sexta-feira, 30 de maio de 2014

Capoeira e Arte

"A capoeira como expressão da cultura afro-brasileira é considerada por muitos também como arte. Uma manifestação que reúne tantos elementos estéticos como a música, as artes do corpo (dança, expressão corporal, acrobacia, etc…), a teatralidade, o artesanato, a pantomima entre outros, sem dúvida nenhuma reúne características suficientes para ser considerada uma atividade artística."

Leia o restante da crônica na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 23 de maio de 2014

TIRIRICA: A "capoeira de São Paulo"

Uma velha discussão que parece não ter fim, é aquela eterna disputa sobre a origem da capoeira: os baianos juram que foi na Bahia, os cariocas esbravejam dizendo que foi no Rio de Janeiro, os pernambucanos por sua vez, não querem nem discussão: a capoeira é pernambucana, visse !!!
Eu, pessoalmente, prefiro não entrar nessa briga e dizer que a capoeira, assim como o samba e outras manifestações da cultura afro-brasileira, não tem certidão de nascimento. Elas surgem em vários lugares e regiões do país, tomando formas variadas e até conhecidas por nomes diversos. Podemos até dizer que onde quer que o negro africano tenha chegado, ali se organizou algum movimento cultural para se lembrar de sua terra natal, através da dança, da música, do tambor, dos rituais. Assim surgiu a maioria das manifestações culturais da nossa cultura popular de origem afro-brasileira, em vários locais e épocas diferentes. A capoeira é brasileira…e ponto final !!!

Leiam o restante desta história na fonte abaixo...

Fonte: Portal Capoeira

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Mestre Bigodinho: capoeira não se faz, se joga!

"Mestre Bigodinho, batizado como Reinaldo Santana, nasceu em Conceição de Feira, no ano de 1933, mas foi no Acupe – distrito de Santo Amaro que se criou em meio a efervescência cultural do Recôncavo, onde também teve as primeiras lições na capoeiragem. Já rapaz, se mudou em 1950 para Salvador, onde logo conheceu Auvelino, Mestre de Berimbau que o acolheu e ensinou os segredos da arte desse instrumento, que acabou tornando mestre Bigodinho famoso."

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Portal Capoeira

sexta-feira, 9 de maio de 2014

MS: Câmara aprova por unanimidade Projeto que cria a “Semana da Capoeira”

Projeto é de autoria do Vereador Marcelo Maurão (PSD)
foto: Thiago Moraes
A Câmara Municipal aprovou ontem por unanimidade, em primeira votação, o Projeto de Lei nº 29, de autoria do vereador Marcelo Mourão (PSD), que institui e inclui no calendário oficial de eventos do município a “Semana da Capoeira”, a ser comemorada anualmente na semana que coincidir com o dia 03 de agosto, Dia Nacional da Capoeira. O Projeto aprovado estabelece que na “Semana da Capoeira” serão realizadas atividades com o objetivo de oferecer a integração cultural entre a comunidade, praticantes e simpatizantes do esporte.

“Atualmente, a Capoeira, que é considerada um esporte genuinamente brasileiro, é praticada em diversos países e apresenta grande poder de inclusão social, o que é facilmente percebido através do interesse de crianças, jovens e adultos, de ambos os sexos, à sua prática”, assinalou Marcelo Mourão, lembrando que em Dourados existem diversos grupos que além da prática esportiva em si desenvolvem um importante trabalho social, como a capoterapia, destinada a idosos. “As atividades que serão desenvolvidas em locais públicos, escolas e entidades durante a  “Semana da Capoeira” darão visibilidade a esse esporte, que reúne em sua prática elementos culturais, musicais e folclóricos e inclusive foi tombado como Patrimônio Imaterial do país pela Ministério da Cultura”, avaliou o parlamentar do PSD.

O Projeto deverá passar por uma 2° votação e, como é praxe nos Projetos aprovados na primeira votação, ser aprovado e enviado à sanção do prefeito Murilo Zauith (PSB).

Jornal Agora MS

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Jinongonongo (Enigmas)

Tu aí ô pretinho? Adivinha essa?
Tradicional jogo de adivinhação angolano.

Nongo (plural = jinongo),ou nongonongo (plural = jinongonongo), significa enigma, adivinhação, proposição segundo Chatelain.
Porém Rosário Marcelino, em seu livro "Jisabhu-Contos Tradicionais" questiona as definições de Jisabu, Jinongonongo e Misoso
Segundo este escritor, Misoso é o plural de Musoso, e representa o conjunto de adivinhas, e Jisabhu o conjunto de contos (ficção), fábulas, provérbios, adágios; sendo Jinongonongo, uma variante da língua kimbundu que tem o mesmo significado que Misoso. Diz-se (segundo o autor Rosário Marcelino) Misoso nas províncias de Kwanza-Norte e Malanje; Jinongonongo, nas províncias de Luanda a Bengo (anteriormente constituíam uma só província).
Ainda segundo a escrita de "Jisabhu" com "H" entre "B" e "U", justifica da seguinte forma:
"A sílaba "BU" de jisabhu, não cai abruptamente; daí a razão pela qual se lhe antepões o "H". É, portanto uma sílaba semi-aspirada, o que lhe dá um valor fonético aproximado ao "V".

Os enigmas servem unicamente de passa-tempo do povo, diferentemente dos provérbios e de alguns contos que encerram uma mensagem de cunho moral.
Seu registro possui grande valor, pois a partir do seu conhecimento travamos contato com a língua na forma mais genuína e espontânea.
Os jinongonongo que poderão ler aqui, encontram-se na gramática de Heli Chatelain.

Assim começam os jinongonongo (segundo Cordeiro da Matta, quando faz referencia a tradução do verbo kunonjoka, e segundo a descrição de Chatelain:

Quem propõe um nongonongo começa dizendo:

Nongonongo jami = que eu traduzo como: Meus enigmas, ou minhas adivinhas, ou minhas proposições(vide observações 1)

Os presentes respondem:
Nongojoka = Proponha a decifração do enigma (vide observações 2)

Se alguém souber a resposta, então diz, e em seguida, proporá outro nongonongo
Caso ninguém saiba a resposta, alguém dirá para aquele que propôs o enigma:

Sob'oio = Esse soba. (vide observações 3). Ou poderá ainda dizer:
Ngobana(ou nga ku bana) o soba = Dar-te-ei o soba.

Assim, depois que ninguém decifrou, aquele que propôs o enigma, revela a solução, e diz:

Soba iokute-kange (ou iokange) = O soba está amarrado, bem amarrado. (vide observações 4). Acrescenta ainda:
Kopo o ié (copo o teu); Kopo o iami (copo o meu); Kopo o iê (copo o seu)

Obeservações:
1-Aqui vemos que a oração encontra-se no plural e concluímos isso devido as regras de concordância (vide gramática). Jami está em concordância com Jinongonongo, que nesta frase está com seu prefixo de classe suprimido, escrevendo-se Nongonongo. Mesmo quando ocorre a supressão do prefixo de classe, a concordância permanece viva.

2- Nongojoka, nada mais é que o verbo Kunongojoka (-nongojoka), cuja definição é: propor a decifração de um enigma. Aqui está colocado no imperativo, e traduzimos como "proponha a decifração do enigma".

3-No dicionário de Cordeiro da Matta, temos soba = régulo, potentado, e também como sendo palavra que o proponente de enigmas (jinongonongo) exige que lhe deem (Ngi bane soba); os circunstantes que não souberem decifrar qualquer enigma que ele propuser.
Poderiamos traduzir a frase ngi bane soba, como "dá-me soba".
Nogbana ou nga ku bana o soba, traduzido como dar-te-ei o soba, ou seja dar-te-ei o "título" de soba, (foi o que conclui) sendo considerado soba(rei) neste passa-tempo, aquele que propôs um enigma que ninguém conseguiu decifrar. Assim é que também dizem Soba ioio = Esse soba, isto é, chamando de soba, aquele que propôs um enigma que ninguém decifrou.

4-Aqui vemos a presença de dois verbos que possuem significados semelhantes, e serve portanto para reforçar a ideia, e por isso da tradução dada por Heli Chatelain, como "Está amarrado, bem amarrado". Kukuta(-kuta) = amarrar, atar, ligar, agarrar
Kukanga (-kanga) = atar solidamente. Aqui, a definição dada por Heli Chatelain foi por isso "bem amarrado".

A seguir, uma sequencia de jinongonongo. O autor, faz várias referencias as regras gramaticais. Aqui deixo de fazer estas observações, mas pretendo com o tempo, ir trazendo as mesmas colocadas como exemplos nos tópicos específicos, ficando aqui somente com a tradução dada por ele. Colocamos a letra P como indicando a proposição, e R como a resposta.

1-P: Kamuxi mu sala, kubá
Pauzito na sala, cai.

R: Kirima kijila mvula.
A planta vem com a chuva.

2-P: Kianzu kia ngelu ku kixinji
Ninho de rato ao pé de toco.

R: Imbui kaluezê ku muzumbu.
O bocado não erra o beiço (boca).

3-P: Bu tari ria Bulutu buatu rieji.
Na rocha do Bruto raiou a lua.

R: Uande o nzoji kala kiri.
Sonhou o sonho como verdade.
*Bruto = Bom-Jesus, fazenda nas margens do rio Quanza.

4-P: Rizanga, ri abânga Tumba Ndala; kizúa ki abela-bu mbemba, rizanga riabuingina.
A lagoa que fez Tumba Ndala: um dia, que pousou nela a bemba, a lagoa secou.

R: Menia ma funji.
Água de infundi.

5-P: Rizanga, ri abânga Tumba Ndala: Jimbiji, jimbiji kiá, jene bu o muene. Uoso uia mu kuasa-bu, né imoxi ngó.
A lagoa, que fez Tumba Ndala: peixes, peixes já, eles estão lá mesmo. Todo(que) vai para fisgar nela, nem um só

R: Masa ma mbala (ou mas'a mbala)

6-P: Rizanga, ri abânga Tumba Ndala: riene ri ri tekel'ê.
A lagoa que fez Tumba Ndala: Ela mesma se enche.

R: Rikoko.
O coco.

7-P: Mborio ku rima ri xita
Pardal atrás de monturo.

R: Kiala ku rima ria mulembu.
Unha nas costas do dedo.

8-P: Matari maiari bu tabu.
Duas pedras no porto.

R: Mele maiari bu tulu.
Duas mamas no peito.

9-P: Nginiungunuka ku rima ria mbondo, ngikuata o mutanii
Ando em roda atras do imbondeiro, pego a vara.

R: Manii enu uafu, u ri kuata mukondo.
A vossa mãe morreu, tu te pões as mãos nos ombros (atitude pensativa, postura de quem está triste ou tem frio).

10-P: Zá riabu, ndé riabu
Vem diabo, vai diabo.

R: Ribitu.
A porta.

11-P: Kisekele moxi a funda, uaiá
Areia dentro de funda, cai.

R: Mbua iaxiki o m'piopio, mu ngongo mariuanu.
Cão que tocou assobio, no mundo admiração.

Fonte: XPG Jinongonongo
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