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Gangues do Rio de Janeiro Imperial - Parte 3/6

Cada malta apoiava um partido político e recebia
proteção dos respectivos parlamentares. Acima, Nagoas
carregam nos ombros o deputado conservador Duque-
Estrada Teixeira, que criticou a polícia em plena
assembleia
O território dos Guaiamuns avançava pela atual praça Quinze, compreendia os morros de São Bento e Providência e terminava no Campo de Santana, área dominada pelos Nagoas, que estendiam seus domínios pelas freguesias que cercavam a área central da cidade. Controlavam, portanto, os atuais bairros da Lapa, Catete e Glória. Dessa maneira, dominavam uma parte da capital que ainda estava em formação, onde se localizavam as chácaras, sítios, fazendas e até mesmo quilombos. As duas grandes maltas também se distinguiam pelas cores das fitas que utilizavam: os Nagoas se identificavam com a cor branca, e os Guaiamuns, com a vermelha.

Além das disputas entre as maltas, era comum os capoeiras aterrorizarem os moradores do próprio território que ocupavam. Muitas vezes, quando a população se reunia para assistir aos desfiles das bandas militares, eles vinham à frente dos músicos, gingando, dando rasteiras, exibindo navalhas e ameaçando verbal e corporalmente o público. Em outras ocasiões, dezenas deles provocavam as chamadas “correrias”, que visavam tanto assustar o povo quanto resolver disputas entre gangues rivais, e não raramente acabavam com a morte de um capoeira ou mesmo de algum passante atingido durante a batalha.

A contínua ameaça que a capoeira passou a representar para a ordem pública provocou ondas de repressão policial ao longo dos períodos colonial e monárquico. Durante a época de D. João VI, o major Manuel Nunes Vidigal ficou tão famoso pela crueldade com que tratava os capoeiras que chegou a ser citado no célebre romance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida.

O major Vidigal foi o criador das “ceias de camarão”, como eram chamadas “as sangrentas sessões de chibata a que eram submetidos os capoeiras e vadios por ele encontrados”, de acordo com o historiador Carlos Eugênio Líbano Soares, no seu livro A capoeira escrava e outras tradições rebeldes no Rio de Janeiro (1808-1850). Apesar da virulência de ações policiais como a do major Vidigal, os capoeiras resistiram durante todo o Império.

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