Pallas, RJ, 1997).

Dandara - Criação de Silvio Acarajé em homenagem às mulheres que praticam capoeira. Dandara, de acordo com os registros de Palmares, foi o grande amor de Zumbi, o rei do Quilombo dos Palmares (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 06).

Estandarte -

Gegy - É um toque vigoroso. O jogo da capoeira é em angola, a diferença está no toque do berimbau, no repique, onde predomina a influência do Gegy-Nagô (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 06).

Ijexá -

Jeje (Gegê) -

Jeje-ketu -

Maculelê -

Muzenza - Toque originário do candomblé, criado pelo Mestre Canjiquinha. Na capoeira demonstra-se desprezo pelo adversário (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 08).

Samango (homem preguiçoso) - Criação de Canjiquinha. É lutado de lado, tem a presença de poucos movimentos. Sua característica de manifestação é a chapa giratória, a chapa de lado, rasteira e voo do morcego (Revista Praticando Capoeira, ano I, n.º 04).

Samba de Angola - é usado quando se dança o samba de roda ou o samba duro (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).

Samba de roda -

Samba duro -

São Bento Grande Gegê -

Sete de Ouro -

Signo-Salomão (Cinco Salomão) - utilizado para denunciar a presença de estranhos na roda de capoeira (Mestre Bola Sete, em: Capoeira Angola na Bahia, pág. 66, ed. Pallas, RJ, 1997).

Comentários

Na realização dos toques de berimbau destinados à capoeira é interessante lembrar que não há consenso entre mestres e grupos. Em parte, isso é bom pois mostra a complexidade e sua riqueza, exigindo do capoeirista disposição para o estudo e aprofundamento sobre o assunto. Nestor Capoeira cita, no seu excelente livro "Fundamentos da Malícia, ed. Record", uma preleção de Mestre Morais em 1984 onde alguns toques são apresentados de forma diferente. Os toques de São Bento Pequeno e São Bento Grande por exemplo, são tocados de uma forma que eu, particularmente, desconhecia.
Mestre Bola Sete dá uma explicação diferente (da que eu conheço) sobre os toques de Santa Maria, Amazonas, Idalina, Benguela, e Iúna. Em seu livro Capoeira Angola na Bahia, ed Pallas, pág. 68, ele comenta: "O toque de São Bento inverte o toque de Angola; o toque de Santa Maria inverte o toque de Benguela e o toque de Amazonas (jogo de dentro) inverte o toque de Idalina (jogo de fora). O toque de Iúna deve ser executado apenas pelo berimbau viola".
Longe aqui de querermos determinar o que é certo e o que é errado. Queremos mesmo é refletir sobre a maneira de cada mestre ou grupo executar determinados toques e concluir que esta maneira peculiar de cada um precisa ser preservada. Assim diríamos: o toque de Santa Maria da linhagem de Caiçara é... ou, Santa Maria executado na linhagem de Morais é... o toque de benguela segundo Bimba é... cavalaria ensinado por Mestre Nô é ...
Aparentemente temos a impressão de uma grande confusão, mas na verdade isso mostra o quanto é difícil estudar a capoeira sem dar aos seus conteúdos um caráter conclusivo, especialmente o seu lado musical.


Francisco Ferreira Filho Diniz
Professor de Educação Física

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Sistema de Graduação

Clique na imagem para ampliar
Acima temos uma ótima e resumida imagem demonstrando o sistema de graduação da ABADÁ-Capoeira. Por meio do sistema de graduação, este ensina que há diferentes níveis de conhecimento, todos importantes em suas peculiaridades.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

LIVRO - Fundamentos Básicos da Preparação Física na Capoeira

O Presente livro "FUNDAMENTOS BÁSICOS DA PREPARAÇÃO FÍSICA NA CAPOEIRA", deriva-se de um conjunto de trabalhos pautados e pesquisas dentro da visão do Mestre Camisa, com foco e direcionamento nos ideais da Entidade ABADÁ-Capoeira.
Quando se evidencia a questão da Preparação Física na Capoeira visando o alto rendimento, observando-se que Mestre Camisa vem tratando o tema em questão com certo carinho, haja vista, que se torna evidente sua importância no desempenho do capoeirista num todo.
O Autor Luiz Eugênio Castanho de Almeida, professor da Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira, ABADÁ-Capoeira e professor de Educação Física conhecido no mundo da capoeira como Luiz Cavalo vêm através da presente obra, aflorar mais um elemento fundamental que é a preparação física na capoeira.
Num contexto geral procura-se investigar e explicar os processos de treinamento a médio e longo prazo no tocante ao processos bio-psico-sociais relacionando-os com a forma física da capoeira. Verifica-se, no entanto, que mesmo quando analisada dentro de um contexo multifatorial, que considera a existência de uma série de variáveis intrínsecas e extrínsecas interferindo direta ou indiretamente no rendimento do capoeirista.
Outro ponto importante que o autor procura enfatizar é o trabalho de periodização, sendo uma variável a ser analisada e implementada no dia a dia de um capoeirista.
Este novo modelo considera, de forma integrada as características do capoeirista a quem se destinam as particularidades da capoeira e os objetivos concretos que se pretende atingir de forma coerente e sensata, utilizando os conhecimentos científicos provenientes das diversas áreas envolvidas, buscando uma forma mais prática e efetiva, para explicar e predizer os fantásticos resultados alcançados em todo o processo de periodização.
A capoeira por si só já nos proporciona com suas riquezas de movimentos, simbologias, ritmos arte-luta, musicalidade, enfim, inúmeras capacidades físicas com recursos provindo de uma única arte "A ARTE QUE ENGLOBA VÁRIAS ARTES". Com isso fica visível todo o seu potencial que muitas vezes não é compreendido e consequentemente, usado de maneira errônea, comprometendo todo o seu potencial de desenvolvimento.
A Presente Obra Literária é um trabalho de pesquisa científica de aproximadamente quinze anos envolvendo todo o potencial adormecido da capoeira, com foco na preparação física e como se intitula, fica difícil um aprofundamento no assunto, haja vista que o tema em questão é muito abrangente e complexo, com isso fica em aberto e com expectativas de um aprofundamento no assunto em um futuro próximo.
O Livro "Fundamentos Básicos da Preparação Física na Capoeira", é um elemento importante para o capoeirista, mas espero que ao navegar nesse mundo mágico da preparação física na capoeira, almejo aos nobres leitores um entendimento básico e que sirva de inspiração e ferramenta para o aprofundamento de novas pesquisas na área em questão.
Para findar o primeiro passo nesse estudo, é preciso que o leitor compreenda que a Entidade ABADÁ-Capoeira, não é simplesmente uma fábrica de fazer capoeiristas, mas uma Instituição séria e comprometida em melhorar o mundo, começando pelos homens e consequentemente transformando as coisas do mundo.
Mestre Camisa idealizador e Presidente Fundador da ABADÁ-Capoeira, apregoa uma ideologia na qual o homem é da TERRA e não a terra do homem, sendo assim, é preciso cuidar da natureza, das crianças, dos animais e do mundo, pois se cuidarmos de tudo isso não precisaremos nos preocupar com o futuro.

Luiz Eugênio Castanho de Almeida
Professor da Abada - Capoeira

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

LIVRO - A Prática do Alongamento na Capoeira

Esta é uma obra eminentemente prática, pautada e pesquisada dentro da visão do Mestre Camisa, no qual sentindo a necessidade de um trabalho específico e direcionado ao capoeirista e com movimentos oriundos de capoeira, foi que se deu origem á essa obra literária.
"A PRÁTICA DO ALONGAMENTO NA CAPOEIRA", chega no momento exato para preencher uma lacuna e criar mais uma opção para o capoeirista.
A capoeira muitas vezes se prende aos movimentos convencionais, ficando dependente e limitada de suas próprias riquezas, atrapalhando assim o seu desenvolvimento natural.
Uma das preocupações do autor "Luiz Eugênio Castanho de Almeida", professor da ABADÁ-Capoeira, "Luiz Cavalo", foi a linguagem simples e resumida com prioridades em informações visuais e objetivas.
Outro ponto fundamental foi a criação de um foco na especificidade da capoeira, utilizando um processo metodológico, didático e técnico, partindo de três movimentos básicos, provando o quanto a capoeira é riquíssima.
Tendo em vista que poderíamos explorar uma infinidade de movimentos, porém com apenas três básicos, foi possível abordar essa imensidão de variedades de posições.
Este livro é um instrumento valioso para todos os profissionais de capoeira por identificar e implantar mudanças positivas no contexto metodológico e didático da capoeira.
Vale ressaltar que todo o trabalho procura focar movimentos básicos, com isso possibilita fomentar e potencializar a todos, desde o iniciante até aos mais avançados, bastando apenas respeitar os limites e o biotipo de cada um.
O autor Luiz Eugênio Castanho de Almeida vem pesquisando aproximadamente dez anos, dentro dos fundamentos e do sistema da ABADÁ-Capoeira, "Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da Arte-Capoeira".
Dentro da proposta do presente estudo, propõem-se atividades de aquecimento, alongamento, flexibilidade e a volta a calma, tudo dentro da especificidade da capoeira, priorizando a lapidação e o educativo do movimento básico.
Com o livro "A Prática do Alongamento na Capoeira", pretende-se inovar, recriar resgatar sem perder a essência da capoeira, sendo então mais um item importante que já possui, mas apenas mostrar a imensidão a percorrer, nos caminhos das pesquisas e de novos conhecimentos.
Enfim, um livro que não pode faltar na biblioteca dos amantes dessa arte maravilhosa chamada "CAPOEIRA", a arte que engloba várias artes.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Lutas Semelhantes


Na seção "TEXTOS" do site Rabo de Arraia encontrei esse interessante texto de leitura interessante...

Luta do Bode
Antigamente, existia uma luta estranha que se parecia com uma briga de bodes, onde os dois contendores, usavam somente a cabeça para atacar e derrubar os seus adversários, por isso ficando com o nome de dança do bode ou luta do bode, que sempre avia algum gravemente ferido nesses combates, pois ao tentar atacar o adversário, costumavam se chocarem cabeça com cabeça, havendo até mortes. Talvez por este motivo, esta luta pouco conhecida hoje, tenha se extinguido dez do século passado.

Bate coxa
Esta luta denominada de Bate Coxa, era praticada principalmente pelos negros de maior estatura, pois esta luta consistia em derrubar o adversário, com pancadas nas coxas. Estas pancadas eram dadas também na canela e não somente nas coxas, pois o objetivo principal, era de se provar quem era o mais forte, pois aquele que desistisse ou caísse, era o perdedor. Esta luta também era usada como uma espécie de aposta, onde entravam bebida, objetos de valor, dinheiro e algumas vezes até mulheres.

Batuque
Esta luta chamada de batuque, era praticada de duas formas. A primeira consistia de um negro mais forte ficar plantado dentro de uma roda, em quanto o outro tentava projeta-lo ao solo, com golpes desequilibrante. A Segunda forma, era tentar colocar o adversário a nocaute com golpes de perna ou projeções, também usando alguns golpes de braço. Esta luta tem uma grande semelhança com a capoeira regional, pois o pai do Mestre Bimba, era um grande batuqueiro, considerado como um campeão.

Bassula
Uma luta africana que consiste, em derrubar e imobilizar o adversário no solo, não havendo nem um tipo de golpe traumático, onde o lutador somente se vale de quedas e imobilizações no solo, sendo que o objetivo maior à derrubar e não imobilizar. Esta modalidade à mais praticada nos litorais africanos, pois na areia, o risco de acidentes mais graves, diminui consideravelmente. Esta luta foi muito pouco praticada no Brasil, talvez até morrido com os primeiros escravos africanos que chegaram nessas terras brasileiras. Esta luta segundo foi provavelmente criada em Luanda, capital de Angola.

Kamangula
Também uma luta africana, que consiste em aplicar somente golpes de braço e, com as mãos abertas. uma espécie de boxe com mãos abertas NíGolo. Esta luta também chamada de dança das zebras, à uma luta ritualística dos povos Bantus e Mucupis, onde quando uma jovem chegava na idade de se casar, geralmente entre os 12 e os 15 anos de idade, o pai da jovem escolhia os homens de mais posses da tribo (gado, terra etc.), para que provassem a sua valentia, provando assim, a capacidade de poder cuidar bem da futura esposa. Esta luta era feita da seguinte forma: os dois ou mais pretendentes, se combatiam (homem a homem), com cabeçadas e chutes com as mãos e pés no chão, sendo que o que caísse primeiro ou simplesmente desistisse da luta, o que nesse caso seria uma vergonha perante a tribo, perdia a luta, ficando a jovem com o campeão.

Quarupe
Luta de origem indígena do Xingu, onde na festa do Quarupe (que significa festa dos mortos), dois índios lutadores de duas tribos diferentes, se confrontam. Este confronto se consiste em projeções, perde o índio que for derrubado e, também perde-se pontos, quando o índio adversário consegue tocar a parte de traz do joelho do seu oponente.

Fonte: Rabo de Arraia

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Debate entre Mestres - Ouro Preto, 1987 (Parte 3)



Debate entre alguns dos diversos mestres presentes na 1a. Jornada Cultural de Capoeira, promovida pelo Mestre Macaco e o Grupo Ginga - Ouro Preto, 1987.

Debate between some of the mestres of the 1st. Capoeira Cultural Journey, promoted by Mestre Macaco and Grupo Ginga - Ouro Preto, Brazil, 1987.

Fonte: YouTube

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Debate entre Mestres - Ouro Preto, 1987 (Parte 2)



Debate entre alguns dos diversos mestres presentes na 1a. Jornada Cultural de Capoeira, promovida pelo Mestre Macaco e o Grupo Ginga - Ouro Preto, 1987.

Debate between some of the mestres of the 1st. Capoeira Cultural Journey, promoted by Mestre Macaco and Grupo Ginga - Ouro Preto, Brazil, 1987.

Fonte: YouTube

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Debate entre Mestres - Ouro Preto, 1987 (Parte 1)



Debate entre alguns dos diversos mestres presentes na 1a. Jornada Cultural de Capoeira, promovida pelo Mestre Macaco e o Grupo Ginga - Ouro Preto, 1987.

Debate between some of the mestres of the 1st. Capoeira Cultural Journey, promoted by Mestre Macaco and Grupo Ginga - Ouro Preto, Brazil, 1987.

Fonte: YouTube

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Os Nossos Verdadeiros Heróis

Os 2 Joãos de Pastinha
A capoeira, como se sabe, está presente em mais de 150 países no mundo todo. É motivo de grande orgulho para todos nós, brasileiros, vermos a nossa cultura, a nossa língua e a nossa história, serem motivo de respeito e admiração por parte de todos aqueles que de alguma forma, conhecem e reconhecem essa nossa nobre arte pelos quatro cantos do planeta, onde quer que ela se encontre.

Leia o restante desta crônica na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Histórias do Recôncavo

"O Recôncavo Baiano é mesmo uma região muito particular. É como se lá o tempo tivesse parado. A modernização, o progresso desenfreado, trânsito engarrafado, violência urbana, vizinhos que não se conhecem… essas coisas tão comuns na nossa vida cotidiana, lá no Recôncavo têm outra dimensão."

Leiam o restante destas histórias na fonte abaixo...

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Pastinha: Filosofia e Poesia

A história do Brasil é recheada de fatos e personagens surpreendentes. Alguns desses impressionam pela força de sua personalidade, pela dimensão de seus atos, pela sabedoria de suas palavras e pela importância de seu legado.

Estou falando de Vicente Ferreira Pastinha – o mestre Pastinha. Mulato franzino, filho de um comerciante espanhol e uma negra vendedora de acarajé, tornou-se um dos símbolos mais importantes não só da capoeira, mas de toda cultura afro-brasileira.

Leiam o restante dessa crônica na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Capoeira Baiana divulga Manifesto

A capoeira foi elevada à condição de Patrimônio da cultura Brasileira pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Um dos desdobramentos desse processo, é a discussão chamada por esse órgão a nível nacional, para discutir as POLÍTICAS DE SALVAGUARDA da capoeira, ou seja, as ações a nível governamental que deverão garantir a preservação da capoeira enquanto patrimônio nacional, denominadas PRÓ-CAPOEIRA

Foram convocados três encontros regionais, Recife (região nordeste), Brasília (regiões centro-oeste e norte) e Rio de Janeiro (regiões sul e sudeste) além do encontro final a ser realizado em Salvador no ano que vem. Porém, alguns fatos aconteceram no primeiro encontro regional em Recife, que fez com que houvesse uma insatisfação por parte da delegação que representou a Bahia, que na sua volta à “boa terra” convocou os capoeiristas baianos para uma assembléia geral, que resultou no seguinte manifesto:

Leiam o manifesto na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 11 de julho de 2014

"Jogo de Corpo/Body Games” capoeira e Ancestralidade

“Jogo de Corpo/Body Games” capoeira e Ancestralidade, uma produção cinematográfica conjunta do Brasil e da Namíbia, venceu recentemente o prêmio Ousmane Sembene, no Festival de Cinema do Zanzibar 2014. O filme foi dirigido por Richard Pakleppa e codirigido por Cobra Mansa e Mathias Assunção e realizado em conjunto pela On Land Productions e pela Manganga Produções.

Leia o restante da notícia fonte abaixo...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Capoeira, Identidade e Diversidade


"A capoeira, desde seus primórdios, sempre se caracterizou por ser uma prática em que a diversidade foi sua marca principal. Constituída no Brasil a partir de elementos provenientes de danças, lutas e rituais de diferentes regiões da África, é fato também que incorporou muitos outros elementos presentes aqui no Brasil, vindos da cultura indígena e da própria cultura européia, através dos imigrantes pobres e marginalizados que viviam por aqui e compartilhavam desse mesmo universo da capoeiragem. A navalha é um desses elementos, só para citar um exemplo."

Leiam o restante desta crônica na fonte abaixo...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O Legado de Mestre Noronha

"Muito sobre as memórias dos tempos dos valentões e dos grandes capoeiristas do início do século XX, chegou até nós graças a um costume que o mestre Noronha (Daniel Coutinho por batismo) tinha, de anotar nomes, datas, locais e “causos” envolvendo os personagens envolvidos com a capoeiragem da Bahia. O “A.B.C. da capoeira Angola” foi um livro organizado pelo nosso grande pesquisador da capoeira – Frede Abreu, a partir dos manuscritos deixados por Noronha, e se tornou um grande legado para todos aqueles que pretendem saber mais sobre esta arte-luta, e de tudo aquilo que estava ao seu entorno. capoeira e seus personagens, a política e seus políticos, festas populares, economia, repressão policial, história do Brasil, são alguns assuntos abordados por este grande mestre da capoeira em seus manuscritos, que posteriormente à sua morte, Frede Abreu transformou em livro, como forma de perpetuar essa memória."

Leia o restante desta crônica na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Mestre Decânio: O Doutor da Capoeira

"Um dos grandes nomes da capoeira, que ficará eternamente registrado na história dessa arte-luta brasileira, sem dúvida nenhuma, é Ângelo Augusto Decânio Filho, ou “Doutor Decânio” como ficou conhecido no meio da capoeiragem.

Um dos principais e mais antigos discípulos do mestre Bimba, Decânio teve papel importante na constituição da capoeira Regional, sendo um dos pilares juntamente com Sisnando – outro importante discípulo, nos quais Bimba se apoiou para a criação desse estilo de capoeira, bem como na definição das estratégias de obtenção de reconhecimento da capoeira junto à sociedade baiana, num período em que essa manifestação ainda era muito discriminada e vítima de preconceitos e ações violentas por parte do poder vigente."

Leia o restante desta crônica na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Surpreendente João Pequeno

O mestre João Pequeno de Pastinha é mesmo uma figura fantástica, é um desses representantes da nossa cultura popular que merece ser imortalizado na galeria dos grandes personagens do povo brasileiro.
..."Nesses quinze anos de convivência com João Pequeno, tenho aprendido as lições mais profundas de humanidade. Esse homem de poucas palavras, mas de muita inspiração, está sempre a nos ensinar, de várias formas, jeitos e maneiras, até mesmo quando está calado. Quem tem luz própria não precisa dizer mesmo muita coisa. Aí vai uma dica pra muitos mestres da atualidade que falam, falam, falam..."

Continuem lendo um pouco mais da história desse grande Mestre na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Capoeira e Arte

"A capoeira como expressão da cultura afro-brasileira é considerada por muitos também como arte. Uma manifestação que reúne tantos elementos estéticos como a música, as artes do corpo (dança, expressão corporal, acrobacia, etc…), a teatralidade, o artesanato, a pantomima entre outros, sem dúvida nenhuma reúne características suficientes para ser considerada uma atividade artística."

Leia o restante da crônica na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 23 de maio de 2014

TIRIRICA: A "capoeira de São Paulo"

Uma velha discussão que parece não ter fim, é aquela eterna disputa sobre a origem da capoeira: os baianos juram que foi na Bahia, os cariocas esbravejam dizendo que foi no Rio de Janeiro, os pernambucanos por sua vez, não querem nem discussão: a capoeira é pernambucana, visse !!!
Eu, pessoalmente, prefiro não entrar nessa briga e dizer que a capoeira, assim como o samba e outras manifestações da cultura afro-brasileira, não tem certidão de nascimento. Elas surgem em vários lugares e regiões do país, tomando formas variadas e até conhecidas por nomes diversos. Podemos até dizer que onde quer que o negro africano tenha chegado, ali se organizou algum movimento cultural para se lembrar de sua terra natal, através da dança, da música, do tambor, dos rituais. Assim surgiu a maioria das manifestações culturais da nossa cultura popular de origem afro-brasileira, em vários locais e épocas diferentes. A capoeira é brasileira…e ponto final !!!

Leiam o restante desta história na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Mestre Bigodinho: capoeira não se faz, se joga!

"Mestre Bigodinho, batizado como Reinaldo Santana, nasceu em Conceição de Feira, no ano de 1933, mas foi no Acupe – distrito de Santo Amaro que se criou em meio a efervescência cultural do Recôncavo, onde também teve as primeiras lições na capoeiragem. Já rapaz, se mudou em 1950 para Salvador, onde logo conheceu Auvelino, Mestre de Berimbau que o acolheu e ensinou os segredos da arte desse instrumento, que acabou tornando mestre Bigodinho famoso."

Leia mais na fonte abaixo...

Portal Capoeira

sexta-feira, 9 de maio de 2014

MS: Câmara aprova por unanimidade Projeto que cria a “Semana da Capoeira”

Projeto é de autoria do Vereador Marcelo Maurão (PSD)
foto: Thiago Moraes
A Câmara Municipal aprovou ontem por unanimidade, em primeira votação, o Projeto de Lei nº 29, de autoria do vereador Marcelo Mourão (PSD), que institui e inclui no calendário oficial de eventos do município a “Semana da Capoeira”, a ser comemorada anualmente na semana que coincidir com o dia 03 de agosto, Dia Nacional da Capoeira. O Projeto aprovado estabelece que na “Semana da Capoeira” serão realizadas atividades com o objetivo de oferecer a integração cultural entre a comunidade, praticantes e simpatizantes do esporte.

“Atualmente, a Capoeira, que é considerada um esporte genuinamente brasileiro, é praticada em diversos países e apresenta grande poder de inclusão social, o que é facilmente percebido através do interesse de crianças, jovens e adultos, de ambos os sexos, à sua prática”, assinalou Marcelo Mourão, lembrando que em Dourados existem diversos grupos que além da prática esportiva em si desenvolvem um importante trabalho social, como a capoterapia, destinada a idosos. “As atividades que serão desenvolvidas em locais públicos, escolas e entidades durante a  “Semana da Capoeira” darão visibilidade a esse esporte, que reúne em sua prática elementos culturais, musicais e folclóricos e inclusive foi tombado como Patrimônio Imaterial do país pela Ministério da Cultura”, avaliou o parlamentar do PSD.

O Projeto deverá passar por uma 2° votação e, como é praxe nos Projetos aprovados na primeira votação, ser aprovado e enviado à sanção do prefeito Murilo Zauith (PSB).

Jornal Agora MS

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Jinongonongo (Enigmas)

Tu aí ô pretinho? Adivinha essa?
Tradicional jogo de adivinhação angolano.

Nongo (plural = jinongo),ou nongonongo (plural = jinongonongo), significa enigma, adivinhação, proposição segundo Chatelain.
Porém Rosário Marcelino, em seu livro "Jisabhu-Contos Tradicionais" questiona as definições de Jisabu, Jinongonongo e Misoso
Segundo este escritor, Misoso é o plural de Musoso, e representa o conjunto de adivinhas, e Jisabhu o conjunto de contos (ficção), fábulas, provérbios, adágios; sendo Jinongonongo, uma variante da língua kimbundu que tem o mesmo significado que Misoso. Diz-se (segundo o autor Rosário Marcelino) Misoso nas províncias de Kwanza-Norte e Malanje; Jinongonongo, nas províncias de Luanda a Bengo (anteriormente constituíam uma só província).
Ainda segundo a escrita de "Jisabhu" com "H" entre "B" e "U", justifica da seguinte forma:
"A sílaba "BU" de jisabhu, não cai abruptamente; daí a razão pela qual se lhe antepões o "H". É, portanto uma sílaba semi-aspirada, o que lhe dá um valor fonético aproximado ao "V".

Os enigmas servem unicamente de passa-tempo do povo, diferentemente dos provérbios e de alguns contos que encerram uma mensagem de cunho moral.
Seu registro possui grande valor, pois a partir do seu conhecimento travamos contato com a língua na forma mais genuína e espontânea.
Os jinongonongo que poderão ler aqui, encontram-se na gramática de Heli Chatelain.

Assim começam os jinongonongo (segundo Cordeiro da Matta, quando faz referencia a tradução do verbo kunonjoka, e segundo a descrição de Chatelain:

Quem propõe um nongonongo começa dizendo:

Nongonongo jami = que eu traduzo como: Meus enigmas, ou minhas adivinhas, ou minhas proposições(vide observações 1)

Os presentes respondem:
Nongojoka = Proponha a decifração do enigma (vide observações 2)

Se alguém souber a resposta, então diz, e em seguida, proporá outro nongonongo
Caso ninguém saiba a resposta, alguém dirá para aquele que propôs o enigma:

Sob'oio = Esse soba. (vide observações 3). Ou poderá ainda dizer:
Ngobana(ou nga ku bana) o soba = Dar-te-ei o soba.

Assim, depois que ninguém decifrou, aquele que propôs o enigma, revela a solução, e diz:

Soba iokute-kange (ou iokange) = O soba está amarrado, bem amarrado. (vide observações 4). Acrescenta ainda:
Kopo o ié (copo o teu); Kopo o iami (copo o meu); Kopo o iê (copo o seu)

Obeservações:
1-Aqui vemos que a oração encontra-se no plural e concluímos isso devido as regras de concordância (vide gramática). Jami está em concordância com Jinongonongo, que nesta frase está com seu prefixo de classe suprimido, escrevendo-se Nongonongo. Mesmo quando ocorre a supressão do prefixo de classe, a concordância permanece viva.

2- Nongojoka, nada mais é que o verbo Kunongojoka (-nongojoka), cuja definição é: propor a decifração de um enigma. Aqui está colocado no imperativo, e traduzimos como "proponha a decifração do enigma".

3-No dicionário de Cordeiro da Matta, temos soba = régulo, potentado, e também como sendo palavra que o proponente de enigmas (jinongonongo) exige que lhe deem (Ngi bane soba); os circunstantes que não souberem decifrar qualquer enigma que ele propuser.
Poderiamos traduzir a frase ngi bane soba, como "dá-me soba".
Nogbana ou nga ku bana o soba, traduzido como dar-te-ei o soba, ou seja dar-te-ei o "título" de soba, (foi o que conclui) sendo considerado soba(rei) neste passa-tempo, aquele que propôs um enigma que ninguém conseguiu decifrar. Assim é que também dizem Soba ioio = Esse soba, isto é, chamando de soba, aquele que propôs um enigma que ninguém decifrou.

4-Aqui vemos a presença de dois verbos que possuem significados semelhantes, e serve portanto para reforçar a ideia, e por isso da tradução dada por Heli Chatelain, como "Está amarrado, bem amarrado". Kukuta(-kuta) = amarrar, atar, ligar, agarrar
Kukanga (-kanga) = atar solidamente. Aqui, a definição dada por Heli Chatelain foi por isso "bem amarrado".

A seguir, uma sequencia de jinongonongo. O autor, faz várias referencias as regras gramaticais. Aqui deixo de fazer estas observações, mas pretendo com o tempo, ir trazendo as mesmas colocadas como exemplos nos tópicos específicos, ficando aqui somente com a tradução dada por ele. Colocamos a letra P como indicando a proposição, e R como a resposta.

1-P: Kamuxi mu sala, kubá
Pauzito na sala, cai.

R: Kirima kijila mvula.
A planta vem com a chuva.

2-P: Kianzu kia ngelu ku kixinji
Ninho de rato ao pé de toco.

R: Imbui kaluezê ku muzumbu.
O bocado não erra o beiço (boca).

3-P: Bu tari ria Bulutu buatu rieji.
Na rocha do Bruto raiou a lua.

R: Uande o nzoji kala kiri.
Sonhou o sonho como verdade.
*Bruto = Bom-Jesus, fazenda nas margens do rio Quanza.

4-P: Rizanga, ri abânga Tumba Ndala; kizúa ki abela-bu mbemba, rizanga riabuingina.
A lagoa que fez Tumba Ndala: um dia, que pousou nela a bemba, a lagoa secou.

R: Menia ma funji.
Água de infundi.

5-P: Rizanga, ri abânga Tumba Ndala: Jimbiji, jimbiji kiá, jene bu o muene. Uoso uia mu kuasa-bu, né imoxi ngó.
A lagoa, que fez Tumba Ndala: peixes, peixes já, eles estão lá mesmo. Todo(que) vai para fisgar nela, nem um só

R: Masa ma mbala (ou mas'a mbala)

6-P: Rizanga, ri abânga Tumba Ndala: riene ri ri tekel'ê.
A lagoa que fez Tumba Ndala: Ela mesma se enche.

R: Rikoko.
O coco.

7-P: Mborio ku rima ri xita
Pardal atrás de monturo.

R: Kiala ku rima ria mulembu.
Unha nas costas do dedo.

8-P: Matari maiari bu tabu.
Duas pedras no porto.

R: Mele maiari bu tulu.
Duas mamas no peito.

9-P: Nginiungunuka ku rima ria mbondo, ngikuata o mutanii
Ando em roda atras do imbondeiro, pego a vara.

R: Manii enu uafu, u ri kuata mukondo.
A vossa mãe morreu, tu te pões as mãos nos ombros (atitude pensativa, postura de quem está triste ou tem frio).

10-P: Zá riabu, ndé riabu
Vem diabo, vai diabo.

R: Ribitu.
A porta.

11-P: Kisekele moxi a funda, uaiá
Areia dentro de funda, cai.

R: Mbua iaxiki o m'piopio, mu ngongo mariuanu.
Cão que tocou assobio, no mundo admiração.

Fonte: XPG Jinongonongo

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A Sabedoria do Povo do Brasil

"A capoeira é sabedoria do povo do Brasil." É assim que o mestre Angoleiro (Prof. J. Bamberg), discípulo do mestre Bimba, conta como ele definia a capoeira. Hoje em dia, o mestre também tem se incomodado muito com as "novas tradições" da capoeira... Uma figura e tanto!!

Leia o restante na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Da Espiral à Roda

"Nas redes sociais tenho visto com frequência publicações alusivas a uma nostalgia dos anos 80 (sim, esses que foram considerados pirosos!) acerca dos brinquedos, das brincadeiras, dos desenhos animados… o brincar na rua !!! Ah, que saudades! E tem-se falado sobre como as crianças crescidas nesses tempos estariam mais bem preparadas para enfrentar obstáculos ao longo da vida do que possivelmente estarão as crianças que hoje em dia primam pela tecnologia e pelo isolamento mais do que pela criatividade e o vínculo social."

Leiam o restante da postagem na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Capoeira como Atividade de Reabilitação nos Presídios

Faltam mais de 250 mil vagas para presos no Brasil
Esse problema não é exclusivo de penitenciárias. Muitas delegacias também sofrem com a falta de espaço e o excesso de presos.

A segunda parte da série Prisões Brasileiras – Um Retrato sem Retoques, do Repórter Brasil, da TV Brasil, mostra hoje (25) um grande número de pessoas em espaços muito pequenos. A superpopulação carcerária é um problema encontrado em todo o país. De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça, o déficit de vagas no sistema penitenciário brasileiro chega a 256 mil.

Leia o restante na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 28 de março de 2014

A capoeira em Debate?


"O capoeira, sempre de bom coração
Louva em oração, aquilo que tem amor.
Sempre louva a liberdade, a luta contra a escravidão
Mas o que é não ter correntes numa vida sem paixão"


"Desde que aqui chegou o primeiro navio negreiro, houve resistências por parte dos negros trazidos da África. Desde o primeiro o dia, o primeiro momento o negro africano lutou pra se libertar. luta cruenta e cruel, sem armas na sua defesa, perseguido como animal, só lhes restava a reação física, corporal. Usar suas mãos e pernas, cabeças, troncos e membros como arma na sua luta diária pela sobrevivência e na busca pela liberdade."

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Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 7 de março de 2014

A Literatura de Cordel e a Música na Capoeira

"Pensando em tudo isso, fui buscar a origem de algumas cantigas que mais gostava e cheguei até a poesia de cordel. A história do Valente Vilela e o ensinamento contado na vida de Pedro Cem, ambos personagens presentes na literatura de cordel, foram os meus iniciais. Assim como ainda acontece hoje em dia, principalmente no Nordeste do país, acredito que os folhetos de cordel sempre foram muito divulgados e, devido ao preço de centavos, muito acessíveis. Conta-se inclusive, que antes da chegada da Televisão, o nordestino do interior aguardava a chegada do Poeta de Cordel para saber em versos, os acontecimentos do mundo, sempre numa linguagem oral, popular."

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Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Palmares, um Projeto de Nação

O INÍCIO DE PALMARES.... , A ESCRAVIZAÇÃO DO ÍNDIO

"No dia em que nossa gente acabar de uma vez, eu vou tirar esta escora daqui, e o céu vai desabar, e todas as gentes vão desaparecer. Vai acabar tudo". Sinaá, Lenda do fim do Mundo, povo Juruna."

1533 - Bula Veritas Ipsa Papa Paulo III declarando "os índios homens racionais"...
Entradas, expedições organizadas pelos Gov. Gerais, ou diretamente pela Corôa.
Bandeiras, empresa (expedição) organizada por particulares, ambas para caçar índio.
Incursões de franceses, iniciativa particular de "piratas" e não de governo.

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Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Capoeira, o golpe da esportivização

Luiz Carlos de Souza é vereador (PRB) de Salvador e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Capoeira
"No toque do berimbau, num gingado singular e na dança acrobática, nasce a capoeira – manifestação cultural afro-brasileira, criada pelos negros escravos como forma de luta contra a opressão. luta essa que se travou no plano físico e cultural. A arte secular até hoje sofre preconceito de tudo quanto é lado: do campo religioso, por ter vindo do candomblé; de etnia, por ser de origem negra; e pela sua prática ter começado nas ruas, então, logo vista como marginalização."

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Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Origem do Escudo do Centro de cultura Física Regional


"Durante o longo período de luta pela regulamentação da capoeira pela FBP, para enquadrar a “academia” na legislação vigente, que não permitia o uso do termo academia, bem como de escola, em entidades esportivas sugeri a substituição do nome clássico para “Centro de cultura Física”, mais expressivo e abrangente, complementado pelo atributo de “Regional Baiano”, alusivo à luta regional baiana.
Por ocasião da formatura da minha turma (Decânio, Nilton e Maia) o uniforme de formatura da academia de Mestre Bimba era calça branca, camisa listada azul e branca e sapato de tênis branco, como se pode observar numa fotografia publicada em vários clássicos da literatura do nosso esporte."

Quer ampliar sua cultura sobre a capoeira e saber o restante desta história? Acesse a fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira
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